Diabetes: prevenção e informação - Parte 1*
Janeiro 20, 2008 de luoncken
Nesta primeira reportagem sobre diabetes, a importância do acesso à informação e ao atendimento multiprofissional, a necessidade de investimento em programas de educação continuada em diabetes e o falta de um programa de atendimento integral ao paciente diabético são alguns dos temas tratados
LUCIANA ONCKEN
Cheguei ao Colégio Madre Cabrini, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, por volta das 10h da manhã. Do lado de fora, uma fila bem organizada. Voluntários preenchiam as fichas das pessoas interessadas em passar pela triagem do diabetes. Naquele dia 11 de novembro, um domingo ensolarado e quente, mais de oito mil pessoas passaram pela 10ª Campanha Nacional Gratuita de Detecção, Orientação, Educação e Prevenção das Complicações em Diabetes. Eu era uma delas. Sou diabética tipo 2 há quatro anos. Não era a minha primeira vez por ali. Em 2002, passei pela triagem, mas ainda não era diabética e voltei para casa com um resultado satisfatório: 92 mg/dl em jejum.
Após responder o questionário de uma das voluntárias, fui em direção a uma das mesas montadas no pátio interno do colégio. Simpáticas, furaram o meu dedo com a pistola do glicosímetro (todo o material havia sido doado pela Roche, fitas e agulhas). Resultado: 139 mg/dl. Foi o bastante para colarem etiquetas de todas as cores na minha roupa. As etiquetas representavam os exames pelos quais eu deveria passar: pressão, colesterol, fisioterapia, podologia, oftalmologia, odontologia, hemoglobina glicada, orientação nutricional e de atividade física.
Em primeiro lugar, passei por uma entrevista com um médico, que me orientou a dar continuidade no meu tratamento. Fui passando de área em área, sempre muito bem atendida. E conversei com algumas pessoas, em especial, com aquelas que haviam descoberto ali o diagnóstico do Diabetes. A maior parte parecia um tanto descolada. Não tinham muita noção do que é a doença, o que causa, e quais as suas conseqüências. Muitas estavam lá por acaso, porque ouviram falar da campanha nos meios de comunicação. Ou porque um amigo chamou.
O seu Afonso Pereira, de 52 anos, por exemplo, encontrou com um amigo na padaria, ali próximo. Como não tinha nada para fazer, o acompanhou até o local da Campanha, onde se descobriu diabético. O amigo foi embora. Ele ficou para os exames. Ainda um pouco perplexo com o resultado e sem saber o que fazer, ia sendo orientado pelos profissionais da saúde que dispuseram voluntariamente de seu tempo para atender, esclarecer e orientar as pessoas.
O presidente da Anad, o médico endocrinologista Fadlo Fraige Filho, destacou a importância do trabalho de cerca de 500 voluntários: médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, farmacêuticos, dentistas, fisioterapeutas, podólogos, professores de educação física, estudantes de diversas áreas. “Sem eles, não conseguiríamos, esse trabalho não seria possível.”
Para ele, campanhas como esta têm a importância de alertar as pessoas para a doença, mas também o setor público para estruturar melhor o atendimento ao diabético no Sistema Único de Saúde, já que o mesmo não prevê um atendimento multiprofissional, como o que estava sendo oferecido ali. O lema da campanha é “um dia em um ano”. Ou seja, todos os exames que levariam um ano para serem feitos no sistema público, ou até mesmo no suplementar, puderam ser realizados em um dia.
A Anad mostrou que é possível fazer uma espécie de “Poupa Tempo do Diabetes”, ou seja, oferecer uma estrutura que permita o diagnóstico de casos da doença, assim como das patologias associadas ao diabetes, em um só dia de atividades. “Isso mostra como é possível estruturar um atendimento que vai reverter em benefício, tanto para o setor público, como para o privado. Afinal, custa muito menos prevenir, do que tratar as complicações”, considerou o presidente da Anad.
Nos casos de primeiro diagnóstico, como o seu Adolfo, os profissionais orientavam a procurar as Unidades Básicas de Saúde para dar continuidade ao tratamento. Segundo o presidente da Anad, cerca de 50% das pessoas que têm diabetes, não sabe que têm. “O tempo entre o início da doença e a descoberta é de cinco a sete anos, tempo suficiente para as complicações se instalarem.”
O problema é que ali são diagnosticados diversos casos, cerca de 300 diagnósticos positivos. O que fazer com essas pessoas? Para as poucas que têm plano de saúde, solicitar que elas procurem um especialista. Para as muitas que não têm, orientá-las a procurar o posto de saúde mais próximo de sua casa. Mas será que a rede pública está preparada para esta demanda?
*Matéria originalmente publicada na Revista da APM, edição 585, de janeiro de 2008. Vou publicar uma retranca por dia.
Gostaria de conhecer o aparelho que mede o nivel de glicose sem ser preciso furar o dedo, se alguem souber da existencia desse aparelho e souber onde posso comprar ajude-me a diminuir o sofrimento de minha filha.
OBRIGADO.