Arquivo mensal: novembro 2007

Estou no Portal Diabetes

Portal Diabetes

Esta semana, foi publicado um depoimento meu no Portal Diabetes, que aliás tem um conteúdo muito interessante para portadores de diabetes tipo 1 e tipo 2. É bem completo, com informações sobre leis, direitos, alimentação saudável… Vale a pena conferir.

Clique aqui para ler o meu depoimento.

Consulta

Hoje foi dia de consulta na endocrinologista. Voltei com a glimepirida. E ela pediu para que eu fizesse uma tabela com o comportamento do meu diabetes durante uma semana tomando glimepirida 1 mg: jejum, pós-prandial almoço, pós-prandial jantar. Vamos ver o que acontece.

Outra coisa: eu preciso voltar a fazer ginástica regularmente. Umas viroses andaram me atacando por aí e eu acabei faltando alguns dias. Tenho certeza que isso terá um efeito positivo.

Semana que vem, estarei lá de volta.

Diabetes: difícil aceitação

A maior parte das pessoas não encara muito bem o fato de ter diabetes. Revolta, desâmimo, depressão são comuns na população diabética. O maior desafio é a mudança de hábitos. Aceitar que você é portador de uma doença crônica é um passo difícil. Muitas pessoas ficam perdidas nesse processo. É mais comum do que imaginamos. Aparecida me encaminhou seu depoimento. Ela foi bastante sincera em relação a como se sente. Um desabafo que muitos gostariam de fazer. Afinal, o mundo não é cor-de-rosa. 

“Meu nome é Aparecida, tenho 45 anos, sou casa e tenho dois filhos. Sou professora de Inglês e acabo de concluir o mestrado. Sou de Vinhedo, interior de São Paulo.  

Tenho diabete tipo 2. Descobri a doença há aproximadamente 8 anos (não me lembro ao certo) quando fiz uns exames para uma cirurgia. No início, tratei com remédios e, com o tempo, evolui para a insulina. Ao descobrir a doença não me desesperei porque não tinha noção de como era. Não tenho referência de meus pais biológicos porque sou filha adotiva, mas meu pai adotivo teve diabetes e morreu em decorrência dela.  

Com o passar do tempo, fui aprendendo todos os nuances da doença e hoje digo, seguramente, que se me oferecerem para ser cobaia em um tratamento cuja chance de morrer fosse de 99% contra apenas 1% de cura, eu topo. Esta doença é muito cruel. Tenho neuropatia, que me causa dores, tenho infecções de urina recorrentes e um controle muito difícil Sou rebelde. Não me cuido como deveria me cuidar, devo confessar. Acabo por comer o que não poderia e esquecendo de fazer o controle e tomar a insulina. Tenho “hipos” horrorosas. O medo de que elas aconteçam em lugares difíceis me faz deixar de tomar a insulina com exatidão. Há algum tempo não tenho ido ao médico. Estou apenas seguindo o que me havia sido prescrito anteriormente, mas já marquei médico novamente. 

Na minha opinião, nas comunidades do Orkut para diabéticos não há espaço para pessoas que precisam de apoio de outras. Em tais comunidades todos são perfeitos, controlam com precisão e seguem a dieta adequadamente. Fiz duas amigas nessas comunidades e com elas troco idéias e sugestões, mas acabamos nos tornando amigas e não só companheiras de comunidade. Uma vez coloquei no fórum uma pergunta: se alguém sabia porque sentíamos tanta sede. Obtive respostas me mandando ao médico, dizendo que minha diabetes estava descontrolada. Apenas uma pessoa respondeu à minha pergunta. 

Tive diabetes gestacional nas duas vezes em que fiquei grávida. Meus dois filhos nasceram com peso acima dos 4 kg . Nenhum dos dois desenvolveram a doença até agora e, se Deus quiser, jamais a desenvolverão. Meu filho tem 20 anos e minha filha 16. Minha família não se preocupa muito com o meu diabetes. Meu marido me ajuda quando eu tenho hipoglicemia, mas ninguém fica controlando o que eu como ou deixo de comer. 

Compro a insulina na farmácia e não tenho nenhuma ajuda de parte alguma. Quando estive em Londres, a Universidade me concedeu uma ajuda para comprar a insulina e as tiras lá. Ganhei 100 libras das quais gastei apenas 13. A insulina lá é muito mais barata.  

Ah! Eu gostaria muito de poder participar de algum experimento, mas até hoje nunca consegui.”

Vídeo da OMS

Recebi da Madeleine Lacsko, da Jovem Pan On line, a informação de que o vídeo da Organização Mundial da Saúde sobre o World Diabetes Day foi cedido pela produtora dinamarquesa que o produziu para reprodução no site da rádio e que o material é de uso livre, com a vantagem que a versão da Jovem Pan já conta com legenda. Tentei disponibilizar aqui, mas não consegui. Mas coloco o link, caso vocês queira assistir. Vale a pena.

Para assistir, clique aqui.

Prestação de contas

Hoje, é feriado, mas estou por aqui. Com toda a movimentação em torno do Dia Mundial do Diabetes, nem tive mais tempo de prestar contas sobre como eu ando vivendo com diabetes. E, nesse período, houve mudanças. Estava um pouco parada na academia por causa do tal rotavírus. Nossa, como faz diferença! Só de parar um pouquinho, a glicemia começa a aumentar e outros probleminhas, como LER, aquelas dores na coluna, um mal estar geral e até um pouco de depressão começam a tomar espaço no organismo novamente. Mas estou dando um chega pra lá nisso tudo. Já estou bem melhor. Ah! E ainda emagreci 2 kg. Não é bom?

Passei na minha consulta no médico e ele mudou o meu remédio. Eu tomava glimepirida 1 mg, que estava me dando muita crise de hipoglicemia. Agora parti para o Galvus Met, da Novartis. O remédio tem um mecanismo que atua nas incretinas. Parece ser melhor. Não tenho mais hipo. O único problema é o preço.

Bom, agora vou curtir o meu feriado.

Um bom dia para vocês!

Dia Mundial do Diabetes: o que precisamos?

Hoje, 14 de novembro, é o Dia Mundial do Diabetes. Passei o mês preparando um matéria ampla sobre diabetes para a próxima Revista da APM. Neste feriado, vou estruturá-la. Só estou com um pouco de dificuldade de falar com as secretarias de saúde e o Ministério da Saúde sobre o programa do SUS para diabéticos. Agora, que a ONU reconheceu o dia 14 como oficial e a doença como uma pandemia a ser combatida em âmbito mundial, com programas consistentes, acredito que os governos vão dar mais atenção para a questão. Com programas que vão além da distribuição gratuita de medicamentos.

A Associação Nacional de Assistência ao Diabético (Anad), no último domingo, mostrou que é possível fazer uma espécie de “Poupa Tempo do Diabetes” (em alusão ao programa do Estado de São Paulo que estruturou um atendimento rápido para quem precisa tirar documentos e resolver problemas burocráticos). O que eu chamo de “Poupa Tempo” é a estrutura que a instituição montou, que permitiu o diagnóstico de casos da doença, assim como das patologias associadas ao diabetes, em um só dia de atividades. Num mesmo local, reuniu profissionais de diversas áreas da saúde, cerca de 500 voluntários, para dar um atendimento integral. Como o Dr. Fadlo Fraige disse: “foi possível fazer o que se faria em um ano na rede pública, em um dia”.

Na minha opinião, o poder público deveria fazer parcerias com instituições como a Anad e a Associação de Diabetes Juvenil (ADJ), reunir a Sociedade de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) para criar um programa completo, proporcionando desde educação continuada para os profissionais que trabalham no sistema, até um programa multiprofissional de atendimento ao diabético. Englobando, principalmente, o Programa de Saúde da Família.

Este tipo de ação é essencial para combater a doença a longo prazo, assim como suas complicações, que implicam em sérios riscos para a população, além de custar caro para os cofres públicos. Ao passo que prevenir, pode reduzir drasticamente, a longo prazo, o impacto da doença nos custos sociais.

O assunto é complexo e há muito o que se discutir.