“Sou apaixonada por Diabetes”


Nezeli

Por Luciana Oncken

Você acredita que alguém pode amar o diabetes? Não? Mas essa pessoa existe e seu nome é Nezeli Fagundes. Hoje com 42 anos, descobriu a doença no dia do seu aniversário de 35 anos, em 5 de abril de 2000. Nezeli é de Itararé, interior de São Paulo, é funcionária pública.

Confira a entrevista que Nezeli concedeu ao Viver com Diabetes:

Viver com Diabetes: Como descobriu a doença?
Nezeli Fagundes: Dois meses após ter me casado, diante do emagrecimento que estava ocorrendo, e que nunca havia acontecido em minha vida, decidi procurar um clínico geral. A primeira desconfiança dele foi diabetes.

VD: Qual foi sua reação?
Nezeli:
Na hora, achei que simplesmente não poderia consumir açúcar; comprei refrigerantes diets, comecei a tomar um hipoglicemiante e achei que tudo estava certo. Não tinha conhecimento algum da doença. Somente três meses depois, diante da advertência de um ginecologista, durante consulta de rotina, busquei um endocrinologista. Foi aí que vim a saber que hipoglicemiantes não seriam eficientes no meu caso e que deveria tomar insulina. Aí, sim, fiquei assustada, pois tinha verdadeiro pavor de agulhas. Quinze dias depois, estava auto-aplicando insulina. Mesmo assim, ainda tinha pouquíssimo conhecimento a respeito do problema. Meu controle melhorou. Somente três anos depois vim a conhecer meu atual endócrino, que teve papel decisivo em minha vida.

VD: Qual foi a importância do médico e dos profissionais de saúde no processo?
Nezeli:
Acredito que os profissionais de saúde, em particular o endocrinologista, são de suma importância na vida de um diabético. Eles têm conhecimento a ser transmitido; e a informação é tão importante quanto a medicação, na condução do diabetes. Infelizmente, a maior parte dos profissionais de saúde estão pessimamente informados a respeito do que seja DM. Apenas os endócrinos têm uma visão real do que seja esta doença. No interior de nosso Brasil, seja nordeste, leste, sul, sudeste, a maior parte das cidades não dispõe de endócrinos. E os diabéticos são atendidos por clínicos gerais, que não têm a menor idéia que espécie de tratamento aplicar. Não esquecendo que cada paciente precisa ser analisado e a ele aplicado um tipo de tratamento. Exemplifico aqui um ocorrido: quando decidi buscar amparo no Sistema Público de Saúde, o médico que atendia diabéticos na cidade onde resido era um gastro; ele confessou não saber o que fazer com meu caso, visto que não era especialista em DM. Quando discorri a respeito de minha condição (DM I, apesar de ter desenvolvido a doença já adulta), outros profissionais de saúde que me atenderam (enfermeira, farmacêutica), discutiram a respeito, visto que eu era adulta e era impossível eu ser DM tipo 1! (Nezeli é portadora do Diabetes Lada, um diabetes auto-imune que se desenvolve em adultos).

VD: Qual foi o papel da sua família?
Nezeli:
Graças a Deus, meu esposo me ajuda; ele tem acompanhado todo o processo de tratamento, tendo bom conhecimento a respeito da doença, colaborando não só comigo, mas com outras pessoas também diabéticas.

VD: Como foi a aceitação da doença?
Nezeli:
Quando soube que precisaria de insulina, revolta total.

VD: Você passou por alguma fase de negação?
Nezeli:
Não. A primeira fase foi de ignorância total a respeito da doença e não aceitação da insulina, num primeiro momento. Depois de 15 dias, quando comecei a me aplicar sozinha, tudo se transformou.

VD: Como é o seu controle?
Nezeli:
Há 2 anos, faço contagem de carboidratos. Foi a melhor opção, acredito eu, que fiz como tratamento até hoje; tenho controle 99,99% sobre as taxas e, ao mesmo tempo, posso me alimentar com liberdade.

VD: Quais sua opinião sobre o acesso à informação e a importância de fazer parte de comunidades para compartilhar experiências?
Nezeli:
Sem dúvida alguma, como já disse, a informação é importantíssima. Não tem como conduzir DM sem conhecimento a respeito. Infelizmente, a grande maioria dos diabéticos é totalmente ignorante a respeito da doença. E não resta dúvida que a internet tem grande papel nesse quesito. Além de proporcionar acesso, também nos aproxima de outros companheiros.

VD: Como é o tratamento e o acesso a medicamentos?
Nezeli:
Em toda a região, há apenas 2 endocrinologistas. Os centros de saúde não dispõe destes profissionais; somente um deles faz treinamento para pessoal de Programa de Saúde da Família. Na maioria dos casos, o acesso a insumos é bem deficiente. A maioria disponibiliza um quadro reduzido de hipoglicemiantes; insulinas, somente NPH. Nem todos os municípios oferecem glicosímetros. Aqueles que oferecem, o fazem somente para DM I. A Lei que nos faculta atendimento total é cumprida parcialmente.

VD: O que fez diferença na sua história?
Nezeli:
Acredito que o grande milagre em minha vida foi o encontro com o endocrinologista: Ailson Faria de Souza. É ele o responsável pelo meu engatinhar, primeiros passos e caminhada no diabetes. Hoje posso dizer que sou uma apaixonada por diabetes.

9 ideias sobre ““Sou apaixonada por Diabetes”

  1. Mauridete Silva Garcez

    Nescessito de informações ou seja novidades,sobre a doença. pois estou desenvolvendo um projeto de monografia sobre a patologia, além de ser diabético inflexivél meu marido.
    Obrigada,
    Aguardo…

    Resposta
  2. MARYNNA

    OI, MEU NOME É MARYNNA E SOU PORTADORA DA DIABETES.
    VC É LOUCA DE SER APAIXONADA POR ESSA DOENÇA; CONVIVER SIM MAIS ACEITAR NÃO.EU ACHO LEGAL VC LEVAR A VIDA DA MELHOR MANEIRA POSSIVEL, MAIS LUTAR PARA MELHORAR É A FORMA CERTA .SOU USUARIA DA INSULINA IGUAL A VC MAIS NÃO ME CONFORMO.SEI QUE NÃO É FACIL, MAIS TUDO DEPENDE DA FORÇA DE VONTADE DE CADA ÚM DE NÓS.

    Resposta
  3. Fernanda

    Hoje entendo que não é nenhuma loucura “ser apaixonada” pelo diabetes. Afinal, tem que se escolher entre viver bem com a diabetes ou colher os frutos da negação da doença. Ou procuramos meios de aprender a viver bem com ela ou ela nos forçará às suas “regras”, quero dizer, diante de uma complicação, não se tem escolha e a melhor escolha é aprender a ter disciplina e auto controle. É uma doença que te força a práticas saudáveis e para isso temos que nos conhecer bem; ou pelo menos tentar.

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  4. eduardo ciampone

    fui diagnosticado como diabetes tipo 2 passaram uma dieta perdi muito peso não tenho nehum sintoma
    a primeira vez de 180 de gilcemia depois do regime 134 depois de tomar um medicamento 104 e varia de 70 a 130
    hoje sem medicamento somente com dieta de fome

    Resposta
  5. MARY LÚCIA ROSA

    QUERER TER INTERESSE EM DESCOBRI ALGO NOVO E MAIS EFICAZ QUE O TRATAMENTO TRADICIONAL, É COMPREENSÍVEL, PORÉM DIZER QUE É APAIXONADA POR DIABETES É IGNORÂNCIA. DESCULPE-ME, É MEU PONTO DE VISTA.

    Resposta
    1. Luciana Oncken Autor do post

      Oi, Mary! Não acredito que seja ignorância da Nezeli (autora da expressão) ser apaixonada pelo tema “diabetes”. Veja, pelo tema, não pela doença. Não quer dizer que ela ame ter a doença. Não é isso. E dá para perceber ao ler a entrevista que fiz com ela. Ela foi fundo na busca por informações e com isso melhorou a sua saúde, o seu controle, e ajuda outras pessoas com a sua visão. É uma força de expressão o “apaixonada”. Nezeli não tem nada de ignorante. É um exemplo de vida. Obrigada por sua participação. Abs., Luciana (autora deste blog, que entrevistou Nezeli).

      Resposta
  6. Matheus de Souza Rodrigues

    PESSOAS COM DIABETES?
    qual foi sua reação quando descobriu que tinha diabetes?
    vc esta evitando comidas que possa aumentar a sua glicose?
    vc esta tomando os remédios e a insulina diariamente?
    trabalho da escola preciso de nome idade e respostas das perguntas acima peço ajuda por favor 😉

    Resposta

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