Arquivo mensal: janeiro 2008

Diabetes: prevenção e informação – Parte 4

Acesso à informação
Um outro desafio das entidades é promover a educação e o acesso à informação para o público em geral. No caso do diabetes tipo 1, que normalmente se desenvolve ainda na infância ( com exceção do diabetes LADA – Latent Autoimmune Diabetes in Adults), e atinge 3% dos portadores de diabetes, Monte aponta os maiores desafios dos profissionais que atendem ao paciente: “em primeiro lugar, fazer com que os pais aceitem a doença; em segundo, convencê-los a não se sentirem culpados pela doença do filho; em terceiro, fazer com que a própria criança aceite. E há outra questão, a escola normalmente não está preparada para receber uma criança diabética, o que se torna um problema social”. O atendimento deve envolver o endocrinologista, o nutricionista, a enfermeira, o professor de educação física e um psicólogo ou psiquiatra.

No caso do diabetes tipo 2, o mais comum, que atinge mais de 90% da população diabética do mundo, o principal desafio é a mudança de hábitos. “O paciente tem de enfrentar um certo sacrifício alimentar, uma mudança, muitas vezes, drástica no estilo de vida, incluindo a atividade física no seu cotidiano. Para que ele dê continuidade à atividade, é importante que ele seja incentivado pelo médico a procurar uma atividade que considere prazeirosa”, salienta o presidente da SBEM-SP.

A Anad e a Associação de Diabetes Juvenil (ADJ) têm procurado realizar campanhas anuais, no Dia Mundial do Diabetes, 14 de novembro, para promover a educação para o público. As campanhas de detecção, como a realizada pela Anad no dia 11 de novembro, têm este papel: alertar a população sobre os riscos do diabetes. Entre os dia 7 e 9 de dezembro, a ADJ realizaou o seu congresso anual, que é voltado para todos os profissionais que atendem o paciente diabético, mas também ao próprio paciente e aos familiares. “O trabalho da ADJ é possibilitar o acesso à informação, educação e conhecimentos dos direitos das pessoas com diabetes”, declarou o então presidente Sussumu Niyama. A presidente eleita é Ione Taiar Fucs, que assume neste 2008.

“A ADJ e a Anad cumprem bem o papel da informação. Estas campanhas são importantes para lembrar da doença e de suas complicações”, destaca o presidente da SBD, Marcos Tambascia. Tanto a Anad, quanto a ADJ, além das campanhas e congressos anuais, possuem programações diárias de atendimento e orientação ao diabético. São palestras, consultas, cursos de culinárias, orientação em nutrição, serviço de podólogo, entre outras atividades.

Na SBEM, segundo Lyra, o Departamento de Diabetes têm trabalhado para “conscientizar a população quanto ao entendimento da doença e sobre os riscos que correm aqueles que não se esmeram em manter um bom controle, não só da glicemia, como também da pressão arterial, dos lipídeos, dentre outros.”

Mas o presidente da SBEM concorda que ainda há muito que melhorar e que é necessário uma ação conjunta com o governo.
“De fato, precisamos melhorar e muito a disponibilização de informações sobre o diabetes. Estamos em constante contato com o nosso Departamento de Diabetes para campanhas de esclarecimento. Já tivemos, inclusive, em reunião com o Ministério da Saúde para o desenvolvimento de projetos nesse sentido.”

Diabetes: prevenção e informação – Parte 3

Educação em Diabetes

Um outra alerta da SBEM é sobre a falta de um Programa de Educação Continuada para os médicos que atendem nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Afinal, nem sempre o médico responsável pelo primeiro atendimento está apto a identificar, diagnosticar e tratar o paciente diabético. “O serviço deveria obrigar o médico a fazer reciclagem, dar o direito à falta no serviço para a realização do curso e cobrar a presença deste profissional”, destaca Osmar Monte. Segundo o professor, já seria suficiente uma reciclagem a cada cinco anos. “A SBD e a SBEM têm se esmerado em apoiar e mesmo ajudar na capacitação de não endocrinologistas na assistência ao diabético. Com isso, certamente, teremos melhores resultados”, concorda o presidente da SBEM, Ruy Lyra.

O resultado da falta de preparo é que somente 10% da população é diagnosticada no início da doença. “Quando o diagnóstico é feito no início, é muito mais barato. A longo prazo, gera benefícios sociais e economia”, afirma Monte. Segundo o presidente da SBEM-SP, o Programa de Saúde da Família (PSF) seria um instrumento interessante no diagnóstico precoce do diabetes, já que poderia analisar os familiares e o risco hereditário de desenvolver a doença.

Tanto a SBEM quanto a SBD têm trabalhado para promover cursos de atualização para endocrinologistas e para profissionais de outras especialidades. O diabetes é um distúrbio que exige um atendimento multiprofissional e a SBD é a entidade que congrega todos os profissionais ligados ao atendimento ao diabético. Atendimento integral como o oferecido pela Anad na Campanha Anual de Detecção ainda não é realidade no sistema público e no sistema privado. Nem um dos dois inclui outros profissionais de saúde no atendimento. A Anad pretende sensibilizar as duas áreas, com base nos benefícios, para que elas passem a oferecer este tipo de atendimento.

A SBEM concorda que o atendimento integral pode trazer muito mais benefícios. “Infezlimente, são poucos os centros que apresentam uma estrutura multidisciplinar no atendimento ao diabético no Brasil. Não tenho a menor dúvida de sua importância no devido controle e conscientização do diabético”, afirma Lyra.

Diabetes: prevenção e informação – Parte 2

Faltam programas

O Ministério da Saúde criou, em 2001, o HIPERDIA, um Sistema de Cadastramento e Acompanhamento de Hipertensos e Diabéticos captados no Plano Nacional de Reorganização da Atenção à hipertensão arterial e ao Diabetes Mellitus, em todas as unidades ambulatoriais do Sistema Único de Saúde, gerando informações para os gerentes locais, gestores das secretarias municipais, estaduais e Ministério da Saúde.

A idéia é que, além do cadastro, o sistema permita o acompanhamento, a garantia do recebimento dos medicamentos prescritos. Segundo o Ministério, a médio prazo, a expectativa é que seja definido o perfil epidemiológico desta população, e o conseqüente desencadeamento de estratégias de saúde pública para levar a mudanças no quadro atual e à melhoria da qualidade de vida dessas pessoas, além da redução do custo social da doença.

Mas o governo federal alega que as secretarias municipais e estaduais de saúde não têm aderido ao sistema como deveriam, ou seja, não têm realizado o cadastramento dos pacientes, dificultando a elaboração de um Programa Nacional para o Diabetes. “O HIPERDIA foi criado, em 2001, para ser obrigatório. Porém, em 2006 identificamos um número muito baixo de pacientes cadastrados, e percebemos que a portaria não estava funcionando direito”, informou a coordenadora nacional do HIPERDIA, Rosa Sampaio, durante a I Oficina Latino-Americana de Trabalho sobre Educação em Diabetes, realizada em Brasília, em junho de 2007.

O programa atual é focado na distribuição de medicamentos. E, mesmo assim, não chega a todos, e não dá acesso às novas terapias. A lei federal Lei 11.347, que entrou em vigor em setembro do ano passado, dispõe sobre a distribuição gratuita de medicamentos e materiais necessários a sua aplicação e à monitoração da glicemia capilar aos portadores de Diabetes inscritos em programas de atenção aos diabéticos. Logo em seguida à promulgação da lei, os portadores de diabetes tipo 1 passaram apuros com a falta de insulina NPH nos postos de distribuição. Na prática, a lei ainda não é respeitada. E há os que têm de apelar para ações judiciais para garantir o tratamento gratuito. No Estado de São Paulo, a lei 10.782, já obriga desde 2001 o Estado a garantir medicamentos e outros insumos para pacientes diabéticos.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Marcos Tambascia, endocrinologista da Universidade de Campinas (Unicamp), o programa é focado na distribuição de medicamentos porque é justamente aí que se encontra o maior impacto para o doente. Por se tratar de uma doença crônica, o custo do tratamento acaba pesando no orçamento familiar. No entanto, Tambascia destaca que existe uma série de medicamentos que ainda não são disponibilizados pelo governo e que teriam uma boa resposta no paciente.

A falta de recursos adequados também é uma preocupação da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). O presidente da seção São Paulo da SBEM, Osmar Monte, professor adjunto de Endocrinologia e Metabologia da Santa Casa de São Paulo, ressalta as terapias com análogos da insulina, ou mesmo a bomba de insulina, que não estão inclusos no programa do governo.

Uma saída pode ser o estudo que a SDB está preparando, visando equilibrar a conta. “Estamos fazendo um estudo de farmacologia, levantando o custo do tratamento e o seu impacto nas políticas governamentais, para então propor um programa que diminua os gastos a longo prazo”, ressalta. A lógica é que um investimento maior no presente pode representar uma diminuição de gastos a longo prazo, porque os resultados do tratamento retardariam complicações responsáveis por um custo financeiro e social elevados para os cofres públicos.

Diabetes: prevenção e informação – Parte 1*

Nesta primeira reportagem sobre diabetes, a importância do acesso à informação e ao atendimento multiprofissional, a necessidade de investimento em programas de educação continuada em diabetes e o falta de um programa de atendimento integral ao paciente diabético são alguns dos temas tratados

LUCIANA ONCKEN

Cheguei ao Colégio Madre Cabrini, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, por volta das 10h da manhã. Do lado de fora, uma fila bem organizada. Voluntários preenchiam as fichas das pessoas interessadas em passar pela triagem do diabetes. Naquele dia 11 de novembro, um domingo ensolarado e quente, mais de oito mil pessoas passaram pela 10ª Campanha Nacional Gratuita de Detecção, Orientação, Educação e Prevenção das Complicações em Diabetes. Eu era uma delas. Sou diabética tipo 2 há quatro anos. Não era a minha primeira vez por ali. Em 2002, passei pela triagem, mas ainda não era diabética e voltei para casa com um resultado satisfatório: 92 mg/dl em jejum.

Após responder o questionário de uma das voluntárias, fui em direção a uma das mesas montadas no pátio interno do colégio. Simpáticas, furaram o meu dedo com a pistola do glicosímetro (todo o material havia sido doado pela Roche, fitas e agulhas). Resultado: 139 mg/dl. Foi o bastante para colarem etiquetas de todas as cores na minha roupa. As etiquetas representavam os exames pelos quais eu deveria passar: pressão, colesterol, fisioterapia, podologia, oftalmologia, odontologia, hemoglobina glicada, orientação nutricional e de atividade física.

Em primeiro lugar, passei por uma entrevista com um médico, que me orientou a dar continuidade no meu tratamento. Fui passando de área em área, sempre muito bem atendida. E conversei com algumas pessoas, em especial, com aquelas que haviam descoberto ali o diagnóstico do Diabetes. A maior parte parecia um tanto descolada. Não tinham muita noção do que é a doença, o que causa, e quais as suas conseqüências. Muitas estavam lá por acaso, porque ouviram falar da campanha nos meios de comunicação. Ou porque um amigo chamou.

O seu Afonso Pereira, de 52 anos, por exemplo, encontrou com um amigo na padaria, ali próximo. Como não tinha nada para fazer, o acompanhou até o local da Campanha, onde se descobriu diabético. O amigo foi embora. Ele ficou para os exames. Ainda um pouco perplexo com o resultado e sem saber o que fazer, ia sendo orientado pelos profissionais da saúde que dispuseram voluntariamente de seu tempo para atender, esclarecer e orientar as pessoas.

O presidente da Anad, o médico endocrinologista Fadlo Fraige Filho, destacou a importância do trabalho de cerca de 500 voluntários: médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, farmacêuticos, dentistas, fisioterapeutas, podólogos, professores de educação física, estudantes de diversas áreas. “Sem eles, não conseguiríamos, esse trabalho não seria possível.”

Para ele, campanhas como esta têm a importância de alertar as pessoas para a doença, mas também o setor público para estruturar melhor o atendimento ao diabético no Sistema Único de Saúde, já que o mesmo não prevê um atendimento multiprofissional, como o que estava sendo oferecido ali. O lema da campanha é “um dia em um ano”. Ou seja, todos os exames que levariam um ano para serem feitos no sistema público, ou até mesmo no suplementar, puderam ser realizados em um dia.

A Anad mostrou que é possível fazer uma espécie de “Poupa Tempo do Diabetes”, ou seja, oferecer uma estrutura que permita o diagnóstico de casos da doença, assim como das patologias associadas ao diabetes, em um só dia de atividades. “Isso mostra como é possível estruturar um atendimento que vai reverter em benefício, tanto para o setor público, como para o privado. Afinal, custa muito menos prevenir, do que tratar as complicações”, considerou o presidente da Anad.

Nos casos de primeiro diagnóstico, como o seu Adolfo, os profissionais orientavam a procurar as Unidades Básicas de Saúde para dar continuidade ao tratamento. Segundo o presidente da Anad, cerca de 50% das pessoas que têm diabetes, não sabe que têm. “O tempo entre o início da doença e a descoberta é de cinco a sete anos, tempo suficiente para as complicações se instalarem.”

O problema é que ali são diagnosticados diversos casos, cerca de 300 diagnósticos positivos. O que fazer com essas pessoas? Para as poucas que têm plano de saúde, solicitar que elas procurem um especialista. Para as muitas que não têm, orientá-las a procurar o posto de saúde mais próximo de sua casa. Mas será que a rede pública está preparada para esta demanda?

*Matéria originalmente publicada na Revista da APM, edição 585, de janeiro de 2008. Vou publicar uma retranca por dia.

103!

Glicosimetro

Este número alegrou o meu dia. Foi o resultado do glicosímetro hoje pela manhã. Fazia tempo que eu não tinha um resultado tão controlado, tão bonito, tão redondo. Lindo mesmo! 103: curti. 103: um número do bem. Quase dentro do normal. Um pouquinho mais e eu chego lá. Tenho certeza que chego.

Ontem, eu mesma fiz o jantar. Uma receitinha light de uma revista chamada Receita Minuto. Aliás, é da mesma editora da revista Sabor e Vida – Diabéticos. Fez sucesso. É a segunda receita dessa revista que eu faço nos últimos quatro dias. A de ontem foi um frango empanado (mas assado, não frito!), que leva maionese light, mostarda, cebolinha, salsinha, manjericão e azeite. Por minha conta, coloquei cebola também. Ficou uma delícia. É rápido e prático. De acompanhamento, saladinha com molho de iogurte e purê de mandioquinha. No domingo, fiz uma salada de lentilha com berinjela e tomate. Também por minha conta, inclui abobrinha. Todo mundo adorou.

***

Escrevi ontem o que está logo acima, mas acabei não postando. Hoje, o glicosímetro apontou 105. Nada mal. Fui fazer avaliação física na academia e descobri que o meu condicionamento físico não está tão ruim quanto eu imaginava. Fiquei até feliz com os resultados. Vou em frente.

Em processo de emagrecimento

Não quero cantar vitória. Tenho alguns quilos ainda para perder. Cinco já se foram. Mas cinco ainda estão sobrando. Portanto, academia, boa alimentação, controle. Peguei carona na virose que tive em outubro e segui em frente. Explico: a tal virose me deixava sem fome, meio enjoada, com náuseas. Comecei a comer pouquinho. A virose passou e eu continuei comendo pouquinho. Em conjunto com a academia, gerou resultado. Cinco quilinhos a menos em três meses. Eu achei ótimo. A minha saúde está gostando mais ainda. Mais controle da glicemia, mais disposição…

Mas continuo no processo de emagrecimento gradativo, sem pressa, sem obcessão e, o melhor, sem virose.

São Paulo: orientação gratuita em diabetes para servidores

A Secretaria de Estado da Saúde promove a partir de hoje um programa de prevenção e controle de diabetes para servidores estaduais. As atividades serão realizadas no Hospital do Servidor Público Estadual, na capital paulista

Serão dois cursos por mês, até o final do ano, ministrados por uma equipe multidisciplinar composta por médicos, dentista, nutricionista, enfermeira e assistente social. Em janeiro, as aulas serão realizadas nos dias 9 e 10, 23 e 24, das 7h30 às 12h, no quarto andar do ambulatório do hospital.

Entre os assuntos abordados estarão noções gerais sobre diabetes, tipos da doença, complicações agudas e crônicas, prevenção, autocontrole, recomendações nutricionais e qualidade de vida.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no guichê de Endocrinologia ou na sala 474, ambos no quarto andar do ambulatório. Informações podem ser obtidas pelos telefones (11) 5088-8471 ou 5088-8112.

“A informação é a melhor maneira para conscientizar sobre prevenção e controle do diabetes. Por isso estamos promovendo esses cursos de orientação para todos os servidores”, afirma o superintendente do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), José Carlos Ramos de Oliveira.

Serviço
Local: Hospital do Servidor Público Estadual
Endereço: Rua Borges Lagoa, 1.755, Vila Clementino, zona sul de São Paulo.

Fonte: Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo