Diabetes: prevenção e informação – Parte 1*


Nesta primeira reportagem sobre diabetes, a importância do acesso à informação e ao atendimento multiprofissional, a necessidade de investimento em programas de educação continuada em diabetes e o falta de um programa de atendimento integral ao paciente diabético são alguns dos temas tratados

LUCIANA ONCKEN

Cheguei ao Colégio Madre Cabrini, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, por volta das 10h da manhã. Do lado de fora, uma fila bem organizada. Voluntários preenchiam as fichas das pessoas interessadas em passar pela triagem do diabetes. Naquele dia 11 de novembro, um domingo ensolarado e quente, mais de oito mil pessoas passaram pela 10ª Campanha Nacional Gratuita de Detecção, Orientação, Educação e Prevenção das Complicações em Diabetes. Eu era uma delas. Sou diabética tipo 2 há quatro anos. Não era a minha primeira vez por ali. Em 2002, passei pela triagem, mas ainda não era diabética e voltei para casa com um resultado satisfatório: 92 mg/dl em jejum.

Após responder o questionário de uma das voluntárias, fui em direção a uma das mesas montadas no pátio interno do colégio. Simpáticas, furaram o meu dedo com a pistola do glicosímetro (todo o material havia sido doado pela Roche, fitas e agulhas). Resultado: 139 mg/dl. Foi o bastante para colarem etiquetas de todas as cores na minha roupa. As etiquetas representavam os exames pelos quais eu deveria passar: pressão, colesterol, fisioterapia, podologia, oftalmologia, odontologia, hemoglobina glicada, orientação nutricional e de atividade física.

Em primeiro lugar, passei por uma entrevista com um médico, que me orientou a dar continuidade no meu tratamento. Fui passando de área em área, sempre muito bem atendida. E conversei com algumas pessoas, em especial, com aquelas que haviam descoberto ali o diagnóstico do Diabetes. A maior parte parecia um tanto descolada. Não tinham muita noção do que é a doença, o que causa, e quais as suas conseqüências. Muitas estavam lá por acaso, porque ouviram falar da campanha nos meios de comunicação. Ou porque um amigo chamou.

O seu Afonso Pereira, de 52 anos, por exemplo, encontrou com um amigo na padaria, ali próximo. Como não tinha nada para fazer, o acompanhou até o local da Campanha, onde se descobriu diabético. O amigo foi embora. Ele ficou para os exames. Ainda um pouco perplexo com o resultado e sem saber o que fazer, ia sendo orientado pelos profissionais da saúde que dispuseram voluntariamente de seu tempo para atender, esclarecer e orientar as pessoas.

O presidente da Anad, o médico endocrinologista Fadlo Fraige Filho, destacou a importância do trabalho de cerca de 500 voluntários: médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, farmacêuticos, dentistas, fisioterapeutas, podólogos, professores de educação física, estudantes de diversas áreas. “Sem eles, não conseguiríamos, esse trabalho não seria possível.”

Para ele, campanhas como esta têm a importância de alertar as pessoas para a doença, mas também o setor público para estruturar melhor o atendimento ao diabético no Sistema Único de Saúde, já que o mesmo não prevê um atendimento multiprofissional, como o que estava sendo oferecido ali. O lema da campanha é “um dia em um ano”. Ou seja, todos os exames que levariam um ano para serem feitos no sistema público, ou até mesmo no suplementar, puderam ser realizados em um dia.

A Anad mostrou que é possível fazer uma espécie de “Poupa Tempo do Diabetes”, ou seja, oferecer uma estrutura que permita o diagnóstico de casos da doença, assim como das patologias associadas ao diabetes, em um só dia de atividades. “Isso mostra como é possível estruturar um atendimento que vai reverter em benefício, tanto para o setor público, como para o privado. Afinal, custa muito menos prevenir, do que tratar as complicações”, considerou o presidente da Anad.

Nos casos de primeiro diagnóstico, como o seu Adolfo, os profissionais orientavam a procurar as Unidades Básicas de Saúde para dar continuidade ao tratamento. Segundo o presidente da Anad, cerca de 50% das pessoas que têm diabetes, não sabe que têm. “O tempo entre o início da doença e a descoberta é de cinco a sete anos, tempo suficiente para as complicações se instalarem.”

O problema é que ali são diagnosticados diversos casos, cerca de 300 diagnósticos positivos. O que fazer com essas pessoas? Para as poucas que têm plano de saúde, solicitar que elas procurem um especialista. Para as muitas que não têm, orientá-las a procurar o posto de saúde mais próximo de sua casa. Mas será que a rede pública está preparada para esta demanda?

*Matéria originalmente publicada na Revista da APM, edição 585, de janeiro de 2008. Vou publicar uma retranca por dia.

7 ideias sobre “Diabetes: prevenção e informação – Parte 1*

  1. Edson

    Gostaria de conhecer o aparelho que mede o nivel de glicose sem ser preciso furar o dedo, se alguem souber da existencia desse aparelho e souber onde posso comprar ajude-me a diminuir o sofrimento de minha filha.

    OBRIGADO.

    Resposta
  2. vitor

    Edson, existem vários aparelhos que medem a glicose, nos quais vem uma caneta lancetadora onde regula-se a penetração da agulha, tornando assim praticamente indolor o teste de glicemia. Minha filha usa o aparelho da accu-check active da Roche.Também não conheço outro método para medir a glicose sem furar o dedo.
    Vamos seguir na luta, fé em deus.
    Um abraço.

    Resposta
  3. Jucilane

    Ola,

    eu também gostaria de saber sobre o aparelho de medir Glicose sem furar o dedo, se vocês souberem por favor me fale também.
    Esse aparelho accu chek performace a minha filha também usa.
    A luta continua !

    Obrigada !

    Resposta
  4. Adilson

    OLá.

    Minha filha também tem diabétes Mellitus tipo 1 e sei como é desconfortável furar os dedos várias vezes ao dia para fazer o teste glicêmico. Outro dia assistindo o programa do Dr Rey, pela TV, ele disse que nos EUA já existe, há muito tempo, esse aparelho, que mede a glicemia sem a necessidade de furar os dedos. Tentei pesquisar na net e ainda não consegui ver o aparelho, mas jamais desistirei. Isso seria um grande avanço e mais conforto para os nossos entes queridos. Pena que não divulgam. Caso consiga alguma informação positiva, estarei informando.

    Resposta
  5. André Luiz Monteiro

    Por favor,quem souber desse aparelho que mede glicemia sem furar os dedos, informe para que muitas pessoas possam se beneficiar sem sofrer as dores do dia a dia. Não sofre apenas os pacientes, mas sim todas as pessoas da família. Informar também é uma forma de praticar a caridade,pois assim você estará amenizando o sofrimento de alguém e dando-lhe incentivo a melhorar sua vida.
    Abraços e muita paz e luz.

    Resposta

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