Antonise tem diabetes e é mulher guerreira, preside a Associação dos Diabéticos do São Francisco, em Petrolina


Querida Luoncken [Luciana Oncken],

Recebo noticias do Portal Diabetes e vi sua foto sorridente e quis ler a matéria. Achei sensacional a sua iniciativa. Precisamos aproveitar esta ferramenta para nos conhecer mais e melhor, bem como ter a oportunidade de partilhar sentimentos, conflitos e alegrias ao conviver com a diabetes. Em dois meses estarei com 40 anos, e como mulher sertaneja, tenho aprendido muito a conviver com a minha diabetes nesses treze anos. Insulino-dependente, valorizo a participação em grupos, por isso atualmente sou presidente da ADISF – Associação dos Diabéticos do São Francisco, aqui em Petrolina. Em todos esses anos, vejo que a minha história de vida é semelhante a de outras mulheres guerreiras que lutam pela felicidade e não deixam o desânimo e a glicose atrapalharem. Tem sido assim comigo. Hoje me sinto uma mulher bastante feliz, realizada profissionalmente, sou professora universitária, gosto de compartilhar minhas experiências e acredito no amor. Às vezes, quando algo vem tentar atrapalhar, reajo e ressurjo mais forte. E a minha vida tem sido de grandes vitórias. Quando faço as minhas caminhadas ou deixo de comer algo como, por exemplo, farinha de mandioca, não fico mais triste ou culpada. Estou aprendendo a fazer escolhas, a cuidar mais de mim.
É muito bom se sentir mais confiante. Por isso, gostei demais do que você escreve e compartilha. Espero ter a sua amizade. Também participo da comunidade “Sou diabética, massou feliz”. Inclusive, vou colocar mais comentários.
Um abraço carinhoso,
Antonise ( meu nome mesmo)
**

Antonise,

Que alegria receber mensagens como a sua. É esse o objetivo do meu trabalho, por meio da identificação encontrar o apoio que precisamos para continuar feliz e seguir em frente. O seu depoimento mostra como é possível levar a vida de uma forma mais leve, sem ficar pensando que o diabetes atrapalha a sua felicidade. A forma como você lida com o distúrbio é uma mostra de como você lida com a vida. Obstáculos, encontramos todos os dias. Um encontram uma pedra no meio do caminho e param, sentam, e ali ficam, pensando que não podem ir adiante, porque aquela pedra não permite. Outros, encontram a pedra e a escalam. Passam por cima, quase caem, voltam a tentar passar. Escorregam, mas continuam em frente, tentando. Até que conseguem.

A vida é assim. Podemos parar na primeira pedra que encontramos, na segunda, ou na terceira. Mas e se fizermos isso, onde chegaremos? Umas pedras são mais fácil de passar. Principalmente quando nos damos rapidamente conta da sua presença.

Fico pensando que o diabetes, para algumas pessoas, é como aquele pedregilho. Pedras pequenas, mas chatas. Pedregulhos podem entrar no sapato e ficar a nos importunar, machucando devagarinho, sem que se quer percabamos o que é. E vamos deixando pra lá. O que começou pequeno e silencioso, discreto, se não estivermos atentos, vai nos corroendo aos poucos, até que começam as complicações. E o pedregulho se transforma numa pedra quase intrasponível.

Outros já vêem o diabetes, logo de cara, como uma pedra grande. Rapidamente se dão conta do tamanho do problema. E planejam formas de escalar aquela pedra, um pouco por dia, com todos os cuidados necessários para não se machucar. Às vezes, mesmo tomando diversas precauções, se machucam um pouco. Param, analisam as dificuldades, tomam outras precauções e seguem em frente.

Mas há também os que ao se depararem com esta pedra, a consideram tão gigantescas que nem tentam ultrapassá-la. Ficam no pé, esperando por uma milagre que as levem até o outro lado para que continuem o caminho.

Têm os que vivem um pouco por dia. Essam pessoas encontram várias pedras de tamanho médio espalhadas pelo caminho. Para elas, essas pedras têm um tamanho tranqüilo, e elas conseguem ir saltando uma de cada vez, tomando cuidado para não pisar direto na próxima e cair. Às vezes, caem. Levantam, sacondem a poeira e continuam. Saltando uma pedra por vez. Os que ao se depararem com um caminho cheio de pedras e tentam pular todas de uma só vez, apressados para terminar logo com aquilo, correm o  risco de uma queda feia.

Isso nos faz pensar como temos levado a nossa vida e como temos encarado o diabetes. Como um pedregulho, ao qual não damos importância, até que ele nos machuca? Como uma grande pedra que escalamos com cuidado, sujeitos aos riscos normais na nossa vida? Ou vamos encarando como aquelas pedras perfeitamente transponíveis, que saltamos, uma por vez?

Boa semana!

3 ideias sobre “Antonise tem diabetes e é mulher guerreira, preside a Associação dos Diabéticos do São Francisco, em Petrolina

  1. AnnaThais

    Gostaria muito de entrar em contato com vc, sou diabetica a 5 anos e gostaria de algumas informações sobre a bomba de insulina. ObG. =*

    Resposta

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