Arquivo mensal: março 2009

Confusão com a insulina

Nossa! Fiz a maior trapalhada na noite passada. Tomo 6 unidades de insulina pela manhã e 3 unidades todas as noites. Ontem, estava morrendo de sono. E não é que apliquei 6 unidades antes de dormir. Quando percebi, entrei em desesepero, porque com as 3 unidades a minha glicemia chega a 83, 86 pela manhã, o que já é ótimo. Com o dobro da dosagem, fiquei com medo de ter uma hipoglicemia noturna. Liguei para a minha endocrinologista e o celular caiu na caixa postal, já era mais de 23h. Liguei para o meu irmão, porque o pai da noiva dele é endocrinologista, professor da Santa Casa. Ele estava dormindo, mas a minha cunhada o acordou. Ele disse que era para eu fazer um lanche, com carboidrato antes de dormir e, se possível, medir de madrugada. Liguei também para a minha ginecologista e obstetra. que falou a mesma coisa sobre o lanche. Disse que a insulina começaria a fazer efeito lá pelas 4h da madrugada e, para eu ficar mais sossegada, poderia deixar o despertador para este horário para medir a glicemia e ir controlando.

Eu havia deixado recado para a endocrinologista, que me retornou lá pela 1h30 da madruga, super preocupada. As orintações foram as mesmas. Comer um lanche antes de dormir, acordar as 4h e comer outro lanche; e ir monitorando. E foi o que fiz.

Deu certo. Passei a noite assaltando a geladeira. Às 4h, minha glicemia estava 95. Comi: meio pão com manteiga, leite com  achocolatado diet. Acordei novamente às 7h15 e a glicemia estava 89. Às 8h40 estava ainda 89. Às 9h30 tomei meu café da manhã e está tudo bem. Ufa! Que trapalhada!

Diabetes e gravidez: O segredo

Capítulo 3: O segredo

No início, a gravidez foi um segredinho gostoso entre meu marido, eu e o bebê. Claro, as minhas médicas também sabiam. Quando fiquei sabendo, estava na casa da minha mãe, mas só queria contar para ela depois do primeiro ultrassom e depois de contar para o meu marido. E queria contar pessoalmente para ele.

Estava com uma baita dor de garganta. Acho que foi efeito da viagem e do choque térmico. Fui ao pronto-atendimento com a minha mãe, mas consegui convencê-la a não entrar comigo. Disse para ela ficar tranquila, lendo. E ela aceitou a minha proposta. Ainda bem, porque teria de falar para o médico sobre a gravidez, para que ele receitasse o medicamento adequado.

Ainda bem que não era nada demais e eu não precisei tomar nenhum remédio mais forte. Depois, quis dar uma passadinha no shopping. Queria comprar alguma coisa de bebê para dar de presente para o meu marido. E lá foi a minha mãe querida junto comigo. Ficava me sentindo meio culpada de não contar para ela. Comprei um body branco com a frase: “I love dad”. Era perfeito. Bem pequenininho. Muito fofo.

Chegando em casa, dei o pacote para ele. Ele estranhou um presente assim, fora de época. Quando abriu, ficou encantado. E curtimos aquele momento nosso, tão nosso. Lindo!

*hoje, não falei nada sobre o diabetes, mas sobre o momento mágico da descoberta da gravidez, que é igual para qualquer mulher, diabética ou não.

Diabetes e Gravidez: primeiras providências

Capítulo 2: Primeiras providências

Minha primeira reação, ao confirmar a gravidez, não foi contar para a minha mãe ou para o meu marido, mas, sim, contar para as minhas médicas: Dra. Fernanda, ginecologista e obstetra, e Dra. Cíntia, endocrinologista. Estava muito feliz, mas, ao mesmo tempo, apreensiva. Na desconfiança da gravidez, antes mesmo de voltar a São Paulo, havia suspendido o remédio que tomo diariamente. Minha glicemia andava bem descontrolada para os meus padrões. E isso me assustava um bocado.

Liguei para a Dra. Cíntia. Ela estava prestes a viajar de férias. A minha sorte foi que consegui pegá-la antes. E, na manhã do dia seguinte, ela me atendeu em seu apartamento. Passou as informações sobre a insulina, deixou-me um telefone para falar com uma colega dela, que estaria à disposição na sua ausência, de uma semana. Ela mesma ficou apreensiva por não poder me acompanhar justo na semana de estreia da insulina.

Não tinha como. Fiquei, sim, um pouco assustada. Tive, também, dúvidas em relação à alimentação. Coisa que eu nunca tinha sentido antes. Sempre fui bastante equilibrada e sempre soube o que comer. Mas, de repente, parecia que eu havia esquecido tudo. A Dra. Cíntia indicou-me uma nutricionista, a Alessandra. Era uma sexta-feira, marquei para segunda.

Decidi começar a insulina no domingo. No sábado, levantei cedo para ir à Anad – Associação Nacional de Assistência ao Diabético. Queria comprar todos os apetrechos necessários lá, porque sabia que eles teriam alguém que me explicasse como usar.

A Dra. Cíntia receitou-me dois tipos de insulina. Uma, de ação prolongada, chamada Humulin; e outra, de ação mais curta: Humalog. A  Humulin, eu tomaria duas vezes por dia. De manhã, ao acordar, seis unidades; à noite, antes de deitar, quatro unidades. A Humalog seria apenas para quando o exame de destro (ponta de dedo) registrasse taxa acima de 110. Conforme a glicemia, eu deveria tomar um número diferente de unidades. Ela estabeleceu minhas metas, bastante rígidas para o controle glicêmico.

Não fazia nem ideia de como aplicar, por isso comprei todo o necessário: a caneta, as agulhas e as insulinas na Anad. E pedi ajuda. Queria saber exatamente como fazer. A enfermeira da Anad levou-me a uma sala reservada, onde me explicou o passo-a-passo: poderia aplicar na barriga (na linha do umbigo, com três dedos de afastamento de cada lado), formando uma dobra com os dedos, e nas laterais externas das coxas ou dos braços.

Ela também me explicou que as insulinas só poderiam ficar 30 dias na caneta. Se até lá eu não usasse tudo, adeus insulina. No caso da Humalog, não iria usar mesmo. É necessário trocar mensalmente o refil, mesmo que esteja cheio. É o que eu tenho feito. Saí de lá até segura. Parecia simples.

Gravidez e diabetes: na expectativa

Hoje, inauguro uma nova fase deste blog. Serei mãe. E, aqui, quero compartilhar esta experiência maravilhosa. Quero compartilhar com vocês como é ter diabetes e ficar grávida: a preparação, os cuidados, a alimentação, as dúvidas e os medos. 

Capítulo 1 – Na Expectativa

A vontade de ser mãe sempre esteve latente, mas em razão da vida profissional, das viagens anuais de férias, e de inúmeras outras desculpas, fomos deixando passar o tempo. Em 2008, pouco antes de completar 34 anos, decidimos que já era hora. Meu marido já tinha 37 anos. E, finalmente, abrimos a fábrica em junho. Antes mesmo, em maio, já comecei a tomar ácido fólico. Fizemos uma bela viagem pela Inglaterra e pela Itália, que poderia ser a última antes da gravidez. E foi.

O tempo foi passando. Em dezembro, prestes a viajar para Nova York para passar o Revéillon, fui a minha consulta de rotina. Tenho diabetes MODY, que é genético, desde os 29 anos, e controlo com medicamento. Na consulta, a minha endrocrinologista, dra. Cíntia, aconselhou-me a começar com a insulina, para acertar a dose e chegar tranquila à gravidez. E me perguntou se eu já queria iniciar o tratamento. Era 19 de dezembro. Eu respondi que preferia deixar passar as festas, voltar de viagem, para, então, começar com a insulina. Confesso que sempre tive um pouco de medo dela, da tal da insulina. E talvez tenha adiado um pouco os planos de engravidar justamente por causa dela. Mas era chegada a hora. Voltando para casa, disse ao meu marido que deveríamos aguardar mais um pouco e que, no próximo ano, depois de iniciar e acertar o tratamento, tentaríamos novamente. Desencanei total. Pois não é que dois dias depois eu estaria grávida! É claro que não imaginava. Passei as festas em família sem nem desconfiar que a minha vida já começava a mudar para sempre. Fui viajar, tranquilamente.

 No dia 31 de dezembro, ao chegar aos Estados Unidos, senti um pouco de cólica. Estava crente que logo, logo, a menstruação viria. Eu sou um reloginho, tenho um ciclo curto, de 24 dias, e ele não falha. Pois falhou. Passou dia primeiro, dois, três e nada. Pensei que era por causa da viagem, da diferença de temperatura, pelo estresse de ter perdido a conexão em Washington para Nova York, no último dia do ano, sem perspectiva de conseguir outro vôo para o mesmo dia, de termos alugado um carro e ter ido pela estrada, na neve, com uma moça que acabávamos de conhecer no Aeroporto. E também tinha a temperatura. Saí de 30 graus para uma sensação térmica de 24 abaixo de zero. Sei lá, fiquei achando que era influência de todas essas coisas, ou alguma delas.

Estávamos com um grupo de amigos. Para aguentar o friozão, bebíamos todos os dias. E, bem eu, que não sou de beber, bebi até conhaque depois do almoço do primeiro dia do ano. O frio estava de lascar. Bebi vinho: branco, tinto e rosé. Bebi cerveja. Mais para o fim da viagem, quando comecei a desconfiar mais, parei com a bebedeira. Afinal, voltei dia 7 de janeiro e nada.

No dia seguinte, fui até o laboratório. Tinha um pedido bem antigo de exame de sangue. Fiz, logo de manhã, e fui para a casa da minha mãe. A todo momento, consultava a internet. Nada de sair o resultado. Até que resolvi comprar um de farmácia. Fui ao banheiro e foi só pingar um pouquinho de urina. Um segundo, e lá estavam as duas linhas vermelhas, bem fortes. Não havia dúvidas: eu estava grávida! 

Contar ou não que é diabético?

A Tânia deixou um comentário, na semana passada. Ela contava que havia descoberto a doença muito recentemente e que havia sido convidada para um rodízio de pizza com os amigos. Tinha dúvida sobre como se comportar e sobre o que comer.

Claro que não sou nutricionista, mas uma dica aqui é certa: coma o mínimo de pizza possível, no máximo dois pedaços, e se tiver massa fina (normalmente os rodízios têm). Para compensar, e não ficar com vontade de comer um monte de pizza, coma muita, mas muita salada antes. A salada dá uma sensação de saciedade e você sentirá menos fome.

Fiquei feliz com a resposta de Tânia. Ela disse que foi o que fez e que parecia um coelho. A sua última dúvida era se devia contar às pessoas sobre o diabetes. E eu respondi:

Olha, Tânia, eu falo para todo mundo, mesmo antes de ter o blog, já falava. Depende de você. Caso se sinta à vontade com o distúrbio, fale. Mesmo porque, até desperta nas pessoas aquela preocupação de fazer um exame para conferir a saúde. Mas, prepare-se para várias perguntas. E as mais diversas reações, principalmente, as de pena, que irritam um pouco. Se gosta de privacidade, não fale. Por outro lado, quando você fala, as pessoas passam a respeitar as suas escolhas à mesa, sem achar que é frescura sua.

E quanto a vocês, leitores? Vocês contam ou não que são diabéticos? Qual é a reação das pessoas?