Arquivo mensal: fevereiro 2010

Novidades no tratamento do diabetes tipo 2

Novo Nordisk

Em primeiro plano, o CEO da Novo Nordisk, Lars Rebien Sørensen. Eu estou ao fundo, de camisa estampada de vermelho. A foto é de Flavita Valsani.

Fui convidada a participar de um encontro entre pacientes e o CEO da farmacêutica Novo Nordisk, Lars Rebien Sørensen, no dia 23 de fevereiro. O encontro foi parte do projeto de revisão do Novo Nordisk Way of Management, ou Modelo de Gestão da Novo Nordisk, que inclui ainda visitas a outras afiliadas pelo mundo.

Eu e outros nove portadores de diabetes engajados na luta pela melhoria da qualidade de vida do diabético falamos sobre como vivemos com o diabetes, nossos maiores desafios, e o que esperamos para ter uma vida melhor. É claro que a questão de encontrar a cura do diabetes também pautou a nossa conversa. Afinal, essa talvez seja a maior expectativa de todo diabético.

Percebi, ali, observando as colocações de cada um, que também há necessidade de se curar, antes de mais nada, a sociedade em relação ao diabetes. E essa cura passa pelo esclarecimento à população, por meio de programas de Educação, por exemplo; passa por investimento público em saúde e em programas bem estruturados de atendimento ao diabético em todo o país; passa por derrubar o preconceito em relação ao distúrbio, que aumentam o ônus do portador de diabetes, que acaba pagando mais por um plano de saúde, que tem seus prêmios de seguro de vida reduzidos em função da doença, que tem, muitas vezes, dificuldade de conseguir um emprego, que sofre nas escola por desconhecimento dos colegas. A cura passa, ainda, por nós. Quantos de nós precisamos curar o nosso olhar em relação ao diabetes para recomeçar a viver?

Durante o encontro, falou-se também da expectativa em relação ao tratamento. Uma das participantes disse que gostaria de uma insulina de ação ainda mais rápida do que a insulina de ação rápida. Pode parecer estranho, mas não é. Ela comentou que mesmo tomando a insulina de ação rápida, ela tem picos. Outros participantes concordaram. O CEO da Novo Nordisk disse que é isso que eles buscam. O que eles querem, para o futuro próximo, é “imitar”, cada vez mais, por meio de medicamentos a resposta de uma pessoa comum. Seria uma espécie de patche que faria o papel de uma bomba de insulina.

Mas a novidade mais próxima de ser lançada no mercado nacional é o Victoza®. A empresa recebeu em janeiro a autorização do FDA (autoridade sanitária dos EUA) e do Ministério da Saúde do Japão para comercializar o produto nesses países. Na Europa, o produto foi aprovado pela EMEA em julho e já é comercializado na Dinamarca, Alemanha e Reino Unida. Victoza® é o nome fantasia da liraglutida, o primeiro análogo de GLP-1 de dose diária única desenvolvido para o tratamento de diabetes tipo 2. Trata-se de uma molécula que age no pâncreas, estimulando a liberação de insulina na presença de glicose.

Os diabéticos tipo 2 presentes ao encontro ficaram esperançosos com a nova droga. Vamos esperar para ver.

O encontro foi realizado com o intuito de revisar o Novo Nordisk Way of Management, um documento que reúne a visão da Novo Nordisk, seu estatuto e suas políticas, a respeito de assuntos como bioética, ética nos negócios, comunicação, meio ambiente, finanças, saúde global, pessoas, qualidade, entre outros, criado em 2000, levando-se em conta as consultas feitas junto aos públicos de interesse da empresa: comunidade médica, funcionários e, nós, pacientes.

Considero a iniciativa bastante positiva e sou bastante simpática a atuação da empresa por desenvolver programas de apoio ao diabético, como o Programa Novo Dia (já falei sobre ele aqui no blog). Claro que toda empresa tem seus interesses comerciais, mas a a Novo Nordisk parece querer ir além, ouvindo o paciente, como nesse encontro, apoiando programas de Educação de associações de diabéticos, como a Anad e a ADJ, promovendo o Prêmio Imprensa para matérias sobre diabetes, ação que incentiva pautas sobre o assunto.

Diabetes, gravidez, filho, trabalho…

Estou devendo um post já faz um bom tempo, mas tenho acompanhado e lido e respondido todos os comentários, que fazem este blog se movimentar.

Passei por alguns momentos de apreensão. Minha licença-maternidade de 120 dias terminou dia 17 de dezembro. Fiz uma campanha junto ao RH e ao presidente da instituição que eu trabalhava para adotar os 180 dias, já que eles são uma entidade médica e achava que eles deveriam dar o exemplo, ainda mais por se tratar de um movimento encabeçado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). O que eu consegui foram dois períodos de 15 dias para aleitamento. Um, antes das férias. Outro, depois. Assim, fiquei com cinco meses, mais as férias em janeiro, consegui completar os seis de aleitamento.

Estava, desde o final de janeiro, apreensiva com o retorno. Várias coisas me afligiam. Claro, deixar o Lucas era a principal, mas tinha a consciência de que, com o tempo, me acostumaria, ainda mais porque eu tinha um horário flexível e amo o que faço. Estava apreensiva por tudo o que passei desde o terceiro mês de gravidez, no trabalho, mas que não quis postar aqui. Estava com receio de que tudo se repetisse na minha volta. Prefiro não entrar em detalhes. O fato é que eu fui dispensada no meu retorno.

Estou em casa, com o Lucas, curtindo meu filhote, investindo em projetos pessoais e profissionais. E este blog é com certeza um dos meus projetos de vida. Espero poder me dedicar cada vez mais a ele e a outros projetos bacanas que venham a surgir. Que venham! Estou com garra!