Arquivo mensal: maio 2011

Viver com Diabetes: homenagem a minha mãe querida

Hoje, minha mãe faz aniversário. Tenho um orgulho imenso dela. Foi ela a responsável por me fazer ver como é possível uma vida saudável com diabetes. Ela é uma pessoa super cuidadosa com o corpo e com a saúde, super controlada e leva a vida numa boa.

O único problema foi o diagnóstico tardio. É bem possível que ela tenha passado por três gestações (sendo uma gemelar) sem ao menos saber que era diabética. Na época, não se pedia esse tipo de exame no pré-natal. Um dos meus irmãos nasceu com 4.250 gramas. Minha irmã mais nova, com 4.650 gramas! Parto normal! E a minha mãe já tinha mais de 40, heim! Os gêmeos nasceram prematuros de seis meses e meio. Somente meu irmão sobreviveu. Minha irmãozinha morreu depois de uma semana na UTI.

Ela descobriu o diabetes aos quarenta e poucos anos. Alguns anos após o nascimento da minha irmã e depois de ter perdido 14 quilos. Foi diagnosticada por uma dermatologista, por causa de uma ferida no pé que não cicatrizava.

Devido ao tempo que ficou sem diagnóstico, tem retinopatia diabética, mas faz o tratamento e está super bem. Sua glicada, desde que descobriu a doença, não passa de 6.0! Isso já faz mais de 20 anos! Não é de se admirar? Ela controla com dieta, atividade física (faz tudo a pé) e medicamento (um só: glimepirida 2 mg uma vez ao dia).

Ela é a prova que, com os cuidados necessários, é possível viver bem com o diabetes.

Mãe, eu te amo!

Espaço para discutir o diabetes

É minha gente, criei este espaço para discutir e compartilhar experiências relacionadas ao diabetes. Às vezes, somos forçados a desviar um pouquinho o caminho para defender uma causa. E isso sempre gera polêmica. Como diz a terceira lei de Newton: “Toda ação provoca uma reação de igual intensidade, na mesma direção, e em sentido contrário”. É isso mesmo!

*** e voltemos ao diabetes e ao viver.

Último episódio da série sobre Diabetes no Fantástico

Não sei se vocês vão concordar comigo, mas achei um pouco confusa a edição do último programa da série sobre diabetes do Dr. Drauzio Varella. A sensação que tive foi de que tiveram de encurtar a série, que já havia sido gravada há mais de um ano. Talvez porque a agenda da mídia esteja lotada diante dos recentes acontecimentos mundiais. Isso é comum no jornalismo. Diante da concorrência com temas como a morte de Bin Laden, o casamento real, o encontro dos destroços do avião da Air France, a beatificação do papa, até que nos saímos bem.

Mas acho que o tema merecia mais alguns episódios para esclarecer melhor a população. Por outro lado, tem aquele efeito positivo de colocar o assunto na ordem do dia. Isso vindo de um Fantástico, de um porta-voz como o Dr. Drauzio Varella tem um grande impacto. Faz com que as pessoas vão em busca de mais informação. Faz com que outros veículos de comunicação abordem o tema.

Voltando ao episódio de ontem, achei meio misturado. O diabetes infantil merecia um dia só dele. Poderia mostrar mais da vida da Maria Vittoria, nossa querida Vivi, de forma que as pessoas vissem como é possível viver bem e ser feliz com o diabetes. Podia trazer outros personagens. Mostrar como as mães, como a Nicole, são essenciais nesse processo, que tem também de envolver a escola e a família. Mas a emissora optou por misturar os temas, tipo 1, tipo 2, adulto, infantil… o que gerou uma certa confusão. Mas a mensagem principal está lá, dita pela Vivi: “a criança diabética pode ter uma vida normal”. E eu completo: “os adultos também. Vivi!”

E você? O que achou?

Ser feliz!

Quando crianças, podíamos ser o que quiséssemos. Um personagem diferente a cada dia. Um dia eu sou bombeiro; no outro apresentador de televisão. Um dia eu sou carteiro; no outro, médico. E de todas as formas éramos felizes, porque um dia nunca era igual ao outro. Como jornalista e mãe, meus dias nunca são iguais. Sinto-me feliz!

– Ah! E o diabetes? – você pode estar se perguntando.

Ele faz parte de quem eu sou, mas não toma conta de mim. Eu é que toma conta dele para ele não me dominar.

Um dia feliz para todos vocês!

Exemplo de adversidade transformada em oportunidade

Deu ontem no G1 aquele tipo de notícia que nos emociona e nos faz refletir sobre nossas condições. Um menino chamado Aidan, de apenas cinco anos, paga o seu tratamento de leucemia com a venda on line de seus desenhos. Foram mais de 3 mil desenhos vendidos pela sua tia. Ela pretendia vender 60 desenhos, mas o sucesso foi tão grande que arrecadou o total de 30 mil dólores, suficiente para pagar a conta do hospital e livrar a família de ter de vender a casa para esse fim.

“Eu gosto de desenhar cavaleiros, bobos da corte, palhaços assustadores e alienígenas”, disse Aidan ao Survivors Club, uma organização que ajuda pessoas que enfrentam adversidade. “Eu também gosto de me vestir de palhaços bons e palhaços malvados. Eu posso ser um lobo ou um zumbi…”

Fico pensando que a doença teve um lado positivo para o pequeno Aidan. O hobby o ajudou a superar aquele momento tão difícil, a passar o tempo, a exorcizar um fantasma. Mais do que isso, talvez ele não tivesse outra oportunidade de descobrir sua verdadeira vocação, seu dom para o desenho, não fosse essa adversidade. Hoje, seus desenhos estão espalhados pelo mundo e, como num conto de fadas com final feliz, o menino está curado.

O que isso tem a ver com esse blog que fala sobre diabetes? Tudo.

Quando criei este blog foi exatamente com a intenção de transformar uma adversidade em uma oportunidade. Uma oportunidade de compartilhar  a minha experiência, de fazer alguma coisa, mesmo que pequena, em prol do diabetes. Ter diabetes me deu a oportunidade de me conhecer melhor, de prestar mais atenção na minha saúde, de estar em contato com um monte de gente, dos mais diversos lugares, me deu a oportunidade de inspirar pessoas e ser inspirada por outras histórias. Ter diabetes me deu voz, me fez sair do anonimato, trouxe até oportunidades de trabalho.

Há, sim, uma luz. Mas ela não está no fim do túnel, está aqui dentro de nós, como uma lanterninha, esperando para ser acesa. E podemos com o tempo ir aumentando a intensidade dessa luz.

Confira a notícia completa:

Menino de 5 anos paga tratamento de câncer vendendo desenhos online

Pensando…

Acordei pensando naquela personagem do Dr. Drauzio Varella. Pensei quantas pessoas como ela estão andando por aí. Muitas sem nem saber que têm diabetes. No caso da Aline, ela ficou sabendo, mas me parecia tão perdida, tão sem rumo. Vejo muita gente assim. Muitas dessas pessoas passam aqui pelo blog. Deixam comentário uma vez. Desabafam. Não mais de manifestam mais. Ou quando reaparecem dá para perceber que estão sofrendo de depressão. Sem ânimo para se cuidar, para saber mais sobre a doença, para se conhecer nessa nova condição… Muitas não tem nem internet para se informar e procurar apoio em blogs e redes sociais.

São pessoas que se sentem solitárias na sua dor, sem alguém que as entenda para compartilhar o que sentem. Com medo do preconceito em relação à doença, sem saber como será o futuro. Não têm noção de como devem se cuidar, o que podem e o que não podem fazer. Não têm acesso a um atendimento digno e de qualidade. Não têm acompanhamento contínuo…

E no sertão a fora? No interior desse país? Como será a vida de crianças em regiões afastadas, sem recursos. Crianças obrigadas a trabalhar na roça desde pequenas… O que acontece com essas crianças que têm diabetes?

Porque a realidade desse nosso País não é a das capitais. Existe todo um mundo diferente desse em que vivemos. Se aqui muita gente já sofre com a desinformação, o que acontece em lugares distantes dos grandes centros?

O papel da mídia, da imprensa, de cada um de nós é colocar esse assunto na roda de discussão. Vamos lá, gente!

Terceiro episódio da série – Diabetes no Fantástico pelo Dr. Drauzio Varella

A minha opinião está há uns dois posts abaixo. E você? O que achou?