Pensando…


Acordei pensando naquela personagem do Dr. Drauzio Varella. Pensei quantas pessoas como ela estão andando por aí. Muitas sem nem saber que têm diabetes. No caso da Aline, ela ficou sabendo, mas me parecia tão perdida, tão sem rumo. Vejo muita gente assim. Muitas dessas pessoas passam aqui pelo blog. Deixam comentário uma vez. Desabafam. Não mais de manifestam mais. Ou quando reaparecem dá para perceber que estão sofrendo de depressão. Sem ânimo para se cuidar, para saber mais sobre a doença, para se conhecer nessa nova condição… Muitas não tem nem internet para se informar e procurar apoio em blogs e redes sociais.

São pessoas que se sentem solitárias na sua dor, sem alguém que as entenda para compartilhar o que sentem. Com medo do preconceito em relação à doença, sem saber como será o futuro. Não têm noção de como devem se cuidar, o que podem e o que não podem fazer. Não têm acesso a um atendimento digno e de qualidade. Não têm acompanhamento contínuo…

E no sertão a fora? No interior desse país? Como será a vida de crianças em regiões afastadas, sem recursos. Crianças obrigadas a trabalhar na roça desde pequenas… O que acontece com essas crianças que têm diabetes?

Porque a realidade desse nosso País não é a das capitais. Existe todo um mundo diferente desse em que vivemos. Se aqui muita gente já sofre com a desinformação, o que acontece em lugares distantes dos grandes centros?

O papel da mídia, da imprensa, de cada um de nós é colocar esse assunto na roda de discussão. Vamos lá, gente!

12 ideias sobre “Pensando…

  1. Briza Mulatinho

    Lu, só pra citar um exemplo: uma vez fui em um centro de referência aqui em Recife pra ver se conseguia os insumos e tirinhas através do Governo. Chegando lá, tinha um monte de gente pra ser consultada pela endocrino (que até foi bem gentil) e dessas pessoas, a maioria, só media a glicemia nessa única vez por mês. Tinha uma senhora, dizendo: “eita, tá 300” e se não fosse isso, ela nem saberia…
    A mãe de uma funcionária aqui da empresa (que já faleceu e não por conta da diabetes, embora a tal funcionária ache que sim) foi pro hospital com glicemia mais de 500 e ela só “achava que estava alta, porque tava sentindo uma moleza…”
    E isso em uma capital…
    Fico imaginando no interior, acho que as pessoas morrem, sem nem saber o que tem.
    Triste, né?

    Resposta
    1. Luciana Oncken Autor do post

      Sim, Briza… As pessoas morrem sem saber o que tem… Não tenho dúvida disso. É muito triste. É a nossa realidade e tb de muitos outros países. Imagina no Haiti, em muitos países da África e desse mundão!

      Resposta
  2. Priscilla Simões

    Eu também não paro de pensar nela… Nem de pesar no que pode ser feito… Nós, que temos acesso a informação, que sabemos como cuidar e controlar da melhor forma, que somos bem orientados por nossos médicos e buscamos mais informações, o que podemos fazer por essas pessoas? Como podemos ajudar, levar informações importantes? Se realmente podemos fazer isso, ou é arriscado por não sermos médicos… Enfim, pensando em opções…

    Resposta
    1. Luciana Oncken Autor do post

      O nosso papel é exigir dos nossos parlamentares, dos nossos governantes, ações que contemplem a todos. Exigir acesso a uma saúde de qualidade, ações que invistam na educação continuada de médicos, que levem médicos e profissionais de saúde aos locais mais distantes desse país. Acho que é por aí, meninas! Beijos.

      Resposta
  3. Luana Alves

    Pensando no que a Priscilla disse me peguei me perguntando a mesma coisa… Quando me perguntam sobre a doença eu falo o que sei, mas sempre ressalto que tem que falar com o médico, que aquele é o meu tratamento e indico a ADJ que é uma associação super bacana aqui de São Paulo. Eu acredito que a gente que tem informação tem que procurar ajudar da melhor maneira possível, sem querer ser médico, é claro!

    Resposta
  4. Simone

    Luciana, eu também pensei nas muitas Alines, e Marias, e Pedros, e Antônios, que tem por aí. Pessoas que sofrem não só de diabetes, mas de descaso, de solidão na sua doença, de falta de perspectiva, de arrogância de um governo que propagandeia que dá medicação, mas muitos ficam sem.
    E olha que eu só sou mãe de uma menina linda diabética tipo 1.
    Eu nem imagino, ou chego perto das fantasias de doença que ela faz, dos medos que ela sofre, dos olhares ao se aplicar insulina no colégio, do peso do controle diário, das medições, aplicações… Eu tenho meus sentimentos de mãe, mas como diabética eu não posso falar. Por isso sofri ao ver a reportagem de Aline e continuo me angustiando. Me enxergei nela no momento do diagnóstico: perdida, exausta, confusa, sozinha.
    Adorei sua reflexão. Grande abraço.

    Resposta
  5. Fernanda Laranjeira

    Oi pessoal. Quando li o tópico da Lu lá na página inicial, lembrei imediatamente de um menino africano, vi a história na semana passada, no site do IDF (Federação Internacional de Diabetes: http://www.idf.org/). Nesse link aparece um vídeo, contando a história do menino com 14 anos, DM1, que já tem catarata nos 2 olhos e corre sério risco de ficar cego em breve… Todas as reflexões que vocês postaram aqui fazem sentido, mas eu acho que a pior na nossa realidade do Brasil e a falta de informação (e formação) dos médicos. Quantos de vocês já foram a médicos que não sabiam do que estavam falando? Ou sabem de pessoas que passaram pelo mesmo? Além disso, claro tem o fato de o SUS não disponibilizar tudo o que um diabético precisa. Até pouco tempo atrás um paciente tipo 1 só tinha insulina NPH disponível no SUS (peguei essa época). Isso é absolutamente insuficiente para tratar um diabético tipo 1 (foi o que aconteceu com a Aline, só estava tomando NPH). Muita coisa mudou com a lei de 2006, que passou a fornecer outros insumos importantes (NPH, regular, tiras) em todo o Brasil. Claro que ainda faltam as insulinas análogas, as bombas de insulina e os insumos. Mas considerando um sistema de saúde universal como o nosso, já seria o suficiente para salvar milhões de pessoas. Falta mesmo agora é CONHECIMENTO e INFORMAÇÃO. Nossa parte a gente pode fazer, conversando, informando, dando dicas. Participando de blogs como este ou comunidades nas redes sociais que discutem a doença. Dando força aqueles que estão deprimidos e mostrando, com o nosso exmplo, que dá pra viver bem com a diabetes, sem complicações… Não é fácil, mas essa foi a nossa escolha. Vamos espalhar essas boas escolhas. Um beijo.

    Resposta
  6. Fernanda Laranjeira

    Oi Lu!
    Respondi teu email, vc viu? Não liga pra aqueles comentários do post Validação do diploma… Entrei lá, li todos de novo… Não liga, não se estressa, infelizmente isso faz parte de ter um blog assim tão visitado, referência no que diz respeito a blogs de diabetes. Muita gente entra aqui e posta o que quer, né! Você tá de parabéns, levantou o assunto, que não poderia deixar de ser comentado e deu lugar a todos para que se manifestassem. Pronto! Democracia é isso. Mesmo que a gente tenha que aguentar certas coisas de muito mal gosto e outras inacreditáveis… rsrs. Um beijinho

    Resposta

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s