Cura do Diabetes?! Uma causa Perdida?!


Sempre preferi nem pensar em cura. Quando recebi o diagnóstico, me resignei. Sabia que era uma doença sem cura. E resolvi que não ia brigar com ela ou com a minha nova condição. Ia cuidar da minha saúde e fazer o que estivesse ao meu alcance para continuar saudável (e é isso que vou continuar fazendo). Depois de três anos (recebi diagnóstico em 2003, aos 29 anos), criei este blog “Viver com Diabetes”. Uma forma de compartilhar meu modo de viver a vida com diabetes, de mostrar que é possível levar uma vida feliz.

Tenho diabetes Mody, que tem mais características do tipo 2. Não uso insulina. Tomo remédios. Quando fiquei grávida, tive de “enfrentar” a insulina. Falo assim porque sempre tive medo de insulina, sabe? O controle foi mais difícil do que normalmente e me senti mais próxima de quem tem diabetes tipo 1. Mais hipos (que raramente tenho), mais hipers (não costumo ter números muito altos), oito picadas nos dedos por dia para medir a glicemia, mais seis agulhadas diárias na barriga e pernas… No fim, tudo correu bem. Meu filho nasceu super saudável. Saí fortalecida.

Mas durante esse período não pude deixar de pensar que tudo seria mais tranquilo sem o diabetes. Não ter controle sobre como seu corpo vai reagir em determinadas situações não é uma experiência muito bacana. E depois de ter filho, às vezes me pego pensando até quando serei saudável, apesar de todos os cuidados.

Até aí, tudo bem. Obstáculos fazem parte da vida, não? Até que o Marcelo Raymundo, parceiro de blogosfera, me tirou da tal zona de conforto. Há duas semanas, ele surgiu com uma idéia maluca de questionar a cura do diabetes. A princípio, escolheu o caminho da agressividade, porque estava revoltado com a perda de um amigo que, embora sempre tenha tido todos os cuidados com o diabetes, morreu por complicações decorrente da doença. As pessoas não receberam muito bem aquilo. Ele quase desistiu. Eu e a Nicole Lagonegro (do Minha Doce Vittória e o Diabetes) conversamos com ele, via Facebook, que ele não devia desistir. Propus que ele mudasse o tom. Que criasse algo que promovesse um debate, que fizesse as pessoas refletirem e a sociedade nos enxergar.

A partir daí, surgiu um brainstorm. Fomos dando palpites de como devia ser esse movimento. E todos acataram a minha ideia dessa blogagem coletiva. E a Sarah Rubia, do blog “Eu meu Filho e o Diabetes”, sugeriu o dia de hoje, porque é o Dia da Liberdade de Pensamento. Não é legal? E ela sugeriu mais: que fizéssemos uma ação por mês até o dia 14 de novembro, Dia Mundial do Diabetes.

O grande questionamento desse movimento é se a indústria farmacêutica tem causado empecilhos para a descoberta da cura do diabetes. Afinal, o tratamento com insulina surgiu em 1921. De lá para cá, quase 100 anos se passaram. E tudo o que temos é um aperfeiçoamento da insulina (aliás, houve um GRANDE AVANÇO nessa área, não podemos negar isso) e a criação de medicamentos mais modernos. Seremos sempre dependentes da indústria farmacêutica?  A descoberta da cura não traria um rombo aos laboratórios, já que se trata de uma das doenças mais lucrativas para o setor? Não sei, sempre vão haver doenças no mundo e o setor sempre terá com o que lucrar.

Particularmente não sei se os laboratórios são vilões. Prefiro acreditar que não. Tenho uma amiga que trabalha na área de pesquisa de medicamentos em diabetes e sei o quanto o trabalho dela é sério. São remédios mais modernos que imitam ação de alguns hormônios no organismo. Há um investimento pesado nessas pesquisas. E alguns desses remédios, ainda que remédios, melhoram a qualidade de vida de muitos diabéticos.

Para o diabetes tipo 2, acredito que cura definitiva está longe. Até o momento, só surgiu aquela cirurgia que tira parte do intestino e, aí, no futuro, sabe-se lá o que pode acontecer com você. Tem quem diga que só terá diabetes tipo 2 quem quiser, que a mudança de hábitos pode eliminar a doença. Talvez só aí encontremos a cura do tipo 2, quando ela depender de nós. Quanto ao meu tipo, (MODY) que é genético, sei lá se há jeito.

Já o tipo 1 tem pesquisas muito mais promissoras. Recentemente, veio à tona a informação de que a equipe da pesquisadora do Hospital de Massachussets, Denise Faustman, descobriu que a vacina BCG induz o sistema imunológico a produzir o Fator de Necrose de Tumor (TNF), que mata as células T que fazem com que o pâncreas pare de produzir insulina. Para continuar as pesquisas que até hoje foram custeadas por ONG e pelo próprio Hospital, ela esbarra em falta de financiamento. Ela disse que correu nos laboratórios para tentar conseguir a verba que falta para concluir a pesquisa. Segundo os pesquisadores, a resposta foi: “se você está propondo a cura, de onde vamos tirar nosso lucro”. Vale lembrar que ainda não se trata de uma cura definitiva. Faustman explica que a droga produz um efeito transitório, que teria de ser tomada em intervalos repetitivos, talvez a cada quatro ou seis semanas. Mas, segundo a pesquisadora, “seria um indício de que o pancreas pode ser restaurado.”

Na verdade, pouco ainda se se conhece sobre o mecanismo de doenças auto-imunes. E o diabetes tipo 1 se encaixa aí. Doenças auto-imunes menos lucrativas também não têm cura: lupus, esclerose múltipla, só para dar dois exemplos. Trabalho em jornalismo de saúde e sei que uma pesquisa tem muitas etapas, que deve seguir protocolos. Que é feita de erros e acertos. E isso é um processo demorado, delicado. Essa pesquisa citada acima já dura alguns anos.

Não podemos afirmar que a indústria farmacêutica cria empecilhos. Mas também sabemos que ela não tem lá muito interesse econômico na cura. Caberia, então, a pesquisas independentes esse busca, aos governos, a quem? Foi aí que nos lançamos a esse desafio de discutir o assunto de forma mais global, saindo dos nossos bate-papos e conversas particulares cheias de teorias, usando as mídias sociais para chamar atenção da sociedade, da grande mídia, e ouvir outras opiniões. Sabemos que a cura não virá hoje por causa desse movimento (que às vezes chamo de louCURA), mas temos o poder em nossas mãos de abrir o debate sobre o tema, colocar a questão na agenda do dia.  É a chance de termos claro porque a cura ainda não é possível. E fazer com que a indústria também possa se manifestar também sobre isso.

A cura não pode ser vista como uma causa perdida. Nunca. Tenho esperanças que num futuro não tão distante alguém crie o blog “Viver SEM Diabetes” – uma experiência de cura.

PS. Só hoje, pelo movimento, mudei o nome do blog.

10 ideias sobre “Cura do Diabetes?! Uma causa Perdida?!

  1. Nádia Santos

    Sempre pensei a mesma coisa, que a indústria farmacêutica já tem a cura para a diabetes e fica negligenciando a informação. Mas ao mesmo tempo prefiro acreditar que estão procurando a cura de diversas formas e ainda não encontraram.
    Acho muitooo, mas muito interessante mesmo a sociedade ficar por dentro da nossa realidade. Sempre vemos as novelas falando sobre homofobia, preconceitos com deficientes físicos e mentais mas apresentar um personagem que seja diabético e mostrar suas dificuldades, isso eu nunca vi. O que a gente sempre ouve é: Tem diabétes? Xiiii, vai amputar os dedos do pé e depois pegar uma infecção e vai perder a perna porque não vai cicatrizar; não pode comer doce; não pode engravidar; etc etc etc. Porque esses meios de comunicação não mostram a nossa realidade? Pq só sabem mostrar o lado ruim e degenerativo da doença? Se as pessoas vissem que ter diabetes é ter um estilo de vida e que realmente podemos comer de tudo mas controlado e de forma moderada, creio que muitos preconceitos seriam jogados por terra. Só nós que temos esse ESTILO DE VIDA sabemos o que é conviver com a diabetes e as nossas reais necessidades. Tenho 28 anos e sou tipo I (descoberta aos 20 anos) e reponho insulina; isso mesmo, REPONHO porque DEPENDENDE DE INSULINA, isso TODOS SÃO! Minha médica me ensinou isso e hoje convivo muito, mas muito melhor comigo mesma e estou mostrando aos que estão próximos a mim que posso viver feliz e sem medo do futuro.

    Resposta
  2. Vanessa

    Acho que a cura para o diabetes está um pouco distante,mas temos que ser otimistas.Entretanto,acho também que temos de ser ativistas e discutirmos mais sobre isso.Ainda é difícil cuidar do diabetes de maneira satisfatória e desejável,visto que os próprio profissionais de saúde não estão devidamente preparados para tal.Além disso,acredito também que não basta apenas ter conhecimento para que uma mudança efetiva de comportamento ocorra.Muitas barreiras precisam ser transpostas para que possamos dar passos mais largos em direção à cura.Desejo poder usufruir e testemunhar isso.
    A saber: sou enfermeira,mestre em Ciências,sob o tema interações familiares de adolescentes com diabetes tipo 1 e também tenho diabetes tipo 1 há 6 anos.
    À disposição!

    Resposta
  3. Seven Boys

    Luciana,
    Parabéns pela iniciativa do blog.
    São de movimentos como este que precisamos, no intuito de difundir a informação e mostrar a todos que é possível sim, levar uma vida com qualidade, mesmo tendo diabetes.

    No blog paessevenboys.blogspot.com, você encontra dicas para uma boa alimentação e vida saudável. Passa lá para uma visita, estamos aguardando.

    😉

    @Paes_SevenBoys

    Resposta
  4. olovarno

    Caramba, Luciana! É incrível ler suas palavras e ficar imaginando tudo pelo que vocês passam! Tenho um blog onde falo sobre várias doenças, inclusive já falei sobre diabetes por lá, mas na tarefa de falar sobre uma gigantesca lista, nem paramos para refletir a respeito do transtorno que se forma na vida de quem é diabético. Espero que o seu movimento ganhe força e se espalhe bastante pela blogosfera!

    Resposta
  5. marco aurélio costa cesar

    Ppessoal alguem poderia me ajudar,minha mãe reside no interior do ceara,cidade de ubajara,portadorade hepatite c e diabetes esta esperando fazer transplante de figado,eu moro em brasilia,longe nao poço cuidadr da mesma,quem cuida é minha irma,leiga de tudo,minha mae toma insulina todo dia,seis a oito furadas diarias,um sofrimento,nao temos muito dinheiro,imploro desesperadamente,se existir um aparelho para medir glicemia nao invasivo que nao precise furar o dedo,alguel poça me doar,ou vender de forma parcelada,pois nao aguento mais ve minha sofrer,ME AJUDEM -RECADO(61)3394-8579/(61)-81742792.MARCO AURELIO MEU EMAIL.CESARMARCOP@HOTMAIL.COM DEUS É PODEROSO IRA NOS AJUDAR

    Resposta
  6. Lúcia

    Oi Luciana. Parece que a cura demorará um pouquinho né! E os enfrentamentos do dia a dia continuam. Entre eles, atualmente tenho uma dúvida que muitos pais devem estar enfrentando também. Meu filho prestará o ENEM este ano (2011). São várias horas de prova num mesmo dia. Não sabia o que escrever na ficha no dia da inscrição. Só dão benefícios p/quem é deficiente. Falei c/ a secretaria da educação naquele 0800 que ninguém sabe nada e me foi dito que: “Ele não tem necessidades especiais” ou seja, não há nenhum preparo p/atender às pessoas portadoras dessa doença que atinge milhares. Mandaram eu procurar a coordenação no dia da prova, mas nenhuma informação do que levar (lanche/insulina…). Ele não deixará de levar nada. Mas já sinto que no dia, além da pressão pela prova ele vai ter que se preparar também p/ o que não sabemos o que pode acontecer. Mais uma vez, é rezar! Abraços. Lúcia

    Resposta
  7. Felipe

    JA EXISTE A CURA DA DIABETES FAZ TEMPO DESDE 1928 POR MAX GERSON CONHECIDO COMO MILAGRE DE GERSON PROCURE O FILME E FAÇA O TRATAMENTO EM POUCO TEMPO ESTARA CURADA

    Resposta
  8. juliana

    Sou diabética e acredito sim que exista uma cura, mas se ela vir a tona a indústria farmacêutica perderá muito com isso.

    Pense: O que é mais vantajoso: mostrar a cura e ter um mundo com pessoas sem diabetes? ou nunca ter cura e ganhar em cima disso com os remédios, garanto que infelizmente hoje temo muitas pessoas egoístas no mundo que não se importarão nem um pouco com a gente.

    Resposta
  9. José Pacheco

    Realmente quem compra quase que diariamente a preço de ouro descartáveis para o diabete 1, não tem dúvida que essa mina de ouro deve ser cuidada e muito bem pelos seus proprietários pelo mundo todo. Fica difícil imaginar como seria se uma droga simples e barata ameaçar esse monstruoso império. Nesse caso, só acredito que essa pesquisa da Dr. Denise caminha porque está em um País com fortes instituições. Tanto que em nenhum outro lugar está havendo uma replicação desta pesquisa. Diferente do que ocorre com as pesquisas com bolsas com células beta, pâncreas artificial, etc. que custarão os olhos da cara e não são curas.

    Resposta

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s