Arquivo mensal: abril 2012

Compartilhar cura feridas internas

Volta e meia, penso na utilidade deste blog. E o por quê de estar tão atrelada a ele. Já pensei algumas vezes em não mais atualizá-lo. Afinal, hoje, existem inúmeros outros blogs sobre o tema. Mas algo aqui dentro não me deixa desistir deste espaço. Sinto-me confortada aqui. E vejo que muitas pessoas se sentem assim quando me visitam e leem o que eu escrevo. Como eu já disse uma vez: compartilhar cura feridas internas. Não nos sentimos sós. Ficamos conhecendo outras pessoas que têm o mesmo problema. Tento sempre o olhar do otimismo por aqui. Mas nem sempre as coisas são tão simples…

Ontem, no Facebook, a Silvia Onofre, do João Pedro e o Diabetes, postou um link para o blog VidAnormal. Fiquei realmente tocada. É a história da Ana Luiza, uma menina linda, de apenas 7 anos, que enfrentou um câncer infantil do tipo mais agressivo. Após 10 meses de batalha, a pequena, mesmo com todo o seu otimismo e força, não resistiu. A mãe criou o blog para contar a história da filha. Num dado momento, ela parou de atualizar. Depois de quase um ano que seu anjinho foi para o outro lado, ela voltou a postar no blog, para dividir como foram esses últimos momentos. Dói o peito, ler. E nos sentimos tão pequenos diante de tanta grandeza, diante dessa história de luta e otimismo.

Imagino o quanto deve ter doído para a mamãe  relembrar cada acontecimento para escrever. Mas, às vezes, é isso que precisamos fazer. Há o momento de recolha. E há o momento de compartilhar. Compartilhar para alertar, compartilhar para dar sentido a nossa história.  E, mesmo que dolorido, às vezes precisamos relembrar, e relembrar, e relembrar. E contar para os outros, para poder contar com os outros. Como que para expurgar algo. Como que para poder assimilar o que nos aconteceu. Para tentar aceitar. É um exercício e tanto!

Talvez seja o que nos resta para seguir adiante e para nos sentirmos um pouco mais confortados por aqueles que se interessam pela nossa história, por aqueles que se solidarizam. É como se fôssemos recebidos nos braços dessas pessoas.

Os pais da Ana Luiza juntamente com os pais de uma outra menininha chamada Giulia, criaram uma ONG chamada Instituto Alguém. Vale a pena conhecer o trabalho e colaborar.