Educar para não precisar reeducar


A questão da educação alimentar tem sido uma tecla constante na minha vida nas últimas semanas. Sempre foi.  A primeira vez que me dei conta da importância do tema foi quando descobri o diabetes. Vi a importância de ter tido uma boa educação alimentar, que veio de casa, de berço. Minha mãe sempre foi “chata” com alimentação. Agradeço a ela toda a chatice… rs… porque assim não foi preciso virar minha vida de cabeça para baixo para me adequar a um cardápio saudável por conta do diabetes. Isso já fazia parte da minha vida. Minha mãe não deixava comer batata frita, salgadinho, bolacha recheada, bolinhos prontos e guloseimas. E, se ela não deixava, pensava eu, é porque deve ter alguma coisa de errada com essas coisas. Comia feijão todo dia. Hoje, adoro, mas confesso que não gostava muito na infância. Mesmo assim, comia, porque sabia que fazia bem.

Mas a importância do tema ganhou ainda mais espaço na minha vida depois que me tornei mãe. Na época da minha mãe, a educação alimentar dependia quase que exclusivamente dos hábitos da família. Hoje, a realidade é outra. A maior parte da mães trabalha o dia inteiro, e os filhos ficam na creche, na escola. E a escola acabou ganhando uma dimensão maior na nossa vida, na vida de nossos filhos. Ela acaba sendo corresponsável também pela educação alimentar. Mas muitas escolas – talvez a maioria – ainda não se deram conta desse papel. Já enfrentei alguns problemas. O Lucas, por exemplo, passou a gostar de bolacha na escola – não é recheada, mas mesmo assim não é uma coisa que gosto de dar. Alimentos orgânicos? Difícil. São poucas as que oferecem. E por aí vai.

Mudei de escola por outras questões, mas o problema da alimentação continua. E a escola é excelente nos mais diversos aspectos, só ainda não acordou para a importância desse papel. Outro dia, surtei ao receber o cardápio da semana: um dia tinha linguiça; no outro, tinha bife à parmegiana. Como????

Expus o que pensava, mas alegaram que havia a opção de ovo para a linguiça e do bife grelhado para o bife à parmegiana. Ok! Mesmo assim, argumentei que escola não é lugar para este tipo de alimentação, que embutido, por exemplo, nem devia estar no cardápio. O contra-argumento é que os mais velhos pedem e que, pasmem, seus pais se queixam quando não há esse tipo de opção (frituras e embutidos).

Aí a gente vê que o problema é mais complexo. E que existe a necessidade de envolver todos os atores no processo, aí, sim, de reeducação alimentar. Os pais precisam ser sensibilizados. A escola. E as crianças.

Investir na educação alimentar dos pequenos, na escola, pode até ser um fator para reverter o quadro na família. Já ouvi muitas histórias de crianças que sensibilizaram seus pais sobre a importância de comer direitinho. E a criança reeduca os pais. Eu acredito nesse potencial das nossas crianças, nesse potencial transformador. No caso dos maiores, quando os maus hábitos alimentares já foram adquiridos, o trabalho sem dúvida é mais árduo,  mas não impossível.

Educar na alimentação representa um ganho imenso no futuro, representa mais saúde, menos doenças crônicas, mais disposição, redução de custos na saúde. O impacto é gigantesco. E isso é responsabilidade de todos nós.

Pensando nisso, criei uma página no Facebook, chamada “Alimentação Saudável para Crianças”, onde pretendo debater com mais profundidade esse tema. Visitem e curtam:

https://www.facebook.com/AlimentacaoSaudavelParaCriancas

2 ideias sobre “Educar para não precisar reeducar

  1. Larissa

    está certa em se preocupar com a alimentação da sua filha. Como vc disse no título, é melhor ela aprender agora do que ter que se reeducar mais tarde
    Um beijo e bom final de semana

    Resposta

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