Arquivo mensal: julho 2012

Blogueira convidada: Minha filha diabética, como tudo começou…e a volta às aulas!

Meu nome é Nicole, sou mãe da Maria Vittoria, quase 9 anos (19.08.2012), diabética desde os 5. Tenho um blog chamado Minha Filha Diabética, onde compartilho nosso dia a dia com diabetes. E, de vez em quando, vou contar pra vocês algumas coisas sobre nossa experiência e a Lu vai escrever no meu blog sobre a experiência dela!

Depois do diagnóstico, as crianças que estão na escola devem voltar, né. E a gente fica com o coração na mão sem saber o que fazer. A primeira coisa e mais importante de todas é levar informação até a escola, professores, coordenadores e diretores. Infelizmente as escolas não tem obrigação de conhecer todas as ‘doenças’ que seus alunos possivelmente tenham, mas a partir de um diagnóstico novo, não tem porquê continuarem sem saber, certo?. E essa informação vai ser passada através de você, mamãe (e papai, claro)!

No diagnóstico da Vivi, eu ainda morava numa cidade pequena de Minas e todos se sensibilizaram muito. Escola pequena, eu estava perdida, não tinha informação na internet sobre o assunto e eu simplesmente disse pra professora:
-Acima de 250 me liga e abaixo de 70 dá 3 sachês de mel. Estavamos em lua de mel e a única vez que ela teve uma hiper, entre novembro e dezembro daquele ano, ela me ligou, eu larguei meu emprego e fui lá corrigir. Cidade pequena, todos sensibilizados, inclusive meu chefe, por isso consegui.

Continuar lendo

Viver com Diabetes no Facebook: um sucesso!

Estou muito feliz com o sucesso da página do Viver no Facebook. É o tipo de sucesso mais bacana que podemos ter. Trata-se de uma página independente. Lá, não estou vendendo nenhum produto, meu único objetivo é proporcionar apoio às pessoas que ali se reúnem. Informações e educação também, como eu sempre procurei fazer aqui no blog. Mas percebo que o mais importante é a identificação. Viver com Diabetes é o nosso cotidiano e só quem tem pode falar sobre isso, essa é a verdade. Ali, nos reconhecemos! Temos as nossas individualidades, cada um vive da sua forma, mas temos algo em comum: o diabetes e a busca por viver da melhor forma possível.

Estamos lá! Somos quase 1.000! E um bom número participando ativamente, super engajados. É isso aí! Vamos lá, rumo aos mil, 10 mil, quantos forem. O importante é nos unirmos para uma vida melhor! Obrigada a todos! Para quem ainda não curte, vamos lá: http://www.facebook.com/vivercomdiabetes

E votem no Viver para o prêmio Top Blog 2012. É só clicar no banner abaixo, você será redirecionado para a página do Prêmio. Na barra lateral superior, preencha os dados e vote. Se for por email, será necessário validar o voto. Obrigada!

Cirurgia para diabetes tipo 1? Cuidado com as novas notícias

Minha coluna publicada originalmente no blog Educação em Diabetes no dia 06/06/2012*

Volta e meia o diabetes vai parar em capa de revista. Além do caso Victoza, já citado no blog Educação em Diabetes, houve um outro tema que gerou bastante polêmica na capa da revista de maior circulação do país. Lembro até hoje daquela maçã do amor, mordida, sob o título: “Cura do Diabetes. A esperança está numa cirurgia”.

Choveu gente querendo fazer cirurgia. O problema é que a cirurgia era (e ainda é) considerada pelo Conselho Federal de Medicina como experimental, e seria indicada apenas diabetes tipo 2 e para casos específicos.

Como disse o nosso velho conhecido, o dr. Drazio Varella, na ocasião, em artigo publicado em seu site, “até ontem, passaria por lunático quem pensasse em cirurgia para curar diabetes. Hoje, essa discussão está na ordem do dia”. E a discussão pode voltar a ordem do dia. A grande novidade é que agora o foco das pesquisas é o diabetes tipo 1. Isso mesmo, pesquisadores do Instituto de Pesquisa do Hospital Geral de Toronto, no Canadá, apresentaram um estudo sobre um novo tipo de cirurgia que poderia ajudar no controle – veja bem, controle e não cura – do diabetes do tipo 1, caso menos comum da doença.

A operação, chamada de DJB, apresentou rápida redução nos níveis de açúcar no sangue dos ratos não obesos e com diabetes não controlada.

Os dados ainda são preliminares, mas relevantes, na opinião do endocrinologista do Centro de Diabetes de Curitiba, André Vianna.“Mesmo assim, esta pesquisa surge como uma espécie de luz no fim do túnel para os diabéticos do tipo 1”, considera Vianna.

Este novo tipo de cirurgia exclui o duodeno e uma parte do jejuno, localizado no intestino, redirecionando o alimento para uma outra parte do jejuno (distal), do meio para a última seção do intestino. Esta última seção do intestino, de acordo com os médicos pesquisadores, pode enviar sinais ao cérebro para que o fígado saiba que ele deve reduzir a produção de glicose, levando ao melhor controle de açúcar e de glicose no sangue em ratos diabéticos. Esta reação acontece independentemente de perda de peso ou de mudanças nos níveis de insulina no sangue.

Vianna relata que o intestino é um alvo terapêutico mais fácil e, portanto, mais promissor na regulação do açúcar no sangue do que o cérebro ou o fígado devido aos seus potenciais efeitos colaterais. “Mas é sempre bom lembrar que muitos mais anos de estudos futuros são necessários para determinar se a cirurgia proposta pelo estudo canadense é eficaz e segura em seres humanos que têm diabetes do tipo 1”, lembra Vianna.

Notícias como essa devem ser recebidas com ressalvas, já que esses estudos devem demorar anos e anos, e passar por várias etapas até chegar em testes em seres humanos, como bem disse o dr. Vianna, mas nos mostra que há pessoas comprometidas com pesquisas em diabetes, se não para a cura, para um melhor controle.

***

Texto : Luciana Oncken

**

*Eu e a nutricionista Camila Faria escrevemos diariamente sobre diabetes no blog Educação em Diabetes, da Doce Vida! Acompanhem!

Cotidiano de uma pessoa com diabetes

Minha coluna publicada originalmente no blog Educação em Diabetes no dia 08/06/2012*

Ah! Este é um dos meus textos preferidos, daqueles escritos com a alma e o coração!

Todo dia ela faz tudo sempre igual
Me sacode às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã

(Chico Buarque)

Todo dia fazemos tudo igual, mas não como na música do Chico Buarque. Todo dia fazemos tudo igual, mas diferente das pessoas comuns, que não têm diabetes.

Todo dia acordarmos e mal levantamos, às vezes ainda no tempo e no espaço entre o sono e o despertar, e já estamos com o nosso companheiro de cabeceira, que não, não é um livro, é nosso medidor de glicose, em mãos. E lá vai a primeira de muitas picadinhas do dia.

Em seguida, claro, escovar os dentes, como todo ser humano, lavar o rosto, tomar um banho. E vamos para o café da manhã. Mas não sem antes aplicar insulina, ou tomar os comprimidos. É isso, para quem tem diabetes não é uma xícara de café, ou um copo de leite, ou uma fruta, a primeira substância a entrar em nosso organismo pela manhã. Ou é a insulina, ou comprimidos.

E bolsa de mulher com diabetes é muito mais completa. Ao lado da maquiagem e de todos apetrechos que carregamos lá dentro, lá está novamente o nosso companheiro, o medidor de glicose, e quem faz uso de insulina: canetas, uma para cada tipo de insulina, agulhas, uma bala ou um docinho – melhor ainda se for um glicofast – caso venhamos a ter uma hipoglicemia. Às vezes, um lanchinho, para não sermos pegas de surpresa e ficar muito tempo sem comer. É, porque não podemos nos dar ao luxo de esquecer o lanche. Os homens também têm de se virar para carregar isso tudo. Uma mochila ou a pasta de trabalho vai muito bem.

O almoço e o jantar devem ser precedidos de mais picadas. E, nos intervalos, gotinhas de sangue para ver se está tudo sob controle. Atividade física, nem que seja uma caminhada leve, deve fazer parte da rotina. O alimento deve ser bem avaliado antes de ser levado à boca. Fazer contas a cada refeição também faz parte da rotina. E as marcações glicêmicas devem ser anotadas.

Na hora de dormir, lá estamos nós com o nosso companheiro de cabeceira de novo, nosso monitor. Ajustes feitos, podemos pegar o nosso livro e finalmente nos darmos ao luxo de dormir.

Todo dia eu só penso em poder parar
Meio dia eu só penso em dizer não
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão

(Chico Buarque)

Concordemos que há de se ter muita paciência, muita disciplina e força de vontade. Afinal, temos de conciliar tudo isso com todos os demais afazeres do dia a dia de uma pessoa comum. E não é que, com o tempo, tiramos isso de letra. Quer saber? Estamos mesmo longe de ser pessoas comuns, somos mesmo é especiais.

**

Texto: Luciana Oncken, jornalista e blogueira, diabética há nove anos

Todos os direitos reservados 2012 ©

 *Eu e a nutricionista Camila Faria escrevemos diariamente sobre diabetes no blog Educação em Diabetes, da Doce Vida! Acompanhem!

Atividade física no controle do Diabetes

Coluna publicada originalmente no blog Educação em Diabetes no dia 30/05/2012*

Podemos incluir a atividade física na nossa vida desde cedo, como mostra este clipe da campanha do Dia Mundial do Diabetes, veiculado em 2010. O foco dele é a criança, mas serve para todos nós. Vamos deixar o vídeo-game, o computador um pouquinho, levantar da cadeira e agir. Nunca é cedo demais. E nunca é tarde demais para começarmos a nos mexer. O resultado será um controle mais efetivo do diabetes para uma vida mais saudável.

O vídeo vai de encontro  ao que a nutricionista Adriana Lúcia van-Erven Ávila, da Clínica Christiane Sobral, explicou em artigo publicado aqui no blog na última segunda-feira (28). No texto, ela compara o tratamento do diabetes com um carro, que sem suas quatro rodas não sai do lugar. Uma das rodas, segundo a especialista, é justamente a prática de atividade física.

Você já incluiu essa prática no seu cotiano? Meia horinha por dia de caminhada traz um ganho significativo para a sua vida. Levante-se. Vamos lá. Vamos controlar o diabetes já!

Mais obre atividade física na infância:

– Diabetes e brincadeiras

Mais sobre atividade física:

– Diabetes: mexa-se

*Eu e a nutricionista Camila Faria escrevemos diariamente sobre diabetes no blog Educação em Diabetes, da Doce Vida! Acompanhem!

Diabetes: bons hábitos trazem as melhores recompensas

Coluna do blog Educação em Diabetes do dia 25/05/2012*

Há pouco tempo, escrevi um texto cujo tema era “educar para não precisar reeducar”, relacionado à alimentação das crianças. Pois bem, ontem à noite quando meu marido chegou em casa com a revista Galileu, da editora Globo, do mês de junho, percebi o quanto o meu raciocínio tinha lógica. A reportagem de capa propõe: “troque um hábito ruim por um bom hábito”, com a ilustração da troca de um brigadeiro por uma maçã. Você é capaz?

No interior, a matéria explica o mecanismo da formação dos hábitos em nossa vida, apontando vários estudos de diversas partes do mundo. E traz diversos outros estudos que mostram que é possível reprogramar o cérebro. Não que seja uma tarefa fácil. Não é. A maior parte das pesquisas mostra que o cérebro trabalha com recompensa, e é essa justamente a chave das mudanças de hábitos. Mudar as recompensas e “manter o cérebro feliz”.

Complicado? Mas não custa tentar. Não vou descrever aqui toda a matéria, mas indico a leitura, foi ela que me inspirou, hoje, a falar sobre mudanças de hábitos, principalmente relacionados à alimentação. Muitas vezes nos sentimos culpados por não conseguir mudar. Esses estudos nos trazem um certo alívio, na medida em que nos mostram não é uma tarefa simples, já que agimos inconscientemente. E nos trazem, também, um grande desafio: é preciso muita vontade, é preciso identificar os hábitos que nos desagradam, torná-los mais conscientes, e só então partirmos para a transformação. Precisamos perceber o que está em jogo. Qual é a recompensa e como podemos transformá-la?

Fazer uma lista do que não está legal, e a alimentação se inclui aí, assim como a inclusão de uma atividade física na rotina, e outras coisas mais que consideramos importante mudar. Hábitos ruins, normalmente, nos trazem culpa – que pode trazer prejuízos à saúde. Existe, sim, o mecanismo da recompensa, mas passado um tempinho, lá vem a tal culpa nos importunar.

A vantagem é que bons hábitos podem nos trazer como recompensa indireta uma consciência mais tranquila e uma vida mais saudável. Ainda mais quando temos uma doença, como o diabetes, fazendo parte da nossa vida.

E aí eu volto na questão do educar para não precisar reeducar. Já temos muitos hábitos nada bons arraigados e outros exemplares. Com as crianças, temos a chance de criar bons hábitos, com as melhores recompensas. Sempre cito a minha mãe. Graças a ela, tenho alguns bons hábitos alimentares: não comer fritura, gordura e muito doce. Meu cérebro aprendeu que isso era ruim para meu corpo. Bom, ainda bem, porque, assim, quando descobri o diabetes não precisei fazer uma revolução na minha vida. E se conseguirmos isso com cada criança, no futuro, teremos adultos que não precisarão reprogramar os seus cérebros para viver melhor e mais tranquilos.

Aceitam o desafio? Você já mudou algum hábito ruim? Conseguiu manter bons hábitos? Conte-nos como foi?

*Eu e a nutricionista Camila Faria escrevemos diariamente sobre diabetes no blog Educação em Diabetes, da Doce Vida! Acompanhem!