Blogueira convidada: Minha filha diabética, como tudo começou…e a volta às aulas!


Meu nome é Nicole, sou mãe da Maria Vittoria, quase 9 anos (19.08.2012), diabética desde os 5. Tenho um blog chamado Minha Filha Diabética, onde compartilho nosso dia a dia com diabetes. E, de vez em quando, vou contar pra vocês algumas coisas sobre nossa experiência e a Lu vai escrever no meu blog sobre a experiência dela!

Depois do diagnóstico, as crianças que estão na escola devem voltar, né. E a gente fica com o coração na mão sem saber o que fazer. A primeira coisa e mais importante de todas é levar informação até a escola, professores, coordenadores e diretores. Infelizmente as escolas não tem obrigação de conhecer todas as ‘doenças’ que seus alunos possivelmente tenham, mas a partir de um diagnóstico novo, não tem porquê continuarem sem saber, certo?. E essa informação vai ser passada através de você, mamãe (e papai, claro)!

No diagnóstico da Vivi, eu ainda morava numa cidade pequena de Minas e todos se sensibilizaram muito. Escola pequena, eu estava perdida, não tinha informação na internet sobre o assunto e eu simplesmente disse pra professora:
-Acima de 250 me liga e abaixo de 70 dá 3 sachês de mel. Estavamos em lua de mel e a única vez que ela teve uma hiper, entre novembro e dezembro daquele ano, ela me ligou, eu larguei meu emprego e fui lá corrigir. Cidade pequena, todos sensibilizados, inclusive meu chefe, por isso consegui.

Mudei pra São Paulo e ela foi estudar na escola onde eu arrumei um emprego. A mãe da coordenadora tinha diabetes então eu achava que estava tranquila. Naquela época eu ainda não entendia a diferença entre diabetes tipo 1 e 2 e como meu medo, e o da maioria das mães é apenas a hipoglicemia, a orientação é, abaixo de 70, dá 3 sachês de mel. Acima disso, não faz nada, eu corrijo em casa.

Logo após o diagnóstico, os médicos optam por não corrigir glicemias nem dar insulina para o lanche no período em que as crianças estão na escola. A atenção mesmo é para a hipoglicemia. Por isso, é muito impotante sempre lembrar, com toda a paciência do mundo, dos sintomas. Cada criança sente a hipo de um jeito, então é legal passar pa professora as peculiaridades dos sintomas de seu filho. Por exemplo, a Vivi começava a chorar, aparentemente sem motivos. Isso, no caso dela, era sinal de hipo.

Nos 3 dias em que eu estava na escola, eu cuidava de tudo. Nos outros dois dias, era a professora. Como eu estava sempre por alí, não conversei com ninguém sobre o que é diabetes nem nada. Eu estava numa fase de aceitação ainda, mesmo após quase um ano, então falava mesmo apenas o necessário.

Fui demitida em novembro. Agora, seria como a maioria das mães… longe dos filhos DM enquanto eles estivesse na escola. Foi nesse momento que resolvi criar o blog, novembro de 2009, e quando aceitei o diabetes de vez e comecei a estudá-lo.

Escolhi uma escola pequena e perto da minha casa após visitá-los e já informar sobre diabetes. A escola foi muito acolhedora, e contando inclusive de uma aluna que tinha hipoglicemia. PRONTO, eu já estava tranquila, como nosso medo é sempre da hipo, numa escola com uma criança hipoglicêmica, eu estava no céu!!  Não me importei com enfermeiros porque nos colégios grandes que visitei, até a criança chegar a enfermaria, muita coisa poderia acontecer.

Antes de começarem as aulas, juntei todas as informações que eu tinha e fiz um resumo rápido e objetivo do que é diabetes, como tratar hipo e hiper e seus sintomas. Marquei uma reunião com a diretora, coordenadora e a professora que seria dela. Fui com a Vivi, levei glicosímetro, canetas, agulhas, insulina, e alí, fizemos uma aulinha prática, a professora já mediu a glicemia da Vivi e já aplicou a insulina. Ela foi bastante receptiva. Ela e a escola toda. Demos muita sorte nessa parte pois sabemos que em muitas escolas isso é algo praticamente impossível.

Preparei uma tabela de aplicação pois nesse momento estavamos fazendo já a contagem de carboidratos, que é um jeito um pouco mais complexo e a Vivi precisava de insulina na hora do lanche, caso contrário, chegaria em casa com a glicemia perto dos 500mg/dL.

Na primeira tabela, eu mandava uma quantidade de lanche fixa. Ou seja, sempre 30g de carboidratos. Dessa forma, a insulina para o lanche era sempre a mesma quantidade – 1 unidade. Se a glicemia estivesse mais alta, ela acrescentava 0,5u de acordo com a tabela. Se estava mais baixa, fazia uma correção com mel ou descontava 0,5u da 1unidade do lanche. Vejam!

Às 15h, medir a glicemia:

  • entre 80 e 160 – aplicar 1 unidade
  • entre 161 e 220 – 1,5 unidade
  • entre 221 e 280 – 2 unidades
  • entre 281 e 340 – 2,5 unidades
  • entre 341 e 400 – 3 unidades

Depois de um tempo, as doses mudaram, logo, nossa tabela mudou também. A professora já estava mais acostumada com a rotina então a tabela também ficou mais simples!

Às 15h (antes do lanche de 30 g de carboidrato), medir a glicemia e seguir o esquema:

  • abaixo de 80, dar 3 de mel + 1,5 unidade (após o lanche)
  • entre 80 e 150, aplicar 1,5 unidade
  • entre 151 e 200 – 2 unidades
  • entre 201 e 250 – 2,5 unidades
  • entre 251 e 300- 3,5 unidades

às 17 horas, antes do esporte, na segunda; e antes do balé, na quarta. Medir a glicemia e:

  • abaixo de 80 – 3 mel + 1 banana ou bolacha
  • entre 81 e 160 – 1 banana ou bolacha
  • entre 161 e 260 – não come nada e nem aplica insulina
  • acima de 261 – aplica 1 unidade

Nos 3 primeiros dias, eu ia pra escola na hora do lanche pra acompanhar o processo. Até a professora me liberar dizendo que já estava segura. Ela tinha o celular dela em sala de aula e autorização pra me ligar dele mesmo caso algo estivesse diferente e ela precisasse falar comigo. Eu tinha os números delas pra se ela me ligasse, eu sempre atendesse, independente de onde estivesse. Sempre deu certo. A Vivi nunca teve problema algum na escola. Participa de todos os passeios, acampamentos, dorme na escola. Nesses eventos especiais, eu escrevo uma cartinha pra professora e entrego um dia antes, pra que ela leia e se tiver alguma dúvida, fale comigo antes do passeio.

Com o tempo, passamos a mandar mais do que 30g de carboidratos, aí, eu anotava na agenda dela, todos os dias, a quantidade de insulina para aquele lanche e ela apenas acrescentava a quantidade pra alguma correção se fosse necessário.

As crianças precisam ir pra escola e nós precisamos continuar vivendo e trabalhando. Minha dica mais importante pra esse assunto é : DIÁLOGO !! Eles não convivem com diabetes 24 horas por dia como nós, logo, não se sentem aptos pra tomar uma atitude num caso diferente como nós fazemos. Por isso é importante conversar sempre, todo dia um pouquinho, informalmente, sobre diabetes. Sobre glicemias, correções…

No ano seguinte, eu já estava também mais segura, marquei um dia na escola e conversei com outros profesores, outros coordenadores, porteiros e faxineiros. A Vivi estava crescendo e não ficava mais debaixo da asa de uma professora só. Fiz novamente uma apostila (duas folhas sulfite, no máximo) com informações CLARAS E OBJETIVAS sobre diabetes, hiper e especialmente cuidados com hipoglicemia e passei pra todos eles.

Não tem mistério. É um processo. Educação não acontece da noite pro dia e nós acabamos nos tornando educadores em diabetes nesses casos.

Um abraço e até a próxima!

10 ideias sobre “Blogueira convidada: Minha filha diabética, como tudo começou…e a volta às aulas!

  1. Denise

    Agora em agosto vai fazer 1 ano que minha filha foi diagnosticada com diabetes tipo 1.ela tinha 10 anos.ainda não consegui aceitar,e tbm passo por essas reuniões em escola,e minha maior dificuldade é em relação aos lanches que a escola fornece(não vendem sucos sem açúcar e o lanche é muito calórico)refrigerante diet todo dia é um veneno…

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    1. Silvia Onofre

      Denise pra aceitação cada um tem um tempo, mas uma hora ou outra temos que aceitar e tocar a vida. O importante é vc ter calma pra cuidar da qualidade do tratamento de sua filha. Essas reuniões na escola são super bacanas, se vc tem uma pessoa que colabora com vc lá dentro, faça como a Nicole falou anote na agenda de uma maneira simples as instruções e converse com eles como devem agir e sempre te ligar se for o caso. Quanto ao lanche eu mando de casa na lancheira, fica bem mais fácil controlar o que meu filho come, dificilmente ele compra alguma coisa na cantina.

      Resposta
  2. Nicole Autor do post

    Denise, não ficou claro pra mim. A escola fornece? Ou tem cantina onde as crianças podem comprar?

    Cantina de escola é triste mesmo. O melhor que vc tem a fazer é comprar os sucos e mandar. Porque ela não leva lanche de casa?

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  3. Déa

    Caras amigas,

    Este comentário na verdade é mais um pedido.
    Gostaria de dicas de livros interessantes sobre o assunto ou até com relatos. Alguém teria alguma dica ?

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  4. Anna Paula

    Gente, meu filho esta fazendo xixi de dois em dois minutos, as vezes até menos que isso… Pesquisando na net, vi que é um sinal de Diabetes… Estou com medo, minha avó materna tinha… Ele tem 3 anos e 8 meses!!! Alguém sabe qual a faixa de glicose deve ser a dele?? Minha mãe tem um aparelho na casa dela, e quero ir lá medir… Me ajudem!! Estou com MUITO MEDO dele ter Diabetes!!! =/

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  5. vãnia

    Olá! Gostaria de saber mais sobre essa bomba de insulina. minha filha é diabética e tem 9anos. È uma coisa acessível? Onde encontro? Como é usada?

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