Arquivo mensal: janeiro 2014

Medo de medir a glicemia. Você já teve?

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Você já teve medo de medir sua glicemia? A pergunta pode parecer sem sentido para quem tem diabetes tipo 1 e tem de monitorar cinco, sete, oito, dez vezes por dia. Já para quem tem diabetes tipo 2 é uma realidade.

Eu sou MODY (não uso insulina) e o meu diabetes se comporta de uma maneira parecida, em alguns aspectos, com o diabetes tipo 2, por isso sei o que estou falando. Eu não tenho grandes variações de glicemia. E, como não uso insulina, não há muito o que eu possa fazer de imediato se a minha glicemia estiver alta. Mesmo assim, considero o controle essencial em qualquer caso. Para que? Para sabermos como o nosso corpo está reagindo aos medicamentos, para sabermos como a alimentação está influenciando o controle, ou se a atividade física está surtindo efeito. O controle se faz necessário para ajustar o nosso comportamento.

Conheço poucas pessoas com diabetes tipo 2 que fazem automonitoramento. E existem vários fatores que contribuem para esse comportamento. Pode ser medo de se deparar com um número alto. Sabe aquele ditado popular que diz que o que “os olhos não vêem o coração não sente”? É meio por aí. Como se o fato de não vermos o estrago que o diabetes, aos poucos vai nos causando, nos poupasse de alguma coisa. Não tem muita lógica, mas confesso que, sim, em alguns momentos, já fugi do glicosímetro por medo. Como se o diabetes nem existisse e bastasse tomar um remedinho e tudo bem. Não é assim! Quando a gente sabe que não está seguindo o tratamento à risca, temos essa tendência de evitar o monitoramento. Temos de tomar cuidado, porque isso pode significar um abandono de nós mesmos. Quando nos comportamos assim, estamos nos deixando levar pela sorte. Mas com diabetes, não se brinca. Não há sorte que dê jeito.

Outro fator que pode levar à falta de automonitoramento constante é a falta de informação sobre a necessidade deste hábito em nossa vida. A maioria das pessoas que tem diabetes tipo 2 não sabe da necessidade de medir glicose com frequência. Faz lá um exame de glicemia de jejum a cada seis meses e acha que está bom assim. Muitas vezes, o médico nem pede a hemoglobina glicada. Conheço até pessoas que desconhecem o que seria esse exame. Escuto muito: “minha diabetes é baixinha, a última deu 120, ou 140”. Não importa o número. Se o resultado foi um pouco mais baixo, pode ser que tenha sido porque o exame foi realizado em um dia em que você se comportou melhor no dia anterior, cuidou mais da alimentação, fez atividade física. Isso não quer dizer que ela se mantenha assim todos os dias.

A verdade é que não existe um consenso sobre a indicação de automonitoramento em pacientes com diabetes não-insulino dependente. E, muitas vezes, as pessoas não sabem o que fazer com a informação. No tipo 1, se o glicemia der alta, há como realizar a correção. Para se alimentar, você calcula o que vai ingerir de carboidrato e aplica insulina para que não haja um impacto muito grande na glicemia. Já o diabetes tipo 2 depende muito mais de uma dieta apropriada, de prática de atividade física, de qualidade de vida. Um estudo publicado em 2008 na BMJ mostrou que pessoas com diabetes tipo 2 se sentem frustradas com o automonitoramento quando a glicemia se mantém alta. E relatam que, muitas vezes, o médico não se interesse em ver suas anotações.

O que eu falo sobre a importância do automonitoramento é por experiência própria e por observação. É porque eu tenho uma profissional que me cobra o automonitoramento para ajuste do tratamento. O automonitoramento, para mim, tem um efeito positivo, porque sei o quanto tenho de me cuidar.

Cresce número de crianças com diabetes tipo

Cada vez mais pesquisas apontam que o diabetes tipo 1 está crescendo entre crianças. Vale lembrar que diabetes tipo 1 não tem nada a ver com estilo de vida, hábitos alimentares, sedentarismo. Não. O diabetes tipo 1 é uma doença auto-imune. O que torna seu crescimento ainda um mistério entre os estudiosos. Eles não sabem explicar quais fatores estão contribuindo para o aumento no número de casos da doença. O diabetes tipo 1 é a doença endócrino metabólica mais comum na infância e na adolescência, segundo dados do International Diabetes Federation.

O diabetes tipo 2, este sim com fortemente ligado ao estilo de vida, também está crescendo entre as crianças. As causas, nós já conhecemos: hábitos alimentares ruins, com uma dieta rica em calorias e pobre em nutrientes, falta de atividade física, com as crianças cada vez mais confinadas em suas casas.

Ao contrário do diabetes tipo 2, que em seu início pode ser assintomático, e por isso muitas pessoas demoram para descobrir que têm a doença, o diabetes tipo 1 já se manifesta desde o início, com forte necessidade do uso de insulina, sob o risco de morte, caso não seja tratada adequadamente. Mesmo assim, 25% das crianças só são diagnosticadas quando estão em estado grave. Por isso, é importante estar informado e alertar as pessoas que conhecemos.

Barbara Young, presidente-executiva da Diabetes UK, destaca que “é particularmente importante que os pais conheçam os sintomas da doença”. Ela lembra que um diagnóstico precoce evita complicações. Por isso, nunca é demais repetir, os principais sintomas:

– necessidade frequente de urinar;
– sede abundante;
– cansaço extremo;
– uma perda inexplicável de peso.

Você, que está lendo este texto, provavelmente já tem diabetes, mas pode compartilhar essa informação entre as pessoas que você conhece. Quanto mais pessoas conhecerem a doença, melhor para todos.

Segundo o IDF, ao ano, 78 mil novos casos de crianças e adolescentes até 15 anos são diagnosticados. Não podemos fazer nada, por enquanto, para barrar este crescimento. Mas podemos fazer a nossa parte no esclarecimento daqueles que nos cercam, ajudando a diagnosticar precocemente o diabetes tipo 1. Por isso, mãos à obra. Espalhe informação.

Diabetes: análise e planejamento para 2014

2014 começou… um novo ano, cheio de possibilidades. Um livro em branco para preenchermos. No final de 2013, você parou para analisar o que faz, e planejar o novo ano? Análise e planejamento. Está em suas mãos!

1) Como foi o seu controle neste 2013? Quais suas metas para 2014?

2) Você fez todos os exames necessários? Já planejou suas consultas para este ano?

3) Seguiu as orientações médicas?

4) Você se sabotou algumas vezes, saindo totalmente do controle? Quantas? E quais situações o levaram a esse comportamento? Ou seja, descubra o gatilho.

5) Praticou atividade física? Já renovou o plano da academia para 2014?

6) Quais foram suas maiores dificuldades no controle?

7) Fez tudo o que se comprometeu a fazer no início do ano? Nunca é tarde para começar…

7 conselhos para viver melhor com diabetes

Reuni neste post os meus 7 melhores conselhos sobre como viver melhor com diabetes. Não há fórmula, mas para viver bem com diabetes você precisa, antes de tudo, se conscientizar de que ela faz parte da sua vida. Vamos aos conselhos!

1) Faça automonitoramento, medindo regularmente a sua glicemia. Pode até ser um pouco chato, mas é para o seu bem, você conhecerá melhor o seu organismo, as suas reações, e assim será mais fácil viver com diabetes.

2) Aproveite a oportunidade que se descortina a sua frente para ter uma vida mais saudável. Caminhe. Use a medicação direitinho. Alimente-se que o que é mais indicado para você. Relaxe por uns instantes. E ganhe qualidade de vida.

3) Enfrente o diabetes com coragem, com conhecimento, com amor. Porque o principal foco da sua vida é você!

4) Lembre-se: saúde é como previdência, quanto mais cedo você investir, melhor serão os benefícios lá na frente. Por isso, comecemos já!

5) Esteja sempre disposto a aprender mais e mais sobre diabetes.

6) Não fique achando que todo mundo deve saber sobre diabetes tanto quanto você. Ao invés disso, procure esclarecer aqueles que te cercam. Espalhe informação. Compartilhe conhecimento.

7) A hora de mudar, para melhor, é já. Não é amanhã. A hora de adquirir melhores hábitos é agora, não é semana que vem.

Até mais!