Arquivo mensal: fevereiro 2014

Fernanda e Manu

Fernanda e Manu

A partir de agora, teremos postagens da Fernanda Estessi, da página do Face “Insulinamiga”, aqui no blog. A Fernanda é publicitária, gerente de projetos, mãe da Manu (diagnosticada DM1 há seis meses), e da super Gi, linda adolescente. Mãe, mulher, profissional, cuidadora, mamãe pâncreas. Direta, sensível, prestativa, prática, organizada. Excelente escritora, consegue traduzir o que as mamães pâncreas sentem. Leiam, opinem, participem! E acompanhem a Fernanda no Facebook >>> http://goo.gl/JCqpKE

POR QUE MESMO SE CUIDAR?

Seis meses de diagnóstico da Manuela me fazem ficar mais certa a cada dia: cuidar de crianças com diabetes é infinitamente mais simples do que ver um adulto diabético cuidando de si próprio.

Engraçado que, até tudo acontecer com a Manu, a impressão que eu tinha era a de que, das pessoas mais próximas a mim, só meu cunhado tinha DM. Mas o tanto de gente que descobri ser DM1 de 180 dias pra cá foi imenso.

Quando você cuida de uma criança, você dorme e acorda pensando no diabetes. Exagero? Muito provavelmente. Mas, se isso é típico de mãe, calcula se não é ainda mais para a mãe de um DM1.

A gente pensa em tudo, faz as dextros com a regularidade necessária (às vezes, até mais do que preciso), conta carboidratos, faz todos os exames com a regularidade necessária e pula de alegria com os resultados da hemoglobina glicada. Cuida de cada refeição e cerca o filho de cuidados, afastando todas as ruins possibilidades que o diabetes pode trazer no futuro.

Mas e o adulto diabético?

Ele vive de uma outra forma. Especialmente, porque ELE É O DONO DE SI MESMO e, na real, parece estar se importando pouco ou quase nada com os sentimentos e aflições de sua mãe, seu pai, sua esposa, seus filhos.

Tenho dois nomes. Um deles, apresentarei com o nome fictício de “João”.

Daniel: 36 anos, DM1 há 20.
Hoje sei a dor da minha sogra quando teve o diagnóstico de um adolescente com diabetes em casa. Meu cunhado nunca se cuidou. Sempre viveu todo errado, comendo tudo o que não devia. Contagem de carboidratos? Nunca ouviu falar, até que sua sobrinha -a minha pequena Manu – fosse diagnosticada, 20 anos depois. As insulinas, aplicadas numa quantidade fixa (sem levar em conta o que comeu ou deixou de comer) estão sendo seguidas das dextros há seis meses. Ele mesmo confessou, no dia do diagnóstico da Manu, que não fazia o monitoramento havia meses.

“João”, 37 anos, DM1 há 14 anos.
Filho de um senhor (já falecido) DM2, João tem diabetes desde os 23 anos de idade. Hoje, casado há mais de 7 anos, preocupa a esposa que o vê totalmente relapso com a doença. Desanimado com a vida e com sua situação, João sente-se sempre muito cansado e só pensa em dormir. Contagem de carboidratos? Há 4 meses ganhou um livreto com todas as orientações. Mas o que significa um livreto desses pra um DM1 que não faz dextro há meses?

O que leva esses dois homens a desistirem, a se entregarem por tantos anos? Cuidar de si mesmo é menos importante do que cuidar de um filho?

Fica aqui um alerta pro Daniel: enquanto vc se cuida de qualquer jeito, vendo a vida escorrer por entre os dedos, sua filha tá aí, louca pra crescer com o pai ao seu lado.

Fica aqui um alerta pro “João”: vc não tem os filhos que a sua esposa tanto quer. Vai fazer o quê com os sonhos dela? Enterrá-los?

E vc, adulto/jovem que chegou até aqui: se a carapuça serviu, desculpe. Mas era com você mesmo que eu estava falando.

Accu-Chek Roche

A Roche foi uma das pioneiras nos encontros com blogueiros da área de diabetes. Fazem encontros onde levam profissionais para falar sobre a doença e a convivência com ela. Informações que nós blogueiros podemos replicar e repassar para um maior número de pessoas. Uma forma de reconhecer e apoiar o nosso trabalho.

Ontem, fui presenteada com um mimo de Feliz Ano Novo! Uma cesta deliciosa da SuaviPan. Depois vou falar de cada um dos produtos que veio dentro dela. 😉

Obrigada equipe da Accu-Chek! Obrigada, SuaviPan, pela parceria com a Roche.1795772_814482975235899_1593109399_n 1604487_814482945235902_942337884_n

Eco Viver

Escolher uma academia, para mim, não é algo tão simples. Sou bem criteriosa, não só em relação a qualidade das atividades e conhecimentos dos profissionais. Escolher uma academia pode ser algo mais complexo.

Ano passado, na minha busca, encontrei a Eco Fit, uma academia que abraça o conceito de sustentabilidade. E me apaixonei. Por questões de logística, não consegui frequentar no ano passado. Cheguei a fazer matrícula, levei o filhote para fazer natação, mas não rolou. Tivemos de voltar atrás e cancelar. E o pessoal foi muito bacana na hora de cancelar. Um atendimento que nunca vi em academia alguma.

Este ano, não esqueci da Eco Fit, voltei lá e insisti. Luz natural, reaproveitamento das águas da chuva e do ar condicionado nas descargas, reciclagem de óleo de cozinha… “Toda madeira usada é certificada – com origem comprovada em áreas de reflorestamento –, ou de demolição. Para aquecer as piscinas é usado um sistema de captação de energia solar. Há ainda coleta seletiva de lixo, incluindo o cuidado com o óleo de cozinha e campanhas para o recolhimento de isopor, baterias, lâmpadas e lixo eletrônico”, explica o site da academia. E tem mais: alimentos descartados pelo restaurante e refeitório vão para a composteira e o minhocário. Os clientes que preferem deixar o carro em casa contam com bicicletário no local. O trabalho é resultado dos esforços de dois irmãos Antonio e Eduardo Gandra. “Queríamos criar um lugar em que os alunos se sentissem acolhidos e com uma filosofia voltada para a sustentabilidade”, diz Antonio no site da Eco Fit.

Os funcionários também podem se beneficiar de uma gestão participativa. “Há reuniões semanais entre funcionários e todos são convidados a opinar, dar ideias e contribuir para os rumos da empresa. “Quando se fala em ecologia, logo se pensa em proteger o mico leão dourado, mas preocupação com o meio ambiente também envolve pensar nas pessoas que convivem com você”, diz Antonio, no site.

Eu me encantei com essa proposta. E com o ambiente super acolhedor. E ainda com uma área de baby care, onde você pode deixar seu filhote para fazer sua atividade.

Quer saber mais? >>> http://goo.gl/WrViyT

Cuidar de si, para cuidar dos outros

Cuidar de si mesmo não é um ato egoísta. É o melhor que temos a fazer não só por nós, mas pelas pessoas que amamos. Sempre lembro da frase do avião: “Coloque primeiro a máscara em você, para depois ajudar os demais”. É isso. Se você não estiver bem, como vai cuidar dos outros? 

Esta semana, que voltei a cuidar de mim, que voltei para atividade física, que estou olhando um pouco mais para a minha saúde, também estou me sentindo mais disposta para cuidar do filho, da casa… Não tem jeito, quando não estamos bem, não conseguimos dar o melhor de nós.

E você? O que tem feito por você? E como isso tem refletido na sua família?Imagem

Escrever um blog, um eterno aprender

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Esta semana, chegamos aos 7 mil curtis de página no Facebook. A sensação que me dá é: “quanta responsabilidade!”.

São sete anos de blog, entrando no oitavo ano. Não é fácil manter um blog por tanto tempo. Tive altos e baixos por aqui. Houve tempos de atualizar todos os dias, e até mais de uma vez por dia. Houve tempos magros, em que atualizava a cada dois meses. Mas continuo aqui. E sinto-me renovada. Este blog tem história, e me fez aceitar melhor a minha condição. Nunca fui revoltada com o diabetes. Mas claro que eu preferia não ter… rs. Mas eu tenho, e tive de aprender a conviver com isso.

Nesse período, conheci muita gente bacana, que segue nesse cotidiano de ter um blog, pessoas que agarraram o desafio de escrever e informar sobre diabetes. Algumas super engajadas, que lutam mesmo, lá de perto, pela melhora no atendimento ao paciente com diabetes. São mães de crianças com diabetes, pessoas que têm diabetes, ou que convivem de alguma forma com a doença. Pessoas com as quais aprendi muito. E aprendo diariamente num eterno aprender. 

E eu sigo aqui, com o meu escrever, tenho este estilo de falar da vida, filosofar um pouco sobre a minha condição, levar uma palavrinha a quem quer escutar, escutar o que querem me dizer. Considero essa troca essencial. Falo de viver. E, por acaso, vivo com diabetes. Mas o viver é o viver de qualquer pessoa, com nossos compromissos, família, passeios, decepções, alegrias… 

Este início de ano, tenho aprendido muito sobre paciência, tenho exercitado a minha capacidade de esperar e aceitar. Esperar o tempo de cada um, esperar o tempo certo para cada coisa. Aceitar que nem tudo está sob o nosso controle. Aceitar que você não precisa fazer parte de tudo e, sim, do que é essencial. Aceitar o inesperado. Fazer amizades inusitadas, como com a pessoa que acabou com a porta do seu carro em um estacionamento. Pois é, toda situação traz a oportunidade de falar uma palavra de apoio, de entendimento. E de ouvir também! E já ouvi cada coisa linda neste blog, comentários maravilhosos que me fizeram seguir em frente, de pessoas que nem conheço pessoalmente.

Este blog já deixou de ser meu há muito tempo. Este blog é de vocês! 

Começar

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Ontem, falei sobre recomeçar. E, hoje, falo sobre começar. A frase “Quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez” estava martelando na minha cabeça. Eu sou uma pessoa que vive fazendo coisas pela primeira vez. Sou uma pessoa tímida, sempre fui. Quando criança e adolescente então… Por isso, deixei de fazer muitas coisas. Além de tímida, sou perfeccionista. Quando vou fazer algo, quero que seja bem feito. Se não for para fazer bem feito, não faço. Acontece que leva um tempo até chegarmos ao nosso melhor em qualquer coisa. E aí vem a timidez, o medo de se expor. Nessa, deixei passar muita coisa no momento em que todos fizeram. Mas venho fazendo. Venho tirando este atraso. Porque um tímido nunca deixa de ser tímido, mas aprende a controlar os sentimentos.

Outro dia, li uma crônica de Ivan Martins, para Época, chamada “O verão que aprendi a boiar”, em que ele conta sobre o novo aprendizado beirando os 50 anos. E ele diz: “Sei que a palavra da moda é precocidade, mas eu acredito em conquistas tardias. Elas têm na minha vida um gosto especial.” E segue, contando que aprendeu a dirigir aos 34 anos…

Identifiquei-me muito com Ivan. Eu sou de conquistas tardias. Comecei a dirigir ao 30 anos. E até hoje, não é algo banal para mim. Dirigir, depois de nove anos, ainda tem um sabor de conquista. É bem o que ele diz: “quando achamos que tudo já aconteceu, novas capacidades fazem de nós pessoas diferentes do que éramos”.

Pois, hoje, eu sou uma pessoa diferente. E um novo sabor de conquista se descortina a minha frente. Pode parecer bobo, infantil, mas este sabor de conquista vem da minha primeira aula de natação. Fiz uma pequena tentativa aos 10 anos (que nem vale considerar). A timidez e o medo de me expor me fizeram desistir. E cá estou eu, 29 anos depois, caiando na água para finalmente aprender a nadar. A aula se chama “Medo d’água”. Coisa que eu não tenho. Não mesmo! Mas é bacana porque é um ambiente em que me sinto confortável, porque são pessoas maduras que ainda não sabem nadar, como eu. Cada uma com o seu motivo.

E a aula foi muito bacana, já tenho mais controle sobre meu corpo e sua relação com a água, o que me dá mais tranquilidade. Quero seguir em frente. Afinal, meu filho de quatro anos, com poucas aulas, já está praticamente nadando. E a mamãe tem de acompanhar.

Rompi várias barreiras para chegar neste momento. Principalmente, a vergonha de, beirando os 40, ainda não dominar meus movimentos e minha respiração no meio aquático, mas descobri que, como eu, muita gente madura não sabe nadar. E continua sem saber, com este mesmo medo de se expor, ou porque acha que já é tarde demais. Não é. Nunca é tarde para fazer algo pela primeira vez.

Ainda é cedo para dizer que este é o verão em que eu aprendi a nadar, mas que isso se concretize, e eu possa lembrar deste momento com alegria, e que nadar, para mim, sempre tenha um sabor de conquista.

***

Nesta linha do “Quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez?”, gostaria de destacar a campanha da EASTPAK Europe. Veja o que o site www.hypeness.com.br diz sobre ela:

“A campanha 360˚ foi desenvolvida pela agência belga SATISFACTION, com objetivo de nos lembrar de todas aquelas coisas que sempre tivemos vontade de fazer mas por motivos diversos não fizemos, e nos lembrar que ainda sempre há tempo. Mesmo em grandes cidades podemos ter experiências que fazem diferença.Um tanto quanto inspirador!

O bacana é que parte da campanha foi filmada aqui em São Paulo, com produção da PARADISO Films e produção de elenco dessa que vos escreve. Vale a pena entrar no site da campanha.”

Este é um dos filmes:

Recomeçar

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Na teoria, sabemos tudo o que nos faz bem, mas é difícil sair da inércia. Desculpas não nos faltam para não cuidarmos como deveríamos da saúde. Tempo, dinheiro, estresse, cansaço. Pois é tempo de repensar e recomeçar. Pelo menos para mim. Estou há, praticamente, quatro anos sem atividade física regular. Muito, muito tempo para quem tem diabetes e não deveria ficar um dia sequer sem se exercitar, mas antes tarde do que nunca, não é mesmo?

Semana passada, me deu um estalo e lá fui eu. Fiz a inscrição na academia. Isso foi na quinta. Pedi para colocar o início para segunda, dia 3, ou seja, hoje. Mas entre fazer a matrícula e iniciar realmente a academia há um grande abismo, normalmente. E a gente vai enrolando, enrolando, até que desiste. Ano passado, foi assim. Fiz a inscrição, mas não consegui me organizar para iniciar. Cancelei, devolveram-me tudo, e ficou por isso mesmo. Tinha pensado em um esquema para fazer com meu filho, de quatro anos, enquanto ele fazia algumas atividades, eu faria outras. Não deu certo.

Dei um tempo. Coloquei-o um tempo depois no judô e na natação, perto de casa. E as coisas começaram a se encaixar. E este ano foi a minha vez. Em um horário e tempo só meus. E fiz isso no momento mais complicado da casa. Estou sem ninguém para me ajudar nas atividades domésticas, mas parece que quanto mais coisas temos para fazer, mais arranjamos tempo. E com a agenda complicada, cheia de compromissos, lá fui eu para a academia hoje. Fiz apenas condicionamento físico, 40 minutos. Suficiente para me sentir bem comigo mesma. Bem por ter conseguido. Bem por ter recomeçado. Bem por ter ido no primeiro dia, sem desculpas, mesmo com muitas coisas para fazer. Bem porque atividade física nos deixa bem. Bem mais disposta.

E que eu consiga me manter firme e forte neste propósito de melhorar minha saúde, meu condicionamento físico, minha mente, meu corpo, minha auto-estima. E vamos lá! Rumo aos quarenta, com muita disposição!

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Glicemia da semana passada em jejum, antes de inciar a academia: em média 150 mg/dL. Meta: abaixo de 100 mg/dL.

Peso: 67,4 kg. Meta: 59 kg.