Diabetes: abordagens “chocantes” dão resultado?


Imagine você entrar em uma loja e dar de cara com esta parede? Não sacou ainda o que é? É uma espécie de IML de pés. Ou um cemitério de pés. Sim, isto mesmo! São sapatos de pessoas que tiveram de amputar o pé por conta do diabetes mal controlado. Eu achei bem chocante. Incomoda. Faz refletir? Ou deprime? O que você acha? Você é a favor de abordagens chocantes?

pesmortos

A foto, de uma loja de Londres, foi postada por um amigo meu, o Danilo Janjacomo, que me marcou. Não tem jeito, sempre que alguém que me conhece vê alguma coisa relacionado ao diabetes, é automático, sempre lembram de mim. A mensagem no tag traz o nome, o gênero, a idade da pessoa no momento da amputação, e a data em que ocorreu. A mensagem em baixo diz: “Este sapato representa um dos 136 pés perdidos por causa do diabetes a cada semana na Inglaterra”. A campanha alerta para a importância dos exames de diagnóstico.

Bom, se já me choquei com a imagem acima, a de baixo me fez sofrer!

A campanha foi criada para uma associação de diabetes da Tailândia, pelo desinger thai, Nattakong Jaengsem, intitulada Sweet Kills (doces assassinos, em tradução livre). A intenção foi chamar a atenção sobre o impacto do diabetes descontrolado na cicatrização e o risco de complicações. São feridas feitas de doce.

Confesso minha ignorância sobre as taxas e impacto do diabetes na Tailândia. Na Inglaterra lá está: 136 pés dão adeus a seus donos a cada semana.

Particularmente não gosto de abordagens chocantes.

A primeira é mais discutível, passível de debate sobre se é ou não uma boa abordagem.Esta semana mesmo estava no cabeleireiro e falei em diabetes. Uma moça que estava lá ouviu e disse que tinha tido diabetes gestacional. Perguntei se o diabetes tinha progredido ou regredido após o nascimento da filha. A resposta? Ela não sabia dizer, porque não fez os exames. Mas ela tinha os seguintes sintomas: sede, urina várias vezes ao dia, sono, feridas que não cicatrizam desde dezembro (7 meses). Não sou médica, mas o diagnóstico é praticamente certo: ela tem diabetes! E mal controlado! Não disse isso a ela com essas palavras, mas a orientei a procurar seu médico o mais rápido possível e disse que todos os sintomas que ela citou são diabetes mal controlado. Pensando nessa persona, talvez, sim, uma abordagem chocante funcione.

Sabemos que mais da metade das pessoas que têm diabetes nem ao menos sabem que tem. As pessoas demoram em média 7 anos para descobrir o diabetes. Refiro-me ao diabetes tipo 2, já que o tipo 1 é muito mais sintomático, e o diagnóstico tardio pode ter graves consequências em curto prazo, enquanto o tipo 2, a longo prazo. Consequências incapacitantes: cegueira, neuropatia, nefropatia, problemas cardiovasculares, entre outras. E a temida amputação!

A segunda campanha é chocante? Muito. Uma pessoa recém-diagnosticada entraria em depressão ao se deparar com ela. Sei lá… Mas pode ter o poder de mostrar que não diagnosticar e não cuidar tem graves impactos. O problema dela é que reforça uma ideia totalmente errada, de que o açúcar é o grande vilão no surgimento do diabetes. Não é assim! Sabemos que o diabetes tipo 2 tem causas multifatoriais e comer açúcar não leva ao diabetes diretamente. O consumo alto de doces e açúcar estaria ligado ao aumento do peso, e consequentemente, ao diabetes. Mas tem outros fatores nessa conta: hereditariedade, estilo de vida (tabagismo, alimentação, sedentarismo).

Desconheço estudos que meçam a efetividade de campanhas negativas ou positivas, devem existir… Neste blog não uso óculos cor de rosa, mas continuo apoiando a abordagem positiva, o acesso à informação, a visão de que cuidando é possível viver com diabetes. E você?

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