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Como monitorar melhor o seu diabetes?

Para Viver melhor com Diabetes, uma das melhores ferramentas é o monitoramento contínuo. Assim como em qualquer área da sua vida, uma doença crônica exige gestão. O monitoramento do diabetes é uma das ferramentas de gestão da doença. Não a única.

O que é o monitoramento em diabetes?

Você tem um monitor de glicose? Você usa o seu monitor ou ele está jogado na sua gaveta? Com que frequência? Você sabe a importância dessa prática? Você troca as informações sobre o seus resultados com o seu profissional de saúde? Vocês, juntos, decidem melhores estratégias de controle a partir desses resultados da glicemia? 

 

Anote suas glicemias

Hoje, muitos monitores trazem softwares super avançados que permitem um controle melhor e a interligação de informações. Esses relatórios, quando baixados em seus computadores podem ser compartilhados com os profissionais de saúde (médicos, nutricionistas, e outros) que fazem seu acompanhamento.

Se você não tem prática, não recebe nenhum insumo do SUS, e os gastos com o monitoramento são por sua conta, uma dica que eu dou, para os diabéticos tipo 2, é fazer todo mês uma semana de acompanhamento detalhado, com medidas de jejum, pré e pós-refeições e madrugada. Isso já é uma boa prática para acompanhar o diabetes, saber como sua glicemia se comporta com certos alimentos e situações (dormir menos, estresse, ansiedade, menstruação…). Já dá alguns bons indicativos de como agir e municiam o profissional de saúde com informações essenciais para o direcionamento da abordagem para o tratamento do diabetes.

Muitos falam do preço das fitas. Sim. Não é barato, mas é um investimento que vale a pena, porque poupa a sua saúde, ajuda a preservá-la e isso faz com que você se mantenha produtivo por mais tempo. Ao contrário, se não nos cuidamos, corremos o risco de perder nosso bem mais valioso: a nossa saúde.

Vamos cuidar? Vamos vencer o diabetes? Conte-nos a sua experiência no monitoramento e gestão da doença nos comentários.

**Note:** > O ano de 1922 foi marcante não só para a arte, mas também para a saúde. Foi neste ano que se foi aplicada a primeira insulina em um menono de 14 anos, um marco no tratamento do diabetes. >

Os primeiros monitores verificavam a glicose na urina. Um detalhe, o açúcar na urina só aparece quando a pessoa está com glicemia acima de 180 mg/dl.

Para melhor gestão do diabetes, monitoramento é essencial

Há duas semana, recebi da farmacêutica Abbott um monitor de glicose Free Style Libre para testar. Não só eu, mas um grupo de blogueiros de diabetes. A ideia da empresa era ter uma noção das impressões e dúvidas que podiam surgir neste grupo, a fim de trabalhá-las para o lançamento no mercado, que ocorre este mês. Uma prática comum em marketing. Não recebemos nada por isso, a não ser o kit do monitor + dois sensores, que o que será vendido para o público. Semana passada, estivemos todos juntos no evento de lançamento, na quarta-feira, dia 1 de junho, no Oscar Café, onde pude rever os blogueiros que conheço e conhecer pessoalmente alguns, como o Pablo Silva, do Eu e a Bete, do Rio, que faz um trabalho bem bacana nas redes sociais!

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Quando fui contatada, dei uma resistida, sabe? Não conseguia ver tanta utilidade nele, já que não faço uso de insulina, e não monitoro com tanta frequência quanto alguém com diabetes tipo 1. Meu tipo de diabetes é MODY, um diabetes genético (alteração cromossômica), em um outro post explico melhor. O fato é que trato com sulfa, hipoglicemiante oral, e tinha dificuldade de ver no monitor um número alto, e ficar sem saber o que fazer com ele. Na gravidez, quando estava alta, corrigia com insulina rápida e pronto. Hoje, é um pouco mais complexo corrigir, mas é possível.

A aplicação não dói absolutamente nada. Apesar de assustar um pouco, por conta do tamanho do aplicador. Coloca-se na parte de trás do braço. No começo, achei bem estranho andar com isso no braço para cima  e para baixo. Nos dois primeiros dias, cheguei a sentir um incômodo, mas passou. Amanhã, completo 14 dias, e até esqueço que estou com ele no braço.

Estranhei o primeiro banho, fiquei com medo que caísse devido a temperatura da água, mas não. Também sou super estabanada, já o bati algumas vezes na parede e ele continua lá. Durmo em cima do braço, e tudo bem, nada aconteceu.

O que aconteceu de verdade foi uma mudança no meu comportamento a partir do aumento no número de glicemias diárias. No jejum, antes e após as refeições. Dando de cara com a realidade, que não estava nada bonita, comecei a mudar meu comportamento, minhas escolhas alimentares. Como a minha alimentação melhorou nas últimas semanas! Porque afinal não dá para ver uma glicemia de 250 e não fazer nada. Foi o que aconteceu logo no meu primeiro final de semana. Fui almoçar com amigos. Glicemia pré-almoço: 250. E agora? Deixo de comer? Que nada! Vamos lá! Se eu não tivesse noção da minha glicemia, qual seria a minha escolha? Massa! Com a informação em mãos, o que eu fiz? Escolhi o buffet de salada: além das folhas, optei por carpaccio, rosbife, e muito pouco carboidrato (um pires de café de penne). Ainda fui de sobremesa diet: frozen yogurt com calda de goiabada diet. Glicemia uma hora após o almoço: 100. Glicemia três horas depois: 72. Quase hipo!

Baixei um aplicativo de contagem de calorias, e de nutrientes, chamado MyFitnessPall. Gostei muito! E fui controlando. Com isso, emagreci uns dois quilos.

A vantagem que senti foi essa: poder gerir melhor a doença. É como uma empresa, se a gente não a conhece a fundo, se não mergulha nas finanças, na administração de pessoas, em cada detalhe, não há como geri-la. Com o diabetes, a mesma coisa: se eu só fico sabendo o que está acontecendo com o  meu corpo quando vou ao médico, como poderei gerir a minha doença?

Tudo bem, eu concordo com você, o Free Style Libre tem um precinho ainda salgado, até porque se trata de uma nova tecnologia, e a empresa investiu tempo e dinheiro no desenvolvimento. Para quem tem diabetes tipo 2 e pode investir, acho super válido. Para quem não pode, minha sugestão é investir no método tradicional: ponta de dedo. Faça a ponta de dedo direto, pelo menos por uma semana (se der sempre, melhor), nos horários:   jejum, duas horas pós-café da manhã, antes do almoço, duas horas depois do almoço, antes do lanche da tarde, duas horas após; antes do jantar e duas horas após. Se der, faça uma na madrugada. Leve ao seu médico, se tiver acompanhamento com nutricionista, para ele também, para avaliarem juntos os dados, e decidirem juntos as mudanças necessárias no seu tratamento.

Tome as rédeas da sua vida! Controle, monitore o seu diabetes!

Quer saber mais sobre o Free Style Libre e sua tecnologia, como faz para comprar, dúvidas técnicas, leia abaixo o release:

As rotineiras1 picadas no dedo são coisa do passado parabrasileiros com diabetes

PRODUTO EXCLUSIVO NO MERCADO, FREESTYLE® LIBRE NÃO REQUER CALIBRAÇÃO2, APRESENTA

RESULTADO DA GLICOSE EM TEMPO REAL E GUARDA 96 MEDIDAS DE GLICOSE A CADA 24 HORAS

São Paulo, 2 de junho de 2016 – A Abbott, empresa global de cuidados para a
saúde, lança no mercado brasileiro o FreeStyle® Libre, uma nova tecnologia
revolucionária de monitoramento de glicose para as pessoas com diabetes. Com
aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Agência Nacional
de Telecomunicações (Anatel), o produto é a única solução do mercado que livra o
paciente da rotina1 diária de picadas no dedo.

O FreeStyle® Libre é composto de um sensor e um leitor. O sensor é redondo, tem o
tamanho de uma moeda de 1 real e é aplicado de forma indolor na parte traseira
superior do braço. Este sensor capta os níveis de glicose por meio de um
microfilamento (0,4 milímetro de largura por 5 milímetros de comprimento) que, sob a
pele e em contato com o líquido intersticial, mensura a cada minuto a glicose presente
no líquido intersticial. O leitor é escaneado sobre o sensor e mostra o valor da glicose
medida em menos de um segundo.

Para fazer o monitoramento, o paciente precisa apenas passar o leitor sob
a superfície do sensor e a medida da glicose aparece na tela do aparelho.
A leitura pode ser feita mesmo sobre a roupa3. Cada sensor pode
permanecer no braço do paciente por até 14 dias consecutivos, sem que
seja necessário trocá-lo. Além disso, nenhuma picada no dedo é necessária
para a calibração2, outro diferencial importante no sistema de
monitorização contínua de glicose.

“O novo monitor contribui para que as pessoas com diabetes tenham mais liberdade
para aproveitar uma vida saudável e ativa, trazendo mais conforto à rotina de controle
da glicose”, diz Sandro Rodrigues, Country Manager da Divisão de Cuidados para
Diabetes da Abbott no Brasil.

Cada leitura do aparelho sobre o sensor apresenta um resultado de glicose em tempo
real, trazendo um histórico das últimas 8 horas e a tendência da glicose, se está
subindo, descendo ou se mantendo estável. “É muito diferente dos glicosímetros
convencionais, que conseguem registrar apenas um retrato estático do nível glicêmico
feito no momento da picada. O FreeStyle® Libre faz uma leitura contínua, o que pode
influenciar muito no acompanhamento individual do diabético e, o melhor, sem
precisar de picadas doloridas nos dedos. Ao fazer com que o paciente participe mais do
controle da doença, a tecnologia também acaba estreitando a relação médico/paciente,
o que é muito saudável”, explica Rodrigues. O leitor tem capacidade para
guardar até 90 dias de dados.

News Release
De acordo com dados da Federação Internacional de Diabetes (FDI), em todo o mundo mais de 400 milhões de pessoas têm a doença e um alto percentual vive em países em desenvolvimento4. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, já são cerca de 14 milhões de pessoas com diabetes e, a cada dia, aparecem 500 novos casos5. Segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Diabetes, com base em números do Ministério da Saúde, 90% desses pacientes são portadores do diabetes tipo 2. Os 10% restantes são do tipo 16.

O Sistema FreeStyle® Libre é projetado para atender às necessidades de todos os diabéticos, tanto do tipo 1 como do tipo 2. Voltado exclusivamente para maiores de 18 anos.

Para que o consumidor tenha prioridade na compra, basta acessar http://www.freestylelibre.com.br e preencher um cadastro. “Neste primeiro momento, optamos pela venda exclusiva online. Nosso objetivo é ter capacidade para atender, com agilidade, pacientes em qualquer região do país”, destaca Rodrigues.

As principais características do Sistema Flash de Monitoramento da Glicose – FreeStyle® Libre são:

  • Não requer calibração com a ponta de dedo.
  • Sensor resistente à água7 e descartável, que deve ser usado na parte traseira superior do braço por até 14 dias.
  • As leituras de glicose podem ser feitas várias vezes ao dia, conforme necessário ou desejado.
  • O leitor guarda 96 medidas de glicose a cada 24 horas.
  • Cada scan do leitor sobre o sensor traz uma leitura de glicose atual, um histórico das últimas 8 horas e a tendência do nível de glicose.
  • Estes dados permitem que paciente e profissionais de saúde tomem decisões mais assertivas em relação ao tratamento do diabetes. Perfil Ambulatorial da Glicose (AGP – Ambulatory Glucose Profile) A maioria das pessoas com diabetes não está atingindo seus objetivos em relação ao nível de glicose8,9,10, muitas vezes porque os dados gerados por seus medidores não fornecem uma imagem clara de onde sua glicose estava até pouco antes da leitura, ou por desconhecerem como suas ações impactam seus níveis de glicose.O Sistema FreeStyle® Libre oferece aos usuários e seus médicos o Perfil Ambulatorial da Glicose (AGP), um relatório visual de um dia típico das pessoas, utilizando os dados de glicose revelando tendências hipoglicêmicas e hiperglicêmicas para facilitar uma melhor terapia e educação do paciente. Os dados são apresentados de forma simplificada e bastante amigável, visualmente por meio de um gráfico que proporciona aos médicos a possibilidade de vincular as tendências dos níveis da glicose para auxiliar na tomada de decisão clínica, permitindo uma discussão mais produtiva entre médicos e pacientes. Um estudo recente11 conduzido pela Abbott mostrou que a precisão do Sistema FreeStyle Libre® foi clinicamente comprovada, ficando estável e consistente ao longo de 14 dias sem a necessidade de picadas rotineiras1 no dedo para calibração.

    Sobre a Abbott
    Na Abbott, estamos comprometidos a ajudar você a viver da melhor maneira possível, por meio do poder transformador da saúde. Por mais de 125 anos, apresentamos ao mundo produtos e tecnologias inovadores – em nutrição, diagnóstico, dispositivos médicos e medicamentos de marca -, criando mais possibilidades, para mais pessoas,
    em todas as fases de suas vidas. Hoje, somos 74 mil colaboradores, em mais de 150 países, trabalhando para ajudar as pessoas a viver mais e melhor.

    Presente no Brasil há 79 anos, a Abbott trabalha para proporcionar às pessoas um melhor acesso a soluções médicas e de saúde inovadoras, contribuindo para o desenvolvimento dos cuidados para a saúde em todo o país. No Brasil, a empresa emprega aproximadamente 1.400 colaboradores em áreas como produção, pesquisa e desenvolvimento, logística, vendas e marketing. As principais unidades da Abbott no país ficam em São Paulo e Rio de Janeiro, cidade onde está o parque fabril da empresa.

    Acesse http://www.abbottbrasil.com.br e fique em contato conosco pelo Facebook/Abbott Brasil.

Referências 1. Circunstâncias nas quais o teste de ponta de dedo é necessário para conferir as leituras da glicose do Sistema Flash de Monitoramento da Glicose: durante períodos de rápida alteração nos níveis da glicose (a glicose do fluido intersticial pode não refletir com precisão o nível da glicose no sangue). Para confirmar uma hipoglicemia ou uma iminente hipoglicemia registrada pelo sensor. Quando os sintomas não corresponderem às leituras do sistema flash de monitoramento da glicose. 2. Bailey, T., Bode, B. W., Christiansen, M. P., Klaff, L. J., & Alva, S. (2015). The Performance and Usability of a Factory-Calibrated Flash Glucose Monitoring System. Diabetes Technology & Therapeutics.
3. O leitor pode escanear através da roupa com espessura de até 4 mm.
4. Federação Internacional de Diabetes (FID). Off to the right start. Dia Mundial do Diabetes. Guidebook 2014. Site. [Acessado em abril. 2015]. Disponível em http://www.idf.org/sites/default/files/wdd-guidebook-2014-en.pdf
5. Ministério da Saúde. Insulinas análogas de longa ação Diabetes Mellitus tipo II. Relatório de Recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS – CONITEC – 103. 2014:15.
6. Sociedade Brasileira de Diabetes. Site do Dia Mundial do Diabetes. [Acessado em abril. 2015]. Disponível em http://www.diamundialdodiabetes.org.br/2015/04/24/dia-mundial-do-diabetes-2014-press-release-2014/
7. O sensor é resistente à água em até 1 metro de profundidade. Não mergulhar por mais de 30 minutos.
8. Davies M. The reality of glycaemic control in insulin treated diabetes: defining the clinical challenges. Int J Obes Relat Metab Disord 2004;28 Suppl 2:S14–22. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15306833
9. Del Prato S, Felton AM, Munro N et al. Improving glucose management: 10 steps to get more patients with type 2 diabetes to glycaemic goal. Int J Clin Pract 2005;59:1345–55. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16236091
10. Alvarez Guisasola F, Mavros P, Nocea G et al. Glycaemic control among patients with type 2 diabetes mellitus in seven European countries: findings from the Real-Life Effectiveness and Care Patterns of Diabetes Management (RECAP-DM) study. Diabetes Obes Metab 2008;10 Suppl 1:8
11. Data on File, Abbott Diabetes Care Inc, Clinical Report: Evaluation of the Accuracy of the Abbott Sensor-Based Interstitial Glucose Monitoring System 2014
RMS ANVISA: 80146501903 / ANATEL – 4072-14-9992.

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Você só fala sobre DIABETES?

Manu e a mamãe, blogueira convidada do Viver, Fernanda Estessi, do Facebook InsulinaAmiga

Manu e a mamãe, blogueira convidada do Viver, Fernanda Estessi, do Facebook InsulinaAmiga

Fique atenta! Você já se deu conta que o diabetes permeia todos as suas conversas. Que tal um pouquinho de moderação? Vale a pena ler o texto da nossa BLOGUEIRA CONVIDADA, Fernanda Estessi, sobre o tema.

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Sabe aquela pessoa que vc pergunta: “oi! Tudo bem?” E ela te responde: “ai… Não tá tudo bem não.” E começa a fazer um relatório detalhado da vida toda? Quem curte? Pois é. É sobre isso que vou falar nesse post.

Mães já tem uma tendência natural de só falar do filho. Tudo o que vai dizer, é sobre o filho. Quando é de uma mãe prá outra, vá lá. A gente se entende. Mas pra quem não é mãe, o assunto vira um porre. Sei bem o que é isso. Adoooooro falar das minhas filhas. Todos os assuntos se encaixam pra comentar alguma coisinha sobre elas. E quando estão doentes, então? Se deixar, a gente conta até quantos ml de remédio eles estão tomando. E quando a gente tem um DM1? Aí eu vou te contar uma coisa: esse é o assunto. Mas perceba: a maioria das pessoas NÃO É DM1. A maioria das pessoas NÃO TEM DM1 na família. Então, a gente nem deveria se empolgar falando demais.

“Sabe quantas unidades de insulina meu filho toma?…” >> lembro que quando eu estava no hospital com a Manu, eu ouvia as enfermeiras dizendo que dariam x unidades pra Manu. E eu pensava… Como assim “unidades”? Antes do DM1, a gente só ouvia falar em ml. Não em unidades… Só agora é que essa tal de unidade ficou familiar e entendemos o que isso quer dizer. “A caneta… a bomba…” >> cara! Como assim “caneta”? Como assim “bomba”? Isso não era nem de longe um termo ok pra você há um tempo atrás. E, de repente, vc se vê falando que seu filho usa caneta ou que usa bomba… Isso parece papo de doido! “Depois que ele come, dou insulina pra “queimar” o carbo”…>> queimar? Queimar?? Meu docinho acordou com hipo >> sério: até dois meses atrás eu nunca tinha ouvido uma quantidade tão gigante de mães se referindo aos seus filhos como doces/docinhos.

Acredite: isso não é algo natural para as outras pessoas. Preciso manter a glicemia boa pra glicada ficar até 7 no próximo exame>> mães de DM1: pra mim e pra vc essa afirmação faz TODO SENTIDO DO MUNDO e vivemos pra que a vida deles continue assim. Mas 98% ou mais das pessoas com as quais convivemos, não fazem ideia do que é essa tal de glicada e muito menos entendem porque ela tem que ficar abaixo de 7. E só mais um dos nossos termos estranhos: “será que meu docinho tá em lua de mel?”

Tô dizendo tudo isso pra que nem eu, nem vc, mãe de um DM1, saia por aí falando da vida do seu filho desenfreadamente, como se todo mundo tivesse a obrigação de entender o que estamos falando. Nossas vidas giram em torno deles sim e dedicamos todo nosso tempo a eles. Mas a gente não pode ser a chata que só fala nisso, ok? Senão, as pessoas vão começar a se distanciar de vc e vc nem vai saber por quê. Aliás, a página InsulinaAmiga surgiu exatamente por isso. Não era justo com meus amigos virtuais dividir o que eu passava com a Manu todos os dias. Melhor escrever o que quero numa página exclusiva pra isso onde tenho a certeza de que quem quiser ler, é porque realmente se interessa pelo assunto.

É como as marcas que as lancetas deixam nos dedinhos deles. Ninguém percebe. Sério! Dá pra levar numa boa. As marquinhas só vão se tornar evidentes se vc mostrar no detalhe. E, se alguém quiser saber mais sobre isso, aí sim vc conta tudinho. Sacou? Concorda comigo?

Você já passou pela fase de negação do diabetes?

Negar a doença é bem comum no caso de diagnóstico de diabetes, mais do que se imagina. Pode acontecer tanto com quem tem o diabetes, quanto com os pais e familiares mais próximos. E pode ser bem perigoso para o tratamento.

Já sofri um pouco disso, esquecia até de tomar o medicamento. É chato depender de remédio e insulina, ter de tomá-lo todo o dia ou aplicar, fazer as medições, o controle, mas essa é a nossa realidade.

Negar a doença é agir com displicência. Não tomar os cuidados básicos. Agir como se não tivéssemos nada. Não aceitar a doença, revoltar-se.

Um ano, mais ou menos, após o diagnóstico (sou diabética há nove) andei meio revoltada com o diabetes. Para você ter uma ideia, cheguei a suspender o hipoglicemiante por conta própria, achando que eu não ia mais precisar dele, que podia me libertar de tudo. Resultado? Hemoglobina glicada lá em cima. Cai na realidade. Voltei a me cuidar.

Tem quem diga que eu sou exagerada no cuidado com a alimentação e insistem dizendo que um docinho não vai fazer mal. Sei que não e que, quem usa insulina, pode comer doces, bastando fazer contagem de carboidrato. Mas tenho diabetes MODY, não  uso insulina. Prefiro evitar carboidratos simples, o uso de açúcar. Conheço diabéticos que comem escondidos, sem qualquer controle ou contagem. Escondido de quem? Só se for de si mesmo. Tem quem diga que se comer com vontade não faz mal. O pior é se fazer de vítima, deixando os familiares e amigos apiedados.

A melhor coisa é falar dessa sua dificuldade em encarar o diabetes como algo que merece cuidados. Fale com os amigos, com uma pessoa da sua confiança, procure um psicólogo, se necessário, e não deixe de comentar com o seu médico sobre isso. Ele pode te ajudar. E respeite o seu tempo de assimilar essa nova realidade, mas sempre se cuidando.

Aceite, encare, e tome os cuidados básicos. Vale a pena, por uma vida mais saudável.

E, você, já passou pelo estado de negação do diabetes? Como foi?

Originalmente publicado na minha coluna no blog Educação em Diabetes.

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Se você curte o blog, vote no Prêmio Top Blog 2012. Ajude a colocar o diabetes no topo do pódio!

Diabetes: cuidar hoje para viver mais e melhor

A gente sempre promete as mudanças para a segunda-feira. Vou fazer uma proposta diferente. Que tal mudar hoje, neste exato momento? Você queria só mais um final de semana para aproveitar? Um só? Talvez você ganhe muito mais do que isso se começar a mudar seus hábitos já. É muito provável que você seja beneficiado com uma vida mais longa, saudável, com muitos e muitos finais de semana para aproveitar, das mais diversas formas, com aqueles que você ama. Precisamos, sim, de um pequeno esforço.

Mudar hábitos de vida nunca é fácil, mas vale a pena. Medir a glicemia em jejum, e uma o duas horas após as refeições, controlar a alimentação, dando preferência para os carboidratos compostos – pães, massas, biscoitos integrais, por exemplo -, fazer contagem de carboidrato, principalmente quem faz uso de insulina, comer em intervalos de no máximo três horas, usar menos o carro, andar mais a pé, deixar o elevador e subir ou descer pela escada, descer do ônibus um ponto antes. Quando menos esperarmos, vamos ter somado os nossos 30 minutos de atividade física, essenciais para o controle glicêmico.

Conheço muitos diabéticos tipo 2 que não têm glicosímetro e raramente medem a glicemia. Conheço quem esqueça de tomar remédio e quem nem liga para o controle. Diabetes é silencioso, mas tudo o que fazemos hoje vai refletir na nossa vida daqui há 20 anos, talvez mais, talvez menos. Adotar os melhores hábitos é escolher a vida, uma vida mais bem vivida. Ganhamos todos nós. Pense nisso. Bom final de semana!

Coluna de minha autoria publicada no blog “Educação em Diabetes” do dia 18/05/2012.

Já votou no Viver com Diabetes para o prêmio Top Blog 2012, categoria pessoal, saúde? Vamos lá, é  rapidinho! Clique no banner abaixo:

Cotidiano de uma pessoa com diabetes

Minha coluna publicada originalmente no blog Educação em Diabetes no dia 08/06/2012*

Ah! Este é um dos meus textos preferidos, daqueles escritos com a alma e o coração!

Todo dia ela faz tudo sempre igual
Me sacode às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã

(Chico Buarque)

Todo dia fazemos tudo igual, mas não como na música do Chico Buarque. Todo dia fazemos tudo igual, mas diferente das pessoas comuns, que não têm diabetes.

Todo dia acordarmos e mal levantamos, às vezes ainda no tempo e no espaço entre o sono e o despertar, e já estamos com o nosso companheiro de cabeceira, que não, não é um livro, é nosso medidor de glicose, em mãos. E lá vai a primeira de muitas picadinhas do dia.

Em seguida, claro, escovar os dentes, como todo ser humano, lavar o rosto, tomar um banho. E vamos para o café da manhã. Mas não sem antes aplicar insulina, ou tomar os comprimidos. É isso, para quem tem diabetes não é uma xícara de café, ou um copo de leite, ou uma fruta, a primeira substância a entrar em nosso organismo pela manhã. Ou é a insulina, ou comprimidos.

E bolsa de mulher com diabetes é muito mais completa. Ao lado da maquiagem e de todos apetrechos que carregamos lá dentro, lá está novamente o nosso companheiro, o medidor de glicose, e quem faz uso de insulina: canetas, uma para cada tipo de insulina, agulhas, uma bala ou um docinho – melhor ainda se for um glicofast – caso venhamos a ter uma hipoglicemia. Às vezes, um lanchinho, para não sermos pegas de surpresa e ficar muito tempo sem comer. É, porque não podemos nos dar ao luxo de esquecer o lanche. Os homens também têm de se virar para carregar isso tudo. Uma mochila ou a pasta de trabalho vai muito bem.

O almoço e o jantar devem ser precedidos de mais picadas. E, nos intervalos, gotinhas de sangue para ver se está tudo sob controle. Atividade física, nem que seja uma caminhada leve, deve fazer parte da rotina. O alimento deve ser bem avaliado antes de ser levado à boca. Fazer contas a cada refeição também faz parte da rotina. E as marcações glicêmicas devem ser anotadas.

Na hora de dormir, lá estamos nós com o nosso companheiro de cabeceira de novo, nosso monitor. Ajustes feitos, podemos pegar o nosso livro e finalmente nos darmos ao luxo de dormir.

Todo dia eu só penso em poder parar
Meio dia eu só penso em dizer não
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão

(Chico Buarque)

Concordemos que há de se ter muita paciência, muita disciplina e força de vontade. Afinal, temos de conciliar tudo isso com todos os demais afazeres do dia a dia de uma pessoa comum. E não é que, com o tempo, tiramos isso de letra. Quer saber? Estamos mesmo longe de ser pessoas comuns, somos mesmo é especiais.

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Texto: Luciana Oncken, jornalista e blogueira, diabética há nove anos

Todos os direitos reservados 2012 ©

 *Eu e a nutricionista Camila Faria escrevemos diariamente sobre diabetes no blog Educação em Diabetes, da Doce Vida! Acompanhem!

Viver com diabetes e o desafio de viver com saúde

É, esse é o grande desafio do diabético, seja tipo 1, tipo 2, Mody ou Lada. Não importa. Isso que nos une. O grande desafio. Viver com diabetes e manter a saúde. Viver com saúde. Cuidar do corpo para prolongar a vida. Mas talvez tenhamos que cuidar antes da cabeça, para conseguir cuidar do corpo. E quantas desculpas temos para não cuidar de nenhum dos dois!

Por que cuidar da cabeça, da mente? Porque antes de tudo é preciso aceitar a doença. Não digo que não devamos ter esperanças de cura, mas isso não significa negar a doença a ponto de se descuidar e se prejudicar. Comportamentos de risco levam a situações de risco. Levam a complicações que tiram a nossa qualidade de vida.

Este ano, completo nove anos de diabetes. Nove anos exemplares? Não. Não mesmo. Essa doença não é fácil não. Esse negócio do mau invisível, do fogo amigo, é complicado! Contribui para que tenhamos um comportamento meio suicida. Suicida? Sim, não é exagero. Se eu sei que tenho uma doença, que se eu agir de determinada forma isso vai me prejudicar, vai me levar a enfrentar problemas, e consequentemente à morte, que comportamento é esse?

Isso é uma autocrítica. Hoje: 141 de jejum. Alguma coisa está errada. Não estou me comportando como deveria. Está na hora de rever tudo em busca do desafio de viver com diabetes com saúde!

E você, como tem se comportado? Qual é a sua maior dificuldade?