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Diabetes, gravidez, filho, viver a vida…

Hoje, levei o Lucas ao pediatra. Saí de lá feliz da vida. Ele está ótimo, com 5,850 gramas e 59,5 cm. Completou três meses no dia 19. Brinco que é a maioridade dos bebês. É quando eles podem começar a sair um pouco mais, a badalar por aí (risos).

Estou para escrever isso desde o Dia Mundial do Diabetes, 14 de novembro. Disse que não havia o que comemorar no tal dia. Mas quer saber? Há sim. Eu tenho muito o que comemorar. Por ter chegado até aqui, por viver esses seis anos com diabetes, por ter me cuidado neste período, por ter descoberto uma outra Luciana: forte, capaz de reverter algo negativo em algo positivo nessa vida. Eu já vivia bem com diabetes, mas ter criado este blog foi um passo imenso. Saí do casulo. Eu, que sempre fui tímida, consegui me expor, e não me arrependo nem um bocado. Os comentários que recebo aqui são o gás, o combustível para eu seguir em frente.

Este 2009 foi particularmente especial. A gravidez sempre me assustou um pouco. Passar de remédio a insulina. Uma dificuldade para mim, porque sou meio indisciplinada com medicamentos. Passar de um controle semanal a oito picadinhas por dia. Policiar-me para não ficar a tarde inteira trabalhando e esquecer o lanchinho. Mas consegui. Consegui porque sabia que havia um outro ser, dentro de mim, que dependia disso tudo para se desenvolver bem. E segui à risca.

Corri atrás do prejuízo (modo de dizer, porque quando me descobri grávida ainda não tinha começado o tratamento com insulina), e foram oito meses ali, na rédea curta. Houve momentos de medo, sim. Principalmente durante a viagem que fiz aos Estados Unidos, quando o controle glicêmico ficou um pouco mais difícil. Tive umas crises de choro. Passei também por alguns problemas no trabalho, que me fizeram sofrer um bocado. Mas o meu Lucas me dava força para seguir adiante.

Hoje, meu presentinho de Deus está ali no quarto ao lado, dormindo. Chegou apressadinho, com oito meses, mas veio forte e com saúde. Por isso, eu recomendo para as diabéticas que querem ser mãe: sejam! É o máximo.

Eu digo para aqueles que acham que o diagnóstico de diabetes é o fim: é difícil, mas pode ser o começo.

E viva a vida! E vivam a vida!

Atendendo a pedidos, apresento o Lucas

A cara do pai!

A cara do pai!

Gente, este é o meu pequeno grande Lucas, “O Esfomeado”, em três momentos. A foto que ele está de vermelho é de quando saímos da maternidade.

Frio!

Frio!

Indo para casa.

Indo para casa.

40 dias!

Ontem, o Lucas completou 40 dias de vida. Ele está ótimo, crescendo muito, engordando bem. Tudo a base do leite materno. Inocentemente, quando estava grávida, achei que ia ter tempo, quando ele nascesse de atualizar com frequencia o blog. Acontece que ele acorda de duas em duas horas para mamar, depois fica no peito uma hora ou mais. Ou seja, tenho intervalos de uma hora em que eu tenho de conciliar um monte de coisas, mas vale muito a pena. Porque vejo que ele está bem, está com saúde e isso me tranquiliza.

Ele tem tido cólicas. Sei que é normal, mas dá uma peninha. E, aí, toca ficar com ele no colo (uma delícia senti-lo junto ao meu corpo). Vida de mãe de primeira viagem é assim.

Não tenho feito tantos controles como antes. Aliás, estou muito longe dos cuidados que tinha durante a gravidez. Continuo sem tomar remédios. Tomo pouca insulina rápida para correção. Mas meu jejum já não está aquela maravilha, como estava logo que o Lucas nasceu. Acho que são as noites em claro.

Minha recuperação tem sido excelente…

(tive de interromper durante 40 minutos este post para dar de mamar, colocar para arrotar e deitá-lo no bercinho).

… Como dizia, minha recuperação tem sido excelente. Minha médica disse que o meu útero já está pronto para a próxima gravidez (risos). Vamos com calma!

O que sinto é que tenho de me cuidar melhor. No momento, todas as minhas atenções estão no meu pequeno, mas eu quero vê-lo crescer, ser pai… quem sabe, avô, ou ser, simplesmente, o que ele escolher ser. Por isso, tenho de me cuidar.

Uma doce mãe

O Dia das Mães está chegando. Será o meu primeiro. O meu baby ainda está na minha barriga, mas já me considero bastante mãe. Já mudei muitas coisas na minha rotina porque penso no bem-estar dele. Tenho ido trabalhar mais cedo para sair mais cedo e dedicar-me a outras coisas, como ir à academia e jantar mais cedo. Tenho me exercitado mais, porque faz bem para nós dois. Mudei a ginástica para o final da tarde, porque me sinto mais relaxada, e isso também beneficia ambos. Tenho respeitado mais os horários de refeição. Tenho me estressado menos com coisas pequenas. Tenho suportado melhor as adversidades. Estou mais dedicada ao lar (parace coisa antiga, né?). Enfim, percebo várias mudanças que vão muito além das mudanças do meu corpo. Que, por sinal, de uma semana para cá, também tem mudado muito. De repente, a barriga surgiu!

Não sei o tipo de mãe que eu serei depois dele nascer, só sei o tipo que eu quero ser, mas a gente sabe muito bem que, na prática, as coisas podem ser muito diferentes. O que sei é que sou uma mãe literalmente doce. Todas nós, mães diabéticas, somos. E preferíamos sermos doces apenas no comportamento, não é mesmo? Mas a vida está aí, com os desafios que precisamos enfrentar de cabeça erguida, com força e coragem. Vamos transformar essa docura física em docura comportamental. Viveremos mais e melhor.

Mães doces, como eu, parabéns por conseguir administrar tudo e mais um pouco!

Diabetes e gravidez: O segredo

Capítulo 3: O segredo

No início, a gravidez foi um segredinho gostoso entre meu marido, eu e o bebê. Claro, as minhas médicas também sabiam. Quando fiquei sabendo, estava na casa da minha mãe, mas só queria contar para ela depois do primeiro ultrassom e depois de contar para o meu marido. E queria contar pessoalmente para ele.

Estava com uma baita dor de garganta. Acho que foi efeito da viagem e do choque térmico. Fui ao pronto-atendimento com a minha mãe, mas consegui convencê-la a não entrar comigo. Disse para ela ficar tranquila, lendo. E ela aceitou a minha proposta. Ainda bem, porque teria de falar para o médico sobre a gravidez, para que ele receitasse o medicamento adequado.

Ainda bem que não era nada demais e eu não precisei tomar nenhum remédio mais forte. Depois, quis dar uma passadinha no shopping. Queria comprar alguma coisa de bebê para dar de presente para o meu marido. E lá foi a minha mãe querida junto comigo. Ficava me sentindo meio culpada de não contar para ela. Comprei um body branco com a frase: “I love dad”. Era perfeito. Bem pequenininho. Muito fofo.

Chegando em casa, dei o pacote para ele. Ele estranhou um presente assim, fora de época. Quando abriu, ficou encantado. E curtimos aquele momento nosso, tão nosso. Lindo!

*hoje, não falei nada sobre o diabetes, mas sobre o momento mágico da descoberta da gravidez, que é igual para qualquer mulher, diabética ou não.