Arquivo da tag: contagem de carboidrato

Manual de Contagem de Carboidrato para download

Muita gente me pergunta sobre contagem de carboidrato. Vale muito a pena conhecer. E a Sociedade Brasileira de Diabetes disponibiliza, em seu site, para download, o Manual de Contagem de Carboidrato. Clique no link abaixo para ter acesso:

– Manual de Contagem de Carboidrato da SBD

Contagem de Carboidrato

livro

De tempos em tempos, volto neste tema: contagem de carboidrato. Quem tem interesse sobre o assunto, já pode tirar as dúvidas com o livro “Contagem de Carboidratos e Monitorização – 101 respostas”, que acaba de ser lançado pela Editora Metha. De autoria das nutricionistas Luciana Bruno e Gisele Rossi Gouveia, da enfermeira Paula Pascali e de outros profissionais, o livro é o resultado de mais de 10 anos de experiência no acompanhamento de pacientes diabéticos. Não li ainda, mas o formato de pergunta e resposta parece ser bastante didático e interessante para responder as principais dúvidas de forma eficiente.

Para o tratamento do diabetes, procure, sempre, um profissional especializado

Vou postar aqui alguns dos comentários que recebo, com a respectiva resposta. A Mirtes, 23 anos, está preocupada com o irmão, diabético tipo 1, de 29 anos, e me encaminhou a seguinte mensagem:

“Eu queria saber como ajudar meu irmão. Ele tem 29anos e tem diabetes mellitus tipo 1 e ele não faz uma alimentação correta. Ele refere que comida diet é muito ruim e eu queria saber como eu poderia fazer um cardápio semanal legal para ele, que não seja muito caro. Meus irmão são tudo para mim, por isso que eu peço que responda, eu queria poder levá-lo no dia mundial do diabete, mas em São Caetano é contra mão de onde moramos. Espero respostas, agradeço desde já e uma boa noite.”

Mirtes, entendo a sua preocupação. Meus irmãos também são muito importantes para mim. Somos em cinco. Olha, em primeiro lugar, para você ajudá-lo, ele precisa querer ser ajudado. Aqui, neste blog, eu coloco algumas dicas de produtos diet que são muito bons. Talvez ele tenha um preconceito em relação à alimentação dietética. Eu não sou médica, nem nutricionista, sou só uma pessoa com diabetes, compartilhando a minha experiência.

Procure a Associação Nacional de Assistência ao Diabético, a Anad, marque uma consulta para ele com um endocrinologista. Lá, eles também tem atendimento psicológico, nutricionista, entre outros profissionais que podem auxiliá-lo. Outra sugestão é procurar a Liga de Controle da Diabetes da Faculdade de Medicina do ABC, telefone: (11) 4393-5400.

Uma dieta interessante para ele talvez seja a “contagem de carboidrato”. Com a contagem, é possível fazer uma alimentação bastante equilibrada, econômica e com a inclusão de alguns docinhos, de vez em quando. Mas só quem pode orientar e montar o cardápio com base na necessidade de seu irmão é um endocrinologista.

Entre o no site da Anad: www.anad.org.br e informe-se.

“Sou apaixonada por Diabetes”

Nezeli

Por Luciana Oncken

Você acredita que alguém pode amar o diabetes? Não? Mas essa pessoa existe e seu nome é Nezeli Fagundes. Hoje com 42 anos, descobriu a doença no dia do seu aniversário de 35 anos, em 5 de abril de 2000. Nezeli é de Itararé, interior de São Paulo, é funcionária pública.

Confira a entrevista que Nezeli concedeu ao Viver com Diabetes:

Viver com Diabetes: Como descobriu a doença?
Nezeli Fagundes: Dois meses após ter me casado, diante do emagrecimento que estava ocorrendo, e que nunca havia acontecido em minha vida, decidi procurar um clínico geral. A primeira desconfiança dele foi diabetes.

VD: Qual foi sua reação?
Nezeli:
Na hora, achei que simplesmente não poderia consumir açúcar; comprei refrigerantes diets, comecei a tomar um hipoglicemiante e achei que tudo estava certo. Não tinha conhecimento algum da doença. Somente três meses depois, diante da advertência de um ginecologista, durante consulta de rotina, busquei um endocrinologista. Foi aí que vim a saber que hipoglicemiantes não seriam eficientes no meu caso e que deveria tomar insulina. Aí, sim, fiquei assustada, pois tinha verdadeiro pavor de agulhas. Quinze dias depois, estava auto-aplicando insulina. Mesmo assim, ainda tinha pouquíssimo conhecimento a respeito do problema. Meu controle melhorou. Somente três anos depois vim a conhecer meu atual endócrino, que teve papel decisivo em minha vida.

VD: Qual foi a importância do médico e dos profissionais de saúde no processo?
Nezeli:
Acredito que os profissionais de saúde, em particular o endocrinologista, são de suma importância na vida de um diabético. Eles têm conhecimento a ser transmitido; e a informação é tão importante quanto a medicação, na condução do diabetes. Infelizmente, a maior parte dos profissionais de saúde estão pessimamente informados a respeito do que seja DM. Apenas os endócrinos têm uma visão real do que seja esta doença. No interior de nosso Brasil, seja nordeste, leste, sul, sudeste, a maior parte das cidades não dispõe de endócrinos. E os diabéticos são atendidos por clínicos gerais, que não têm a menor idéia que espécie de tratamento aplicar. Não esquecendo que cada paciente precisa ser analisado e a ele aplicado um tipo de tratamento. Exemplifico aqui um ocorrido: quando decidi buscar amparo no Sistema Público de Saúde, o médico que atendia diabéticos na cidade onde resido era um gastro; ele confessou não saber o que fazer com meu caso, visto que não era especialista em DM. Quando discorri a respeito de minha condição (DM I, apesar de ter desenvolvido a doença já adulta), outros profissionais de saúde que me atenderam (enfermeira, farmacêutica), discutiram a respeito, visto que eu era adulta e era impossível eu ser DM tipo 1! (Nezeli é portadora do Diabetes Lada, um diabetes auto-imune que se desenvolve em adultos).

VD: Qual foi o papel da sua família?
Nezeli:
Graças a Deus, meu esposo me ajuda; ele tem acompanhado todo o processo de tratamento, tendo bom conhecimento a respeito da doença, colaborando não só comigo, mas com outras pessoas também diabéticas.

VD: Como foi a aceitação da doença?
Nezeli:
Quando soube que precisaria de insulina, revolta total.

VD: Você passou por alguma fase de negação?
Nezeli:
Não. A primeira fase foi de ignorância total a respeito da doença e não aceitação da insulina, num primeiro momento. Depois de 15 dias, quando comecei a me aplicar sozinha, tudo se transformou.

VD: Como é o seu controle?
Nezeli:
Há 2 anos, faço contagem de carboidratos. Foi a melhor opção, acredito eu, que fiz como tratamento até hoje; tenho controle 99,99% sobre as taxas e, ao mesmo tempo, posso me alimentar com liberdade.

VD: Quais sua opinião sobre o acesso à informação e a importância de fazer parte de comunidades para compartilhar experiências?
Nezeli:
Sem dúvida alguma, como já disse, a informação é importantíssima. Não tem como conduzir DM sem conhecimento a respeito. Infelizmente, a grande maioria dos diabéticos é totalmente ignorante a respeito da doença. E não resta dúvida que a internet tem grande papel nesse quesito. Além de proporcionar acesso, também nos aproxima de outros companheiros.

VD: Como é o tratamento e o acesso a medicamentos?
Nezeli:
Em toda a região, há apenas 2 endocrinologistas. Os centros de saúde não dispõe destes profissionais; somente um deles faz treinamento para pessoal de Programa de Saúde da Família. Na maioria dos casos, o acesso a insumos é bem deficiente. A maioria disponibiliza um quadro reduzido de hipoglicemiantes; insulinas, somente NPH. Nem todos os municípios oferecem glicosímetros. Aqueles que oferecem, o fazem somente para DM I. A Lei que nos faculta atendimento total é cumprida parcialmente.

VD: O que fez diferença na sua história?
Nezeli:
Acredito que o grande milagre em minha vida foi o encontro com o endocrinologista: Ailson Faria de Souza. É ele o responsável pelo meu engatinhar, primeiros passos e caminhada no diabetes. Hoje posso dizer que sou uma apaixonada por diabetes.

Contagem de carboidrato. Você conhece?

Amanhã vou assistir à palestra que teremos na Associação Paulista de Medicina, onde eu trabalho, e trarei mais novidades sobre o que devemos e o que não devemos comer. Mas posso adiantar que uma dieta baseada em contagem carboidratos vai muito bem no nosso caso. Principalmente para os que não abrem mão de um docinho. Vocês devem estar pensando que eu fiquei louca. Afinal, como pode um diabético não abrir mão de um doce. Aí é que está: pode. A contagem de carboidrados permite a combinação de diversos alimentos. Quase todos os alimentos possuem carboidrato. Você deve consultar o seu médico para sabe qual é a quantidade diária mais apropriada para você. Cada pessoa tem uma dosagem indicada. Existem manuais de contagem de carboidrato que podem auxiliá-lo na elaboração de um cardápio. O próprio site da Sociedade Brasileira de Diabetes – SBD (www.diabetes.org.br) traz o manual para download. Basta baixar. Mas você também pode solicitar ao seu médico. Com o manual em mãos, você deve observar a quantidade de carboidrato de cada alimento. Assim, você fica sempre de olho no valor máximo de carboidrato que o médico indicou como adequado no seu caso. Isso permite incluir um brigadeiro na dieta e maneirar na massa, por exemplo. Informe-se com seu médico. Visite os sites da Anad (www.anad.org.br) e da SBD e confira mais informações.