Arquivo da tag: depoimento

Histórias de vida de um diabético: um depoimento que me emocionou

São depoimentos assim que dão significado a minha vida, a este blog, dão sentindo até ao fato de “eu ter sido escolhida” para ter essa doença chamada diabetes. Acordei, ainda tristonha com muita coisa que vem acontecendo, e feliz por tantas outras, a maior delas, o filho que carrego na barriga e que logo estará nesse mundão, e me deparei com este lindo comentário da Camila Brandão. Comentário que merece destaque, porque tenho certeza que vai inspirar muita gente. Obrigada Camila, por fazer este dia cinzento mais colorido:

Já é tarde. Achei o seu blog procurando receita de picolé diet. As coisas que o Google faz por nós… Li tudinho que você escreveu. De cabo a rabo. E os comentários do pessoal também. E me fez bem.

Tenho diabetes tipo 1 há 14 anos. Hoje tenho 23. E estou passando por uma fase bem difícil da vida de um diabético. Me formei em arquitetura no ano passado e isso significou, em alguma instância, virar adulta de verdade. Passei os cinco anos da faculdade fingindo que meu diabetes não existia. Tomava minha insulina, mas não monitorava minha glicemia e muito menos minha alimentação (leia-se “começão” e “bebeção” excessivos). Por inúmeros motivos estava bastante deprimida, e ainda estou me esforçando bastante pra melhorar nesse aspecto, mas tenho em mente que o motivo principal dessa minha depressão era o meu descuido com o meu diabetes, a minha falta de compromisso comigo mesma e com os meus pais, que tanto querem o meu bem.

Depois de um episódio bastante desagradável levei um puxão de orelha “daqueles” dos meus pais. Marquei uma consulta com o meu endócrino para levar uns exames que tinha feito há uns três meses e levei puxão de orelha dele também. Sem questionar em nenhum momento o que eles todos me falaram, resolvi mudar de vida; resolvi mudar de posição em relação a ela. Resolvi que queria vivê-la da melhor maneira possível, e não só da maneira mais divertida. Porque a gente sabe que 8 picadinhas diárias no dedo e mais x aplicações de insulina por dia não são a coisa mais divertida do mundo. E nem contar quantos carboidratos tem em cada colher daquele macarrão que você tanto gosta. Mas a gente também sabe que isso tudo só faz bem pra nossa cabeça e pro nosso corpinho. Tanto que o que era pra ser uma chatice sem fim só está me deixando mais satisfeita comigo mesma, fazendo eu me sentir mais realizada e muito menos frustrada.

O caderno com as anotações de alimentação e monitoramento de glicemia já recebeu várias cores para cada coisa: hipo, hiper, meta, exercício, contagem de cho. A natação e caminhada são mais do que um simples exercício; viraram o tempinho do dia de colocar os pensamentos no lugar, organizar o dia seguinte, planejar a vida a curto e longo prazo. O que acaba melhorando aquela depressão chata. E acaba dando mais vontade de fazer todas essas coisas boas.

É claro que nem tudo são rosas. Ainda estou passando por várias provações, dificuldades…mas como você escreveu algum dia, não precisa pintar de cor-de-rosa, mas colocar uma lente colorida não faz mal nenhum. E o seu blog fez isso por mim. Me deixou de olhos verdes!!! Me fez ver que eu não sou a pior pessoa do mundo por dar uma escorregada de vez em quando, e que isso tem como consertar. Me mostrou que tem um monte de gente que passa pelas mesmas coisas e sente as mesmas coisas que eu. Me fez perceber que viver com diabetes pode e deve ser uma doçura só!!! Porque afinal de contas, é isso que nós diabéticos somos: pessoas com doçura de sobra!!! Desculpa ocupar tanto espaço no seu blog…até parece que ele é meu, com um texto desse tamanho…

Mas depois de ler tudo que foi escrito nestes dois anos e tanto eu fiquei inspirada!!!

Obrigada!!!

Diabetes e Gravidez: primeiras providências

Capítulo 2: Primeiras providências

Minha primeira reação, ao confirmar a gravidez, não foi contar para a minha mãe ou para o meu marido, mas, sim, contar para as minhas médicas: Dra. Fernanda, ginecologista e obstetra, e Dra. Cíntia, endocrinologista. Estava muito feliz, mas, ao mesmo tempo, apreensiva. Na desconfiança da gravidez, antes mesmo de voltar a São Paulo, havia suspendido o remédio que tomo diariamente. Minha glicemia andava bem descontrolada para os meus padrões. E isso me assustava um bocado.

Liguei para a Dra. Cíntia. Ela estava prestes a viajar de férias. A minha sorte foi que consegui pegá-la antes. E, na manhã do dia seguinte, ela me atendeu em seu apartamento. Passou as informações sobre a insulina, deixou-me um telefone para falar com uma colega dela, que estaria à disposição na sua ausência, de uma semana. Ela mesma ficou apreensiva por não poder me acompanhar justo na semana de estreia da insulina.

Não tinha como. Fiquei, sim, um pouco assustada. Tive, também, dúvidas em relação à alimentação. Coisa que eu nunca tinha sentido antes. Sempre fui bastante equilibrada e sempre soube o que comer. Mas, de repente, parecia que eu havia esquecido tudo. A Dra. Cíntia indicou-me uma nutricionista, a Alessandra. Era uma sexta-feira, marquei para segunda.

Decidi começar a insulina no domingo. No sábado, levantei cedo para ir à Anad – Associação Nacional de Assistência ao Diabético. Queria comprar todos os apetrechos necessários lá, porque sabia que eles teriam alguém que me explicasse como usar.

A Dra. Cíntia receitou-me dois tipos de insulina. Uma, de ação prolongada, chamada Humulin; e outra, de ação mais curta: Humalog. A  Humulin, eu tomaria duas vezes por dia. De manhã, ao acordar, seis unidades; à noite, antes de deitar, quatro unidades. A Humalog seria apenas para quando o exame de destro (ponta de dedo) registrasse taxa acima de 110. Conforme a glicemia, eu deveria tomar um número diferente de unidades. Ela estabeleceu minhas metas, bastante rígidas para o controle glicêmico.

Não fazia nem ideia de como aplicar, por isso comprei todo o necessário: a caneta, as agulhas e as insulinas na Anad. E pedi ajuda. Queria saber exatamente como fazer. A enfermeira da Anad levou-me a uma sala reservada, onde me explicou o passo-a-passo: poderia aplicar na barriga (na linha do umbigo, com três dedos de afastamento de cada lado), formando uma dobra com os dedos, e nas laterais externas das coxas ou dos braços.

Ela também me explicou que as insulinas só poderiam ficar 30 dias na caneta. Se até lá eu não usasse tudo, adeus insulina. No caso da Humalog, não iria usar mesmo. É necessário trocar mensalmente o refil, mesmo que esteja cheio. É o que eu tenho feito. Saí de lá até segura. Parecia simples.

Antonise tem diabetes e é mulher guerreira, preside a Associação dos Diabéticos do São Francisco, em Petrolina

Querida Luoncken [Luciana Oncken],

Recebo noticias do Portal Diabetes e vi sua foto sorridente e quis ler a matéria. Achei sensacional a sua iniciativa. Precisamos aproveitar esta ferramenta para nos conhecer mais e melhor, bem como ter a oportunidade de partilhar sentimentos, conflitos e alegrias ao conviver com a diabetes. Em dois meses estarei com 40 anos, e como mulher sertaneja, tenho aprendido muito a conviver com a minha diabetes nesses treze anos. Insulino-dependente, valorizo a participação em grupos, por isso atualmente sou presidente da ADISF – Associação dos Diabéticos do São Francisco, aqui em Petrolina. Em todos esses anos, vejo que a minha história de vida é semelhante a de outras mulheres guerreiras que lutam pela felicidade e não deixam o desânimo e a glicose atrapalharem. Tem sido assim comigo. Hoje me sinto uma mulher bastante feliz, realizada profissionalmente, sou professora universitária, gosto de compartilhar minhas experiências e acredito no amor. Às vezes, quando algo vem tentar atrapalhar, reajo e ressurjo mais forte. E a minha vida tem sido de grandes vitórias. Quando faço as minhas caminhadas ou deixo de comer algo como, por exemplo, farinha de mandioca, não fico mais triste ou culpada. Estou aprendendo a fazer escolhas, a cuidar mais de mim.
É muito bom se sentir mais confiante. Por isso, gostei demais do que você escreve e compartilha. Espero ter a sua amizade. Também participo da comunidade “Sou diabética, massou feliz”. Inclusive, vou colocar mais comentários.
Um abraço carinhoso,
Antonise ( meu nome mesmo)
**

Antonise,

Que alegria receber mensagens como a sua. É esse o objetivo do meu trabalho, por meio da identificação encontrar o apoio que precisamos para continuar feliz e seguir em frente. O seu depoimento mostra como é possível levar a vida de uma forma mais leve, sem ficar pensando que o diabetes atrapalha a sua felicidade. A forma como você lida com o distúrbio é uma mostra de como você lida com a vida. Obstáculos, encontramos todos os dias. Um encontram uma pedra no meio do caminho e param, sentam, e ali ficam, pensando que não podem ir adiante, porque aquela pedra não permite. Outros, encontram a pedra e a escalam. Passam por cima, quase caem, voltam a tentar passar. Escorregam, mas continuam em frente, tentando. Até que conseguem.

A vida é assim. Podemos parar na primeira pedra que encontramos, na segunda, ou na terceira. Mas e se fizermos isso, onde chegaremos? Umas pedras são mais fácil de passar. Principalmente quando nos damos rapidamente conta da sua presença.

Fico pensando que o diabetes, para algumas pessoas, é como aquele pedregilho. Pedras pequenas, mas chatas. Pedregulhos podem entrar no sapato e ficar a nos importunar, machucando devagarinho, sem que se quer percabamos o que é. E vamos deixando pra lá. O que começou pequeno e silencioso, discreto, se não estivermos atentos, vai nos corroendo aos poucos, até que começam as complicações. E o pedregulho se transforma numa pedra quase intrasponível.

Outros já vêem o diabetes, logo de cara, como uma pedra grande. Rapidamente se dão conta do tamanho do problema. E planejam formas de escalar aquela pedra, um pouco por dia, com todos os cuidados necessários para não se machucar. Às vezes, mesmo tomando diversas precauções, se machucam um pouco. Param, analisam as dificuldades, tomam outras precauções e seguem em frente.

Mas há também os que ao se depararem com esta pedra, a consideram tão gigantescas que nem tentam ultrapassá-la. Ficam no pé, esperando por uma milagre que as levem até o outro lado para que continuem o caminho.

Têm os que vivem um pouco por dia. Essam pessoas encontram várias pedras de tamanho médio espalhadas pelo caminho. Para elas, essas pedras têm um tamanho tranqüilo, e elas conseguem ir saltando uma de cada vez, tomando cuidado para não pisar direto na próxima e cair. Às vezes, caem. Levantam, sacondem a poeira e continuam. Saltando uma pedra por vez. Os que ao se depararem com um caminho cheio de pedras e tentam pular todas de uma só vez, apressados para terminar logo com aquilo, correm o  risco de uma queda feia.

Isso nos faz pensar como temos levado a nossa vida e como temos encarado o diabetes. Como um pedregulho, ao qual não damos importância, até que ele nos machuca? Como uma grande pedra que escalamos com cuidado, sujeitos aos riscos normais na nossa vida? Ou vamos encarando como aquelas pedras perfeitamente transponíveis, que saltamos, uma por vez?

Boa semana!

Estou na Revista Sabor & Vida Diabéticos

svd20-baixa198.jpg

 

Oi, leitores! Ando meio em falta com vocês. Final de ano fica tudo mais complicado. Muito trabalho, muita confraternização, clima de festa, preguiça de parar para escrever. Este mês, saí na revista Sabor & Vida Diabéticos. Como já disse aqui, a revista é excelente. E tem umas receitas bem bacanas. Meu depoimento saiu na seção: “Eu convivo bem”.

Estou no Portal Diabetes

Portal Diabetes

Esta semana, foi publicado um depoimento meu no Portal Diabetes, que aliás tem um conteúdo muito interessante para portadores de diabetes tipo 1 e tipo 2. É bem completo, com informações sobre leis, direitos, alimentação saudável… Vale a pena conferir.

Clique aqui para ler o meu depoimento.