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Diabetes e gravidez: O segredo

Capítulo 3: O segredo

No início, a gravidez foi um segredinho gostoso entre meu marido, eu e o bebê. Claro, as minhas médicas também sabiam. Quando fiquei sabendo, estava na casa da minha mãe, mas só queria contar para ela depois do primeiro ultrassom e depois de contar para o meu marido. E queria contar pessoalmente para ele.

Estava com uma baita dor de garganta. Acho que foi efeito da viagem e do choque térmico. Fui ao pronto-atendimento com a minha mãe, mas consegui convencê-la a não entrar comigo. Disse para ela ficar tranquila, lendo. E ela aceitou a minha proposta. Ainda bem, porque teria de falar para o médico sobre a gravidez, para que ele receitasse o medicamento adequado.

Ainda bem que não era nada demais e eu não precisei tomar nenhum remédio mais forte. Depois, quis dar uma passadinha no shopping. Queria comprar alguma coisa de bebê para dar de presente para o meu marido. E lá foi a minha mãe querida junto comigo. Ficava me sentindo meio culpada de não contar para ela. Comprei um body branco com a frase: “I love dad”. Era perfeito. Bem pequenininho. Muito fofo.

Chegando em casa, dei o pacote para ele. Ele estranhou um presente assim, fora de época. Quando abriu, ficou encantado. E curtimos aquele momento nosso, tão nosso. Lindo!

*hoje, não falei nada sobre o diabetes, mas sobre o momento mágico da descoberta da gravidez, que é igual para qualquer mulher, diabética ou não.

Diabetes: prevenção e informação – Parte 1*

Nesta primeira reportagem sobre diabetes, a importância do acesso à informação e ao atendimento multiprofissional, a necessidade de investimento em programas de educação continuada em diabetes e o falta de um programa de atendimento integral ao paciente diabético são alguns dos temas tratados

LUCIANA ONCKEN

Cheguei ao Colégio Madre Cabrini, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, por volta das 10h da manhã. Do lado de fora, uma fila bem organizada. Voluntários preenchiam as fichas das pessoas interessadas em passar pela triagem do diabetes. Naquele dia 11 de novembro, um domingo ensolarado e quente, mais de oito mil pessoas passaram pela 10ª Campanha Nacional Gratuita de Detecção, Orientação, Educação e Prevenção das Complicações em Diabetes. Eu era uma delas. Sou diabética tipo 2 há quatro anos. Não era a minha primeira vez por ali. Em 2002, passei pela triagem, mas ainda não era diabética e voltei para casa com um resultado satisfatório: 92 mg/dl em jejum.

Após responder o questionário de uma das voluntárias, fui em direção a uma das mesas montadas no pátio interno do colégio. Simpáticas, furaram o meu dedo com a pistola do glicosímetro (todo o material havia sido doado pela Roche, fitas e agulhas). Resultado: 139 mg/dl. Foi o bastante para colarem etiquetas de todas as cores na minha roupa. As etiquetas representavam os exames pelos quais eu deveria passar: pressão, colesterol, fisioterapia, podologia, oftalmologia, odontologia, hemoglobina glicada, orientação nutricional e de atividade física.

Em primeiro lugar, passei por uma entrevista com um médico, que me orientou a dar continuidade no meu tratamento. Fui passando de área em área, sempre muito bem atendida. E conversei com algumas pessoas, em especial, com aquelas que haviam descoberto ali o diagnóstico do Diabetes. A maior parte parecia um tanto descolada. Não tinham muita noção do que é a doença, o que causa, e quais as suas conseqüências. Muitas estavam lá por acaso, porque ouviram falar da campanha nos meios de comunicação. Ou porque um amigo chamou.

O seu Afonso Pereira, de 52 anos, por exemplo, encontrou com um amigo na padaria, ali próximo. Como não tinha nada para fazer, o acompanhou até o local da Campanha, onde se descobriu diabético. O amigo foi embora. Ele ficou para os exames. Ainda um pouco perplexo com o resultado e sem saber o que fazer, ia sendo orientado pelos profissionais da saúde que dispuseram voluntariamente de seu tempo para atender, esclarecer e orientar as pessoas.

O presidente da Anad, o médico endocrinologista Fadlo Fraige Filho, destacou a importância do trabalho de cerca de 500 voluntários: médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, farmacêuticos, dentistas, fisioterapeutas, podólogos, professores de educação física, estudantes de diversas áreas. “Sem eles, não conseguiríamos, esse trabalho não seria possível.”

Para ele, campanhas como esta têm a importância de alertar as pessoas para a doença, mas também o setor público para estruturar melhor o atendimento ao diabético no Sistema Único de Saúde, já que o mesmo não prevê um atendimento multiprofissional, como o que estava sendo oferecido ali. O lema da campanha é “um dia em um ano”. Ou seja, todos os exames que levariam um ano para serem feitos no sistema público, ou até mesmo no suplementar, puderam ser realizados em um dia.

A Anad mostrou que é possível fazer uma espécie de “Poupa Tempo do Diabetes”, ou seja, oferecer uma estrutura que permita o diagnóstico de casos da doença, assim como das patologias associadas ao diabetes, em um só dia de atividades. “Isso mostra como é possível estruturar um atendimento que vai reverter em benefício, tanto para o setor público, como para o privado. Afinal, custa muito menos prevenir, do que tratar as complicações”, considerou o presidente da Anad.

Nos casos de primeiro diagnóstico, como o seu Adolfo, os profissionais orientavam a procurar as Unidades Básicas de Saúde para dar continuidade ao tratamento. Segundo o presidente da Anad, cerca de 50% das pessoas que têm diabetes, não sabe que têm. “O tempo entre o início da doença e a descoberta é de cinco a sete anos, tempo suficiente para as complicações se instalarem.”

O problema é que ali são diagnosticados diversos casos, cerca de 300 diagnósticos positivos. O que fazer com essas pessoas? Para as poucas que têm plano de saúde, solicitar que elas procurem um especialista. Para as muitas que não têm, orientá-las a procurar o posto de saúde mais próximo de sua casa. Mas será que a rede pública está preparada para esta demanda?

*Matéria originalmente publicada na Revista da APM, edição 585, de janeiro de 2008. Vou publicar uma retranca por dia.

Revista Crescer – Diabetes na Infância

Atenção mamães e papais! A revista Crescer traz na edição de novembro uma matéria sobre Diabetes na Infância. Por meio de relatos de quatro crianças, três portadoras de diabetes tipo 1 e uma de diabetes tipo 2, a matéria ainda esclarece como o diabetes age e sobre os principais sintomas. São pequenas histórias que mostram que, apesar das dificuldades, as crianças conseguem bem com a doença.

O tema da matéria é o tema do Dia Mundial do Diabetes deste ano.

Saiba mais:

Revista Crescer
http://revistacrescer.globo.com

Dica do Dia

Dê preferência às massas integrais. As massas brancas são açúcares de rápida absorção. Sendo assim, o impacto na glicemia é mais intenso e mais rápido. Os carboidratos complexos, demoram mais para serem absorvidos pelo organismo. Por isso, são melhores para consumirmos.

Experiências de Vida

Estou fazendo uma matéria ampla sobre Diabetes para a Revista da APM. E estou colhendo depoimentos de pessoas que têm no médico o apoio e as informações necessárias para manter a saúde em dia. Quem quiser participar… deixe um recadinho aqui.

Aliás, também quero publicar experiências de outras pessoas aqui no blog. Candidatos? Deixem seus recados. Vou inaugurar semana que vem uma área com depoimentos e entrevistas de pessoas que, como eu, são portadoras de diabetes. A idéia é promover a troca de experiências. Afinal, cada um processa as coisas de um jeito. E contar pode ajudar outras pessoas a superarem os limites que a doença nos impõe. Podemos aprender com a história de outras pessoas.

Dia 14 de novembro: Dia Mundial do Diabetes

logo_dia_mundial_generico.jpgTodo ano, em 14 de novembro, é celebrado o Dia Mundial do Diabetes. Em 2007, o tema é Diabetes em Crianças e Adolescentes.

Segundo a organização internacional, o objetivo da campanha 2007/2008 “é lutar para que nenhuma criança fique sem tratamento ou morra por causa do diabetes”. A escolha do tema foi baseada em estatísticas da International Diabetes Federation (IDF), que  mostram que a cada ano mais de 70 mil crianças desenvolvem diabetes tipo 1. No mundo, 440 mil crianças com menos de 14 anos têm diabetes tipo 1.

Ainda segundo a IDF o diabetes tipo 2, que antes se desenvolvia apenas em adultos, está aumentando com uma rapidez alarmante entre crianças e adolescentes, especialmente entre minorias étnicas, em decorrência da obesidade e da falta de atividade física. Atualmente, calcula-se que mais de 200 crianças desenvolvem diabetes a cada dia.

Com o apoio da ONU – Organização das Nações Unidas foi assinada uma Resolução que reconhece o diabetes como uma doença crônica, debilitante e de alto custo, principalmente quando associada a complicações severas. No Brasil, a Sociedade Brasieleira de Diabetes e a Associação Nacional de Assistência ao Diabetes apóiam a campanha mundial.

A Anad, por exemplo, vai realizar mais uma vez a campanha de detecção do Diabetes, no dia 11 de novembro, no Colégio Madre Cabrini, na Vila Mariana.

Serviço: 

Sociedade Brasileira de Diabetes (www.diabetes.org.br) – sede – Rua Afonso Brás, 579, salas 72/74, Vila Nova Conceição, CEP: 04511-011 – São Paulo – SP, Telefax (11) 3846-0729. Redação: info@diabetes.org.br.

Anad – Associação Nacional de Assitência ao Diabéticowww.anad.org.br

Comportamento

Fui a uma festa na última sexta-feira, dia 19 de outubro. Lá tive uma prova de que falar para as pessoas que você é diabético e a quantas anda o seu controle é importante. Naquele mesmo dia, ao invés de almoçar, comi um folhado de peru e queijo. Aquela massa gordurosa não me caiu nada bem. Fora que eu, como diabética, tenho de passar longe desses salgadinhos. Pois é, comi e me deu uma baita dor de cabeça. Mais tarde, fui ao salão me preparar para a festa e resolvi tirar a glicemia. Adivinha? Ela disparou devido ao maledeto folhado. Acho que foi isso… pelo menos é o que imagino. Foi a mais alta que já tirei até hoje: 260!

Na festa, à noite, tinha vinho e outras bebidas alcoólicas rolando. Eu quase caio na tentação, mas como havia falado para o meu editor chefe, que estava sentado na mesa comigo, em quanto estava a minha taxa na tarde daquele dia, ele me deu um toque para eu não beber. E eu não bebi. Decisão prudente. E, claro, dispensei uma sobremesa maravilhosa.

No final de semana, a minha glicemia se normalizou. O meu ponto negativo vai para o meu esquecimento. Esqueci de tomar glimepirida hoje. Puxão de orelha!