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Todos os posts sobre a minha gravidez com diabetes

Tem muita  mulher que entra aqui querendo saber um pouco mais sobre gravidez e diabetes. São futuras mamães em potencial, procurando na web apoio para a decisão de engravidar. Querem ouvir histórias de mulheres que engravidaram sendo diabéticas. Eu sou uma dessas mulheres.

É preciso planejamento, vontade, determinação, persistência. E, sim, é possível ter uma gravidez, apesar dos percalços, maravilhosa, como eu tive.

Para facilitar as buscas, reuni todos os posts numa página só. É só clicar no menu acima. Espero poder colaborar com essas futuras mamães.

Quero pedir para vocês que passaram por essa experiência, de ser diabética e ter engravidado, que deixem seus relatos aqui no blog para dividir com outras mulheres.

Boa leitura!

Diabetes, gravidez, filho, trabalho…

Estou devendo um post já faz um bom tempo, mas tenho acompanhado e lido e respondido todos os comentários, que fazem este blog se movimentar.

Passei por alguns momentos de apreensão. Minha licença-maternidade de 120 dias terminou dia 17 de dezembro. Fiz uma campanha junto ao RH e ao presidente da instituição que eu trabalhava para adotar os 180 dias, já que eles são uma entidade médica e achava que eles deveriam dar o exemplo, ainda mais por se tratar de um movimento encabeçado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). O que eu consegui foram dois períodos de 15 dias para aleitamento. Um, antes das férias. Outro, depois. Assim, fiquei com cinco meses, mais as férias em janeiro, consegui completar os seis de aleitamento.

Estava, desde o final de janeiro, apreensiva com o retorno. Várias coisas me afligiam. Claro, deixar o Lucas era a principal, mas tinha a consciência de que, com o tempo, me acostumaria, ainda mais porque eu tinha um horário flexível e amo o que faço. Estava apreensiva por tudo o que passei desde o terceiro mês de gravidez, no trabalho, mas que não quis postar aqui. Estava com receio de que tudo se repetisse na minha volta. Prefiro não entrar em detalhes. O fato é que eu fui dispensada no meu retorno.

Estou em casa, com o Lucas, curtindo meu filhote, investindo em projetos pessoais e profissionais. E este blog é com certeza um dos meus projetos de vida. Espero poder me dedicar cada vez mais a ele e a outros projetos bacanas que venham a surgir. Que venham! Estou com garra!

Gravidez e diabetes: 5 meses depois…

Nosso primeiro Natal juntos.

Quando fiquei grávida, decidi compartilhar com todos a minha experiência como diabética e grávida. Foi a melhor decisão que tomei, porque pude me aproximar de muita gente que passou pelo o que eu passei e que me deu força, me apoiou, assim como pude incentivar outras mulheres diabéticas.

E qual não é a minha felicidade cada vez que me deparo com participantes deste blog grávidas. E utimamente não tem sido poucas. Algumas programaram, outras não. Percebo, em todas, uma pontinha de medo, por mais que tudo pareça sob controle. É assim mesmo. Nossa preocupação como mãe já começa antes mesmo de concebermos. Queremos que tudo esteja nota 10, mas precisamos nos contentar, de vez em quando, com um 9, com um 8,5, às vezes com uma nota abaixo da média.

O mais difícil da gravidez de uma diabética é manter os níveis diários sob controle e manter a calma. A gravidez muda tudo, o organismo age de forma totalmente inesperada. Quando pensamos que estamos fazendo tudo certo, nos decepcionamos com um nível glicêmico ruim. Mas precisamos continuar e continuar nos esforçando para atingir a meta. Vejo isso agora, o Lucas completou cinco meses no último dia 19 e percebo o quanto todo o meu esforço valeu a pena: 6,850 gramas e 64 cm de pura gostosura, sorrisos, chamegos… Cinco meses de fraldas deliciosamente sujas, de mamadas e mais mamadas, colo, noites sem dormir, amor sem fim…

E esses meses pós-nascimento do Lucas só tem feito bem a minha saúde. Controle nota 10! Tá bom, confesso, tirei 9!

A todas as mulheres diabéticas que estão gravidinhas e que terão seus pequenos em 2010, o meu parabéns, o meu apoio, a minha alegria. A todas que decidirem ficar grávidas, o meu incentivo. Tem de ser persistente. O resultado é lindo!

Diabetes, gravidez, filho, viver a vida…

Hoje, levei o Lucas ao pediatra. Saí de lá feliz da vida. Ele está ótimo, com 5,850 gramas e 59,5 cm. Completou três meses no dia 19. Brinco que é a maioridade dos bebês. É quando eles podem começar a sair um pouco mais, a badalar por aí (risos).

Estou para escrever isso desde o Dia Mundial do Diabetes, 14 de novembro. Disse que não havia o que comemorar no tal dia. Mas quer saber? Há sim. Eu tenho muito o que comemorar. Por ter chegado até aqui, por viver esses seis anos com diabetes, por ter me cuidado neste período, por ter descoberto uma outra Luciana: forte, capaz de reverter algo negativo em algo positivo nessa vida. Eu já vivia bem com diabetes, mas ter criado este blog foi um passo imenso. Saí do casulo. Eu, que sempre fui tímida, consegui me expor, e não me arrependo nem um bocado. Os comentários que recebo aqui são o gás, o combustível para eu seguir em frente.

Este 2009 foi particularmente especial. A gravidez sempre me assustou um pouco. Passar de remédio a insulina. Uma dificuldade para mim, porque sou meio indisciplinada com medicamentos. Passar de um controle semanal a oito picadinhas por dia. Policiar-me para não ficar a tarde inteira trabalhando e esquecer o lanchinho. Mas consegui. Consegui porque sabia que havia um outro ser, dentro de mim, que dependia disso tudo para se desenvolver bem. E segui à risca.

Corri atrás do prejuízo (modo de dizer, porque quando me descobri grávida ainda não tinha começado o tratamento com insulina), e foram oito meses ali, na rédea curta. Houve momentos de medo, sim. Principalmente durante a viagem que fiz aos Estados Unidos, quando o controle glicêmico ficou um pouco mais difícil. Tive umas crises de choro. Passei também por alguns problemas no trabalho, que me fizeram sofrer um bocado. Mas o meu Lucas me dava força para seguir adiante.

Hoje, meu presentinho de Deus está ali no quarto ao lado, dormindo. Chegou apressadinho, com oito meses, mas veio forte e com saúde. Por isso, eu recomendo para as diabéticas que querem ser mãe: sejam! É o máximo.

Eu digo para aqueles que acham que o diagnóstico de diabetes é o fim: é difícil, mas pode ser o começo.

E viva a vida! E vivam a vida!

Atendendo a pedidos, apresento o Lucas

A cara do pai!

A cara do pai!

Gente, este é o meu pequeno grande Lucas, “O Esfomeado”, em três momentos. A foto que ele está de vermelho é de quando saímos da maternidade.

Frio!

Frio!

Indo para casa.

Indo para casa.

40 dias!

Ontem, o Lucas completou 40 dias de vida. Ele está ótimo, crescendo muito, engordando bem. Tudo a base do leite materno. Inocentemente, quando estava grávida, achei que ia ter tempo, quando ele nascesse de atualizar com frequencia o blog. Acontece que ele acorda de duas em duas horas para mamar, depois fica no peito uma hora ou mais. Ou seja, tenho intervalos de uma hora em que eu tenho de conciliar um monte de coisas, mas vale muito a pena. Porque vejo que ele está bem, está com saúde e isso me tranquiliza.

Ele tem tido cólicas. Sei que é normal, mas dá uma peninha. E, aí, toca ficar com ele no colo (uma delícia senti-lo junto ao meu corpo). Vida de mãe de primeira viagem é assim.

Não tenho feito tantos controles como antes. Aliás, estou muito longe dos cuidados que tinha durante a gravidez. Continuo sem tomar remédios. Tomo pouca insulina rápida para correção. Mas meu jejum já não está aquela maravilha, como estava logo que o Lucas nasceu. Acho que são as noites em claro.

Minha recuperação tem sido excelente…

(tive de interromper durante 40 minutos este post para dar de mamar, colocar para arrotar e deitá-lo no bercinho).

… Como dizia, minha recuperação tem sido excelente. Minha médica disse que o meu útero já está pronto para a próxima gravidez (risos). Vamos com calma!

O que sinto é que tenho de me cuidar melhor. No momento, todas as minhas atenções estão no meu pequeno, mas eu quero vê-lo crescer, ser pai… quem sabe, avô, ou ser, simplesmente, o que ele escolher ser. Por isso, tenho de me cuidar.

Gravidez e diabetes: a chegada do Lucas (2)

…continuação

Mas quem disse que havia vaga na Pro-Matre? Não tinha. E eu quase implorei, porque meu sonho sempre foi ter meu filho lá, porque foi lá que eu nasci. Mas não tinha jeito. Não tinha vaga de jeito nenhum. E eu até chorei. E o pior, minha médica disse que não tinha vaga na Santa Joana, nem no Einstein… e conseguimos no São Luiz.

Toca sair da região da Av. Paulista para o Itaim em plena hora do rush, eram 18h30. Pegamos um trânsito danado. Minha médica chegou a me ligar para saber onde eu estava porque ela já estava a minha espera. Chegamos por volta de 19h15. E ela estava me esperando na porta. Me pegou pelo braço e falou: “essa moça tem de fazer a ficha urgente porque já está em trabalho de parto”. Mas eu estava tão calma, tão calma…

Meu marido correu para contratar foto e vídeo, ali mesmo. Dali, fui direto fazer os últimos exames. Quando senti que poderia ser naquele dia, tomei o cuidado de não tomar mais insulina, porque sei que após o parto os índices glicêmicos despencam. Estava tudo em ordem. Fui para o centro cirúrgico. Tomei a anestesia, mas já me sentia meio anestesiada. Não conseguia acreditar que o Lucas já estava chegando, assim tão apressado, escolhendo a data do nascimento, a maternidade, o horário. No fim, foi tudo do jeitinho dele.

Meu marido entrou alguns minutos depois, todo paramentado. Os olhos brilhavam curiosos, de alegria, excitação. O procedimento começou e ele não se contentou em ficar atrás dos panos, foi ver a cirurgia. Logo, eu escutei: “ele é cabeludo”. E o meu marido ia e voltava, eufórico. E puxa daqui, empurra dali. O Lucas chegou! O relógio marcava exatamente: 20h36.

Minha médica o pegou nos braços e, quando ele ia começar a chorar (ele demorou um pouquinho), e ela ia mostrá-lo para mim, a neonatologista o levou correndo embora. Fizeram todos os procedimentos e já mediram a glicemia dele (porque há risco de bebês que nascem de mãe diabéticas terem hipo ao nascer).

E eu só ouvia, emocionada, seu forte choro vindo da outra sala. Tranquilizei-me porque meu marido mantinha os olhos brilhando de felicidade o tempo todo.

A espera estava me deixando eufórica, senti falta de ar. Finalmente, o trouxeram para um rápido encontro. Queria poder amamentá-lo ali mesmo, queria ficar com ele e não soltar mais. Não dá para descrever a emoção. É impossível.

Fui para a recuperação e segui para o quarto cerca de uma hora e meio depois do início do parto. Duas horas depois, ele voltou para os meus braços e eu pude amamentá-lo como eu tanto queria. E o espertinho já veio com o bocão aberto.

Soube que ele já havia tomado leite artificial, no copinho, enquanto eu estava na recuperação. Isso para não ter hipo. Tudo bem, nem tudo é como planejamos. E se era para o bem dele…

Fiquei com ele duas horas, namorando aquele rostinho lindo, inchado, que eu tanto esperei para ver.

No dia seguinte, minha glicemia começou a ser monitorada. Com a amamentação, só precisava tomar insulina rápida para correção. E não era sempre. Tomei o café da manhã com gosto. Pensei: mesmo que a minha glicemia suba um pouco, agora sou só eu, não vou prejudicar meu filho. Cada picada, uma surpresa. Mesmo quando estava com níveis um pouco acima, era muito pouco, frente ao que eu tinha comido, ainda mais considerando-se que eu não estava tomando praticamente nenhum tipo de medicamento.

… Continua

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PS. A Margarete perguntou como está a cicatrização dos pontos. Está ótima, tirei os pontos na terça-feira passada. Já está totalmente cicatrizado por fora. E olha que eu fui bem abusada. No dia seguinte já estava abaixando para pegar coisas no chão, levantado da cadeira com o Lucas no colo, andando quase reta. No nono dia, peguei o carro para levá-lo ao médico… E já quase recuperei meu peso. Falta 1,5 kg para perder.