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Diabetes e gravidez: apoio do parceiro é ainda mais fundamental

Hoje, comecei a ler os comentários deixados durante meu período sabático e estou começando a respondê-los. Sempre tem um ou outro que me chama mais atenção. Um deles foi de uma grávida de cinco meses que com problemas para se controlar. Ela é DM 2 há seis meses, talvez isso explique a dificuldade maior em se controlar (o pouco tempo de diabetes). Come de tudo, come escondido… e fica com a consiciência pesada. Só toma insulina uma vez por dia, de jejum… Ela tem medo que o filho nasça diabético por conta do descontrole. Expliquei que não é bem isso que acontece. Raramente a criança nasce diabética por conta do descontrole. Mas outros problemas ainda mais sérios podem surgir.

Esse aí é o meu barrigão uma semana antes do Lucas nascer. Apoio sempre.

O que mais me chamou atenção, no entanto, não foi a dificuldade de controle. Ela disse que quando o marido está por perto, ele a controla e diz: “se o bebê nascer diabético, a culpa é sua! Você que arque com as consequencias”. Péssimo, não? Não é isso que ela precisa. Aliás, pelo que percebi, o nível de estresse dala por conta dessas ameaças está no limite. E isso é ruim pacas para o controle. Não é não? E pior, a geladeira está sempre recheada das coisas que ele gosta e ele ainda pede para ela fazer sobremesa pra ele todos os dias.

É difícil assim. O que ela mais precisa agora é de apoio, não de controle ou ameaças. O que ele mais precisa é entender que o filho que ela carrega na barriga é dos dois. Uma dose de sacrifício da parte dele durante esse período só vai fazer bem para ela, para o bebê e para o relacionamento deles. Apoio significa entender a doença, ouvir a pessoa que está ao seu lado, suas dificuldades, seus medos. Com apoio, fica tudo mais fácil.

Abaixo, algumas coisinhas que escrevi para ela:

Sobre a insulina e os controles
Estranho só tomar insulina de jejum. E os controles, como estão?
Dica: cada vez que vc sucumbir a tentação, faça a medição da glicemia antes e duas horas depois. Veja como o organismo reage e fale para o médico da sua dificuldade. Aliás, não esconda nada, nada dele. Ele tem de ser o seu maior aliado.
Você está entrando numa fase crítica. Normalmente, os controles ficam mais difíceis nessa fase, após os cinco meses. Por isso, tome cuidado.

Sobre o apoio do marido

Mas tem outra questão aqui, seu marido precisa te apoiar, não te controlar e te ameaçar. Que tal ele também aderir a uma dieta mais saudável? Fale pra ele que é difícil se controlar tendo de fazer sobremesas todo o dia e tendo a geladeira lotada de guloseimas… A gravidez é uma fase delicada e ficamos cheias de vontades. Diga a ele que é você que carrega o filho, mas ele também “está grávido”. O filho é de vocês e vocês precisam de um pouco de sacrifício da parte dele também. Quando ele estiver só, pode comer o que quiser, mas na sua frente… Peça isso por você e pelo seu filho. Já é uma carga muito grande toda essa responsabilidade de carregar um bebê e ser diabética. Ouvir ameaças, ser controlada, causa estresse e isso também é ruim para o controle do diabetes.
Espero ter ajudado e não ter me intrometido demais.
Boa sorte!

E você têm o apoio de quem está por perto? O que pensa disso? Tem alguma dica para a nossa amiga?

Diabetes, gravidez, filho, viver a vida…

Hoje, levei o Lucas ao pediatra. Saí de lá feliz da vida. Ele está ótimo, com 5,850 gramas e 59,5 cm. Completou três meses no dia 19. Brinco que é a maioridade dos bebês. É quando eles podem começar a sair um pouco mais, a badalar por aí (risos).

Estou para escrever isso desde o Dia Mundial do Diabetes, 14 de novembro. Disse que não havia o que comemorar no tal dia. Mas quer saber? Há sim. Eu tenho muito o que comemorar. Por ter chegado até aqui, por viver esses seis anos com diabetes, por ter me cuidado neste período, por ter descoberto uma outra Luciana: forte, capaz de reverter algo negativo em algo positivo nessa vida. Eu já vivia bem com diabetes, mas ter criado este blog foi um passo imenso. Saí do casulo. Eu, que sempre fui tímida, consegui me expor, e não me arrependo nem um bocado. Os comentários que recebo aqui são o gás, o combustível para eu seguir em frente.

Este 2009 foi particularmente especial. A gravidez sempre me assustou um pouco. Passar de remédio a insulina. Uma dificuldade para mim, porque sou meio indisciplinada com medicamentos. Passar de um controle semanal a oito picadinhas por dia. Policiar-me para não ficar a tarde inteira trabalhando e esquecer o lanchinho. Mas consegui. Consegui porque sabia que havia um outro ser, dentro de mim, que dependia disso tudo para se desenvolver bem. E segui à risca.

Corri atrás do prejuízo (modo de dizer, porque quando me descobri grávida ainda não tinha começado o tratamento com insulina), e foram oito meses ali, na rédea curta. Houve momentos de medo, sim. Principalmente durante a viagem que fiz aos Estados Unidos, quando o controle glicêmico ficou um pouco mais difícil. Tive umas crises de choro. Passei também por alguns problemas no trabalho, que me fizeram sofrer um bocado. Mas o meu Lucas me dava força para seguir adiante.

Hoje, meu presentinho de Deus está ali no quarto ao lado, dormindo. Chegou apressadinho, com oito meses, mas veio forte e com saúde. Por isso, eu recomendo para as diabéticas que querem ser mãe: sejam! É o máximo.

Eu digo para aqueles que acham que o diagnóstico de diabetes é o fim: é difícil, mas pode ser o começo.

E viva a vida! E vivam a vida!

Atendendo a pedidos, apresento o Lucas

A cara do pai!

A cara do pai!

Gente, este é o meu pequeno grande Lucas, “O Esfomeado”, em três momentos. A foto que ele está de vermelho é de quando saímos da maternidade.

Frio!

Frio!

Indo para casa.

Indo para casa.

40 dias!

Ontem, o Lucas completou 40 dias de vida. Ele está ótimo, crescendo muito, engordando bem. Tudo a base do leite materno. Inocentemente, quando estava grávida, achei que ia ter tempo, quando ele nascesse de atualizar com frequencia o blog. Acontece que ele acorda de duas em duas horas para mamar, depois fica no peito uma hora ou mais. Ou seja, tenho intervalos de uma hora em que eu tenho de conciliar um monte de coisas, mas vale muito a pena. Porque vejo que ele está bem, está com saúde e isso me tranquiliza.

Ele tem tido cólicas. Sei que é normal, mas dá uma peninha. E, aí, toca ficar com ele no colo (uma delícia senti-lo junto ao meu corpo). Vida de mãe de primeira viagem é assim.

Não tenho feito tantos controles como antes. Aliás, estou muito longe dos cuidados que tinha durante a gravidez. Continuo sem tomar remédios. Tomo pouca insulina rápida para correção. Mas meu jejum já não está aquela maravilha, como estava logo que o Lucas nasceu. Acho que são as noites em claro.

Minha recuperação tem sido excelente…

(tive de interromper durante 40 minutos este post para dar de mamar, colocar para arrotar e deitá-lo no bercinho).

… Como dizia, minha recuperação tem sido excelente. Minha médica disse que o meu útero já está pronto para a próxima gravidez (risos). Vamos com calma!

O que sinto é que tenho de me cuidar melhor. No momento, todas as minhas atenções estão no meu pequeno, mas eu quero vê-lo crescer, ser pai… quem sabe, avô, ou ser, simplesmente, o que ele escolher ser. Por isso, tenho de me cuidar.

Gravidez e diabetes: mais estabilizado

Estou mais tranquila por esses dias. Passei um feriado curtindo a casa e cuidando do marido com gripe (não é a suína não!). E controlando a minha glicemia. A estratégia de usar a insulina rápida antes das refeições tem dado resultado e a glicemia tem se estabilizado mais. O único problema, vê se pode, é que eu esqueço, às vezes, de tomar a insulina lenta no horário do almoço, conforme a alteração que a minha médica fez há duas semanas, mas vou entrar na linha.

Fiz o ultrassom morfológico na quinta-feira e está tudo nem. Meu pequeno está ótimo. Lindinho.

Também fiz alguns exames, como hemograma completo e urina. Além da hemoglobina glicada, que não saiu ainda, e a glicemia de jejum para comparar com o meu aparelho. Esta me deixou feliz. Enquanto o meu aparelho marcava 108, com  a mesma amostra de sangue, marcou 92 no sangue total.

Vamos que vamos em frente! Boa semana!

Diabetes e gravidez: inseguranças e neuras

Estar grávida e ter diabetes é uma experiência e tanto. Confesso que às vezes me sinto insegura. Quando a minha glicemia está mais alta, mesmo que eu não tenha feito nada, nada para ela estar mais alta, eu me sinto um pouco culpada. Parece que eu estou fazendo mal para o meu nenê. E eu não quero isso. É meio irracional, porque eu não posso ter o controle absoluto sobre a minha glicemia, sobre como o meu corpo vai reagir. Mesmo assim, fico estressada cada vez que a glicemia dá acima de 140.

Como já estou a caminho de completar 20 semanas de gravidez, a minha obstetra alterou a dose de insulina. Ela disse que eu tomo uma dose bem baixa, que normalmente as gestantes já entram com o dobro de insulina que eu tomo, mas o meu corpo, até então, vinha reagindo bem. De uma semana para cá, a coisa começou a mudar. E eu tive alguns picos. Ela disse que é normal, que a medida que o tempo vai passando, a necessidade de insulina vai aumentando. Mas dá um medinho…

Fora isso, voltei à academia. Estou fazendo hidroginástica, dia sim, dia não. Tenho ficado um pouco cansada na aula, mas depois me sinto mais disposta para as atividades do dia.

No geral, tenho me sentido bem, mas tenho tido insônia. Mas a culpa não é inteiramente do meu estado gestante. Não. Só a posição de dormir. Porque só consigo ficar deitada do lado esquerdo. E ficar a noite inteira na mesma posição é meio ruim. Imagina quando eu estiver de barrigão. Ai, ai.

Confusão com a insulina

Nossa! Fiz a maior trapalhada na noite passada. Tomo 6 unidades de insulina pela manhã e 3 unidades todas as noites. Ontem, estava morrendo de sono. E não é que apliquei 6 unidades antes de dormir. Quando percebi, entrei em desesepero, porque com as 3 unidades a minha glicemia chega a 83, 86 pela manhã, o que já é ótimo. Com o dobro da dosagem, fiquei com medo de ter uma hipoglicemia noturna. Liguei para a minha endocrinologista e o celular caiu na caixa postal, já era mais de 23h. Liguei para o meu irmão, porque o pai da noiva dele é endocrinologista, professor da Santa Casa. Ele estava dormindo, mas a minha cunhada o acordou. Ele disse que era para eu fazer um lanche, com carboidrato antes de dormir e, se possível, medir de madrugada. Liguei também para a minha ginecologista e obstetra. que falou a mesma coisa sobre o lanche. Disse que a insulina começaria a fazer efeito lá pelas 4h da madrugada e, para eu ficar mais sossegada, poderia deixar o despertador para este horário para medir a glicemia e ir controlando.

Eu havia deixado recado para a endocrinologista, que me retornou lá pela 1h30 da madruga, super preocupada. As orintações foram as mesmas. Comer um lanche antes de dormir, acordar as 4h e comer outro lanche; e ir monitorando. E foi o que fiz.

Deu certo. Passei a noite assaltando a geladeira. Às 4h, minha glicemia estava 95. Comi: meio pão com manteiga, leite com  achocolatado diet. Acordei novamente às 7h15 e a glicemia estava 89. Às 8h40 estava ainda 89. Às 9h30 tomei meu café da manhã e está tudo bem. Ufa! Que trapalhada!