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Jogador de futebol estaria sendo pressionado a pedir demissão por causa do diabetes

Recebi semana passada o email de um jogador de futebol, de 21 anos, que descobriu, há cerca de um mês e meio, que tem diabetes. Ele diz que está precisando de ajuda médica especializada em medicina do esporte, mas não consegue. “O clube me intimou a pedir demissão. Tenho contrato até 2014 e eles nunca tiveram um caso como o meu”, descreve. O clube alega, segundo o jogador, que não tem condições de ajudar. “Preciso de orientação externa. Pretendo continuar na profissão, mas está muito dificil”, desabafa.

Ele ganha salário mínimo. “O Clube me assiste com plano de saúde e, mesmo assim, não tem médicos especializados em atleta.”

Ele pede ajuda para achar médicos que possam orientá-lo a continuar na profissão.

Como podemos fazer? Alguma sugestão?

Histórias de vida de um diabético: um depoimento que me emocionou

São depoimentos assim que dão significado a minha vida, a este blog, dão sentindo até ao fato de “eu ter sido escolhida” para ter essa doença chamada diabetes. Acordei, ainda tristonha com muita coisa que vem acontecendo, e feliz por tantas outras, a maior delas, o filho que carrego na barriga e que logo estará nesse mundão, e me deparei com este lindo comentário da Camila Brandão. Comentário que merece destaque, porque tenho certeza que vai inspirar muita gente. Obrigada Camila, por fazer este dia cinzento mais colorido:

Já é tarde. Achei o seu blog procurando receita de picolé diet. As coisas que o Google faz por nós… Li tudinho que você escreveu. De cabo a rabo. E os comentários do pessoal também. E me fez bem.

Tenho diabetes tipo 1 há 14 anos. Hoje tenho 23. E estou passando por uma fase bem difícil da vida de um diabético. Me formei em arquitetura no ano passado e isso significou, em alguma instância, virar adulta de verdade. Passei os cinco anos da faculdade fingindo que meu diabetes não existia. Tomava minha insulina, mas não monitorava minha glicemia e muito menos minha alimentação (leia-se “começão” e “bebeção” excessivos). Por inúmeros motivos estava bastante deprimida, e ainda estou me esforçando bastante pra melhorar nesse aspecto, mas tenho em mente que o motivo principal dessa minha depressão era o meu descuido com o meu diabetes, a minha falta de compromisso comigo mesma e com os meus pais, que tanto querem o meu bem.

Depois de um episódio bastante desagradável levei um puxão de orelha “daqueles” dos meus pais. Marquei uma consulta com o meu endócrino para levar uns exames que tinha feito há uns três meses e levei puxão de orelha dele também. Sem questionar em nenhum momento o que eles todos me falaram, resolvi mudar de vida; resolvi mudar de posição em relação a ela. Resolvi que queria vivê-la da melhor maneira possível, e não só da maneira mais divertida. Porque a gente sabe que 8 picadinhas diárias no dedo e mais x aplicações de insulina por dia não são a coisa mais divertida do mundo. E nem contar quantos carboidratos tem em cada colher daquele macarrão que você tanto gosta. Mas a gente também sabe que isso tudo só faz bem pra nossa cabeça e pro nosso corpinho. Tanto que o que era pra ser uma chatice sem fim só está me deixando mais satisfeita comigo mesma, fazendo eu me sentir mais realizada e muito menos frustrada.

O caderno com as anotações de alimentação e monitoramento de glicemia já recebeu várias cores para cada coisa: hipo, hiper, meta, exercício, contagem de cho. A natação e caminhada são mais do que um simples exercício; viraram o tempinho do dia de colocar os pensamentos no lugar, organizar o dia seguinte, planejar a vida a curto e longo prazo. O que acaba melhorando aquela depressão chata. E acaba dando mais vontade de fazer todas essas coisas boas.

É claro que nem tudo são rosas. Ainda estou passando por várias provações, dificuldades…mas como você escreveu algum dia, não precisa pintar de cor-de-rosa, mas colocar uma lente colorida não faz mal nenhum. E o seu blog fez isso por mim. Me deixou de olhos verdes!!! Me fez ver que eu não sou a pior pessoa do mundo por dar uma escorregada de vez em quando, e que isso tem como consertar. Me mostrou que tem um monte de gente que passa pelas mesmas coisas e sente as mesmas coisas que eu. Me fez perceber que viver com diabetes pode e deve ser uma doçura só!!! Porque afinal de contas, é isso que nós diabéticos somos: pessoas com doçura de sobra!!! Desculpa ocupar tanto espaço no seu blog…até parece que ele é meu, com um texto desse tamanho…

Mas depois de ler tudo que foi escrito nestes dois anos e tanto eu fiquei inspirada!!!

Obrigada!!!

Verônica Mattos vai compartilhar a sua história aqui, no Viver com Diabetes

Esta semana, tem início uma Blog Novela, aqui no Viver com Diabetes. A idéia surgiu a partir de uma mensagem que recebi de uma leitora. Ela prefere que seu nome real não seja divulgado. Foi aí que nasceu Verônica Mattos.  Um nome forte para uma garota de 20 anos, a nossa personagem principal. Verônica é baseada na história dessa nossa leitora e de muitas outras garotas que passam pela mesma dificuldade. 

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A garota me mandou a seguinte mensagem no último final de semana:

Acabo de completar meus 20 anos e sou diabética desde os 13. NUNCA, mas nunca mesmo consegui [controlar] minha glicose.Os médicos não entendem, muitos já desistiram, me deixaram de lado mesmo! Não consigo parar de comer meus doces, na verdade, nem tenho uma vida de diabética, pelo contrário, como mais doce que qualquer pessoa não diabética. Acho que isso é uma questão de aceitação (discutiremos isso nos próximos e-mails). Já tive um problema sério relacionado à anorexia nervosa e acho que minha cabeça ainda não está completamente sadia. Vivo insatisfeita com meu corpo, me acho gorda e isso só piora a minha situação: fico super pra baixo e ao invés de me cuidar.. hum… ” enfio” a cara numa lata de leite condensado, como bolos, mais bolos com cobertura de chocalate, caixas de bombons e de bis, eles têm até medo de mim quando passo pela prateleira…e o que isso faz?? (sic) Engordar mais ainda… e o que isso leva??? (sic) A uma auto estima super baixa.. e o que isso significa? mais caixas de bombons.. bis.. bolos e blá blá blá…

O que eu queria ti pedir  é que me ajude… me ouvindo (ou melhor.. lendo) meus desabafos e situações…

Ahhh!!! E o mais importante… não desiste de mim, não…

Por mais que eu prove o contrário, a todo instante, eu quero muito ter uma vida normal… apesar de já estar sofrido consequências de um mau controle.

Posso contar com você?

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E a minha resposta foi:

Eu é que te pergunto: posso contar com você? Porque para você contar comigo é preciso antes que eu possa contar com você. Você deve estar se perguntado: como assim?

Preciso saber onde você quer chegar. Preciso que você queira mudar. De que forma? Que estes seus desabafos sirvam para que você se conheça melhor, para que você saiba porque tem agido assim.

 Não sou psicóloga. Não sei até que ponto posso te ajudar. Se os meus olhos sobre os teus desabafos te ajudarem. Se saber que tem alguém que os lê e que se importa, pode te fazer mudar… aí, sim, talvez eu possa te ajudar.

 Ah! Tem uma condição: publicar os seus desabafos e as minhas respostas para que possamos ajudar outras pessoas. Se você não quiser divulgar o seu nome, tudo bem, nós inventamos um outro. Mas é preciso que isso tenha uma dimensão maior, que esteja além de mim, e de você.

Topa o desafio?

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Assim, surge a blog novela que conta a história de uma jovem que vive com diabetes, mas bate de frente com ela o tempo todo. Uma luta diária. Como se os seus desejos de mulher jovem não fossem compatíveis com as necessidades de uma pessoa com diabetes.

Verônica vai retomar os principais episódios que marcaram a sua vida desde os 13 anos. Vai dividir com você a sua experiência de vida, as suas angústias, os seus deslizes, as suas pequenas conquistas e grandes vitórias.

Aguarde, sexta-feira tem início a nossa primeira e mais nova Blog Novela:

O Desafio de Verônica Mattos

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Se você se identifica com a história, mande a sua contribuição, histórias que possam contribuir com a trajetória da nossa personagem. Participe dessa blog novela.

Independente disso, vou continuar publicando as cartas da nossa garota, que inspirou a criação disso, a quem eu tenho muito a agradecer.

“Sou apaixonada por Diabetes”

Nezeli

Por Luciana Oncken

Você acredita que alguém pode amar o diabetes? Não? Mas essa pessoa existe e seu nome é Nezeli Fagundes. Hoje com 42 anos, descobriu a doença no dia do seu aniversário de 35 anos, em 5 de abril de 2000. Nezeli é de Itararé, interior de São Paulo, é funcionária pública.

Confira a entrevista que Nezeli concedeu ao Viver com Diabetes:

Viver com Diabetes: Como descobriu a doença?
Nezeli Fagundes: Dois meses após ter me casado, diante do emagrecimento que estava ocorrendo, e que nunca havia acontecido em minha vida, decidi procurar um clínico geral. A primeira desconfiança dele foi diabetes.

VD: Qual foi sua reação?
Nezeli:
Na hora, achei que simplesmente não poderia consumir açúcar; comprei refrigerantes diets, comecei a tomar um hipoglicemiante e achei que tudo estava certo. Não tinha conhecimento algum da doença. Somente três meses depois, diante da advertência de um ginecologista, durante consulta de rotina, busquei um endocrinologista. Foi aí que vim a saber que hipoglicemiantes não seriam eficientes no meu caso e que deveria tomar insulina. Aí, sim, fiquei assustada, pois tinha verdadeiro pavor de agulhas. Quinze dias depois, estava auto-aplicando insulina. Mesmo assim, ainda tinha pouquíssimo conhecimento a respeito do problema. Meu controle melhorou. Somente três anos depois vim a conhecer meu atual endócrino, que teve papel decisivo em minha vida.

VD: Qual foi a importância do médico e dos profissionais de saúde no processo?
Nezeli:
Acredito que os profissionais de saúde, em particular o endocrinologista, são de suma importância na vida de um diabético. Eles têm conhecimento a ser transmitido; e a informação é tão importante quanto a medicação, na condução do diabetes. Infelizmente, a maior parte dos profissionais de saúde estão pessimamente informados a respeito do que seja DM. Apenas os endócrinos têm uma visão real do que seja esta doença. No interior de nosso Brasil, seja nordeste, leste, sul, sudeste, a maior parte das cidades não dispõe de endócrinos. E os diabéticos são atendidos por clínicos gerais, que não têm a menor idéia que espécie de tratamento aplicar. Não esquecendo que cada paciente precisa ser analisado e a ele aplicado um tipo de tratamento. Exemplifico aqui um ocorrido: quando decidi buscar amparo no Sistema Público de Saúde, o médico que atendia diabéticos na cidade onde resido era um gastro; ele confessou não saber o que fazer com meu caso, visto que não era especialista em DM. Quando discorri a respeito de minha condição (DM I, apesar de ter desenvolvido a doença já adulta), outros profissionais de saúde que me atenderam (enfermeira, farmacêutica), discutiram a respeito, visto que eu era adulta e era impossível eu ser DM tipo 1! (Nezeli é portadora do Diabetes Lada, um diabetes auto-imune que se desenvolve em adultos).

VD: Qual foi o papel da sua família?
Nezeli:
Graças a Deus, meu esposo me ajuda; ele tem acompanhado todo o processo de tratamento, tendo bom conhecimento a respeito da doença, colaborando não só comigo, mas com outras pessoas também diabéticas.

VD: Como foi a aceitação da doença?
Nezeli:
Quando soube que precisaria de insulina, revolta total.

VD: Você passou por alguma fase de negação?
Nezeli:
Não. A primeira fase foi de ignorância total a respeito da doença e não aceitação da insulina, num primeiro momento. Depois de 15 dias, quando comecei a me aplicar sozinha, tudo se transformou.

VD: Como é o seu controle?
Nezeli:
Há 2 anos, faço contagem de carboidratos. Foi a melhor opção, acredito eu, que fiz como tratamento até hoje; tenho controle 99,99% sobre as taxas e, ao mesmo tempo, posso me alimentar com liberdade.

VD: Quais sua opinião sobre o acesso à informação e a importância de fazer parte de comunidades para compartilhar experiências?
Nezeli:
Sem dúvida alguma, como já disse, a informação é importantíssima. Não tem como conduzir DM sem conhecimento a respeito. Infelizmente, a grande maioria dos diabéticos é totalmente ignorante a respeito da doença. E não resta dúvida que a internet tem grande papel nesse quesito. Além de proporcionar acesso, também nos aproxima de outros companheiros.

VD: Como é o tratamento e o acesso a medicamentos?
Nezeli:
Em toda a região, há apenas 2 endocrinologistas. Os centros de saúde não dispõe destes profissionais; somente um deles faz treinamento para pessoal de Programa de Saúde da Família. Na maioria dos casos, o acesso a insumos é bem deficiente. A maioria disponibiliza um quadro reduzido de hipoglicemiantes; insulinas, somente NPH. Nem todos os municípios oferecem glicosímetros. Aqueles que oferecem, o fazem somente para DM I. A Lei que nos faculta atendimento total é cumprida parcialmente.

VD: O que fez diferença na sua história?
Nezeli:
Acredito que o grande milagre em minha vida foi o encontro com o endocrinologista: Ailson Faria de Souza. É ele o responsável pelo meu engatinhar, primeiros passos e caminhada no diabetes. Hoje posso dizer que sou uma apaixonada por diabetes.

Histórias

Como prometido, passei a postar histórias de pessoas que, assim como eu, têm diabetes. São histórias de superação, essenciais para diabéticos ou não diabéticos. A primeira, foi de Denis Garcia, que criou um site sobre a doença, para compartilhar informações. Eu, criei este blog. E o Ricardo, nosso próximo retratado, criou uma comunidade no Orkut. Isso mostra como trocar experiências é importante para as pessoas. Aguardem.