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Terceiro episódio da série – Diabetes no Fantástico pelo Dr. Drauzio Varella

A minha opinião está há uns dois posts abaixo. E você? O que achou?

Fantástico acompanha diabética tipo 1. Faltou bater no governo, que não cumpre seu papel

Drauzio dá orientações para Aline no terceiro episódio da série

Ontem, o Dr. Drauzio Varella falou sobre uma garota que descobriu ser portatora de diabetes tipo 1 e depende do governo para ter tratamento e insumos necessários. Foi triste de ver aquela menina tão perdida. Ficou meses tomando medicamentos que não faziam efeito para o seu tipo de diabetes, já que ela é tipo 1. Isso agravou seu quadro. A garora estava magrinha, magrinha. Resultado das altas taxas de açúcar no sangue. O médico que a atendeu no SUS achou bom o número de 191 em jejum para a glicemia da moça. Como assim?

Depois, perceberam que o tratamento com medicamentos não estava surtindo efeito e ela começou o tratamento com insulina, pouca orientação e nenhum acompanhamento… Resultado: glicemia para mais de 500! Não houve acerto da dose, nada. Fico pensando como está essa moça hoje (o programa foi gravado há um ano).

O programa mostrou um diabético que não depende do SUS e o quanto ele gasta com a doença. Teve gente que estranhou a aparição do tal senhor, mas acho que foi para fazer um contraponto. Imagine se a Aline e tantas outras pessoas que dependem do SUS teriam grana para bancar o tratamento e tudo o que ele exige?

Concordo com as pessoas que acharam o episódio um pouco superficial, talvez pudessem ter batido mais no governo. Mas, no geral, achei bom.

Tenho muito o que aprender sobre diabetes tipo 1

Sou DM2. Como “todo” DM2, confesso que às vezes não faço as medições como deveria. Não faço aquele controle rígido. Sim, me cuido e busco alimentos saudáveis. Controlo o que como, me exercito. Mas sei que podia fazer mais.

Quando fiquei grávida, aproximei-me do mundo do diabético tipo 1. Por que? Porque tinha de fazer as medições religiosamente, porque tinha de controlar a risca os carboidratos e corrigir com insulina as glicemias altas. Perdi o medo da insulina. Penso, às vezes, em voltar a usar insulina ao invés de remédio, normalmente tomo hipoglicemiante. Por que? Porque a insulina é algo que fabricamos no organismo. Sendo assim, não faria mal para a saúde a longo prazo. Já as sulfas… dizem que fazem mal para o pâncreas.

Pode parecer loucura para quem tem medo de agulha, da insulina e de seus efeitos, ou para quem odeia fazer o controle com insulina. Mas pensa! Se eu controlo com um comprimido por dia e duas horas depois da refeição vejo que a minha glicemia está alta, não tenho muito o que fazer. Tenho de esperar abaixar e controlar melhor a alimentação na refeição seguinte. Já com a insulina rápida… você tem a possibilidade de fazer este controle melhor.

Vou conversar muito com a minha médica. São dúvidas que me ocorrem. Sempre fui avessa a medicamentos, sabe?

Como tenho um filho, tenho pensando muito nas mães e pais de filhos com DM1. Tem de ter muita disciplina. E ensinar o filho a ter toda essa disciplina. Tem de estar de olho em tudo. E ter a escola e a família como grandes parceiras.

Tenho, sim, muito a aprender sobre DM1 e com os diabéticos tipo 1 e seus pais.

Alex tem um filho de 11 anos, diabético há dois e quer informações sobre bomba de insulina

O Alex deixou um comentário. Ele compartilha sua preocupação com o filho de 11 anos, diabético desde os 9. Até o momento, o garoto estava na chamada lua-de-mel. O pai gostaria que ele usasse bomba de insulina, para ter  melhor qualidade de vida. Ele pergunta qual é o custo da bomba de infusão de insulina e como funciona.

Quanto ao custo, não tenho como responder, mas é importante lembrar, Alex, que para o uso do aparelho é preciso indicação médica. Quanto ao funcionamento, temos várias pessoas que visitam aqui o blog que fazem uso da bomba de infusão e poderiam falar um pouco sobre isso nos comentários.

Tem algumas mães de crianças diabéticas que mantém blogs compartilhando suas experiências:

Vale a pena também conferir o site da Associação de Diabetes Juvenil.

E continue passando por aqui, Alex!

Novidades no tratamento do diabetes tipo 2

Novo Nordisk

Em primeiro plano, o CEO da Novo Nordisk, Lars Rebien Sørensen. Eu estou ao fundo, de camisa estampada de vermelho. A foto é de Flavita Valsani.

Fui convidada a participar de um encontro entre pacientes e o CEO da farmacêutica Novo Nordisk, Lars Rebien Sørensen, no dia 23 de fevereiro. O encontro foi parte do projeto de revisão do Novo Nordisk Way of Management, ou Modelo de Gestão da Novo Nordisk, que inclui ainda visitas a outras afiliadas pelo mundo.

Eu e outros nove portadores de diabetes engajados na luta pela melhoria da qualidade de vida do diabético falamos sobre como vivemos com o diabetes, nossos maiores desafios, e o que esperamos para ter uma vida melhor. É claro que a questão de encontrar a cura do diabetes também pautou a nossa conversa. Afinal, essa talvez seja a maior expectativa de todo diabético.

Percebi, ali, observando as colocações de cada um, que também há necessidade de se curar, antes de mais nada, a sociedade em relação ao diabetes. E essa cura passa pelo esclarecimento à população, por meio de programas de Educação, por exemplo; passa por investimento público em saúde e em programas bem estruturados de atendimento ao diabético em todo o país; passa por derrubar o preconceito em relação ao distúrbio, que aumentam o ônus do portador de diabetes, que acaba pagando mais por um plano de saúde, que tem seus prêmios de seguro de vida reduzidos em função da doença, que tem, muitas vezes, dificuldade de conseguir um emprego, que sofre nas escola por desconhecimento dos colegas. A cura passa, ainda, por nós. Quantos de nós precisamos curar o nosso olhar em relação ao diabetes para recomeçar a viver?

Durante o encontro, falou-se também da expectativa em relação ao tratamento. Uma das participantes disse que gostaria de uma insulina de ação ainda mais rápida do que a insulina de ação rápida. Pode parecer estranho, mas não é. Ela comentou que mesmo tomando a insulina de ação rápida, ela tem picos. Outros participantes concordaram. O CEO da Novo Nordisk disse que é isso que eles buscam. O que eles querem, para o futuro próximo, é “imitar”, cada vez mais, por meio de medicamentos a resposta de uma pessoa comum. Seria uma espécie de patche que faria o papel de uma bomba de insulina.

Mas a novidade mais próxima de ser lançada no mercado nacional é o Victoza®. A empresa recebeu em janeiro a autorização do FDA (autoridade sanitária dos EUA) e do Ministério da Saúde do Japão para comercializar o produto nesses países. Na Europa, o produto foi aprovado pela EMEA em julho e já é comercializado na Dinamarca, Alemanha e Reino Unida. Victoza® é o nome fantasia da liraglutida, o primeiro análogo de GLP-1 de dose diária única desenvolvido para o tratamento de diabetes tipo 2. Trata-se de uma molécula que age no pâncreas, estimulando a liberação de insulina na presença de glicose.

Os diabéticos tipo 2 presentes ao encontro ficaram esperançosos com a nova droga. Vamos esperar para ver.

O encontro foi realizado com o intuito de revisar o Novo Nordisk Way of Management, um documento que reúne a visão da Novo Nordisk, seu estatuto e suas políticas, a respeito de assuntos como bioética, ética nos negócios, comunicação, meio ambiente, finanças, saúde global, pessoas, qualidade, entre outros, criado em 2000, levando-se em conta as consultas feitas junto aos públicos de interesse da empresa: comunidade médica, funcionários e, nós, pacientes.

Considero a iniciativa bastante positiva e sou bastante simpática a atuação da empresa por desenvolver programas de apoio ao diabético, como o Programa Novo Dia (já falei sobre ele aqui no blog). Claro que toda empresa tem seus interesses comerciais, mas a a Novo Nordisk parece querer ir além, ouvindo o paciente, como nesse encontro, apoiando programas de Educação de associações de diabéticos, como a Anad e a ADJ, promovendo o Prêmio Imprensa para matérias sobre diabetes, ação que incentiva pautas sobre o assunto.

Cotidiano

O nosso cotidiano é diferente de uma pessoa não-diabética. Uma pessoa não-diabética levanta e a primeira coisa que faz é escovar os dentes. Nós, não. Mal levantamos, às vezes ainda no tempo e no espaço entre o sono e o despertar, já estamos espetando nosso dedinho, tirando uma gotinha de sangue para ser avaliada pelo aparelhinho companheiro de cabeceira, de bolsa, de mesa: o glicosímetro. Mal abrimos o olho e ele está ali, a nossa espera. Para quem é insulino-dependente, mais picadas. Insulina para começar o dia. Para quem não é: comprimidos e um gole de água. Aí, sim, vamos ao ritual: deixar os dentes bem escovados e o corpo bem lavado. E lá se vai mais uma picadinha antes do café da manhã para controlar a glicemia pós-alimentar.

Não podemos nos dar ao luxo de esquecer o lanche. O almoço e o jantar devem ser precedidos de mais picadas. E, nos intervalos, gotinhas de sangue para ver se está tudo sob controle. Atividade física, nem que seja uma caminhada, deve fazer parte da rotina. O alimento deve ser bem avaliado antes de ser levado à boca. E as marcações glicêmicas anotadas. Concordemos que há de se ter muita paciência, muita disciplina e força de vontade.

O dia termina da mesma maneira que começa. Mais picadinhas. Gotinhas se sangue. Insulina.

Gravidez e diabetes: desejos

A Margarete, assídua frequentadora deste blog, deixou um comentário no post anterior perguntando sobre os meus desejos na gravidez. Sabe que eu não os tenho? Tive algumas vontades, mas não era nada desesperador. Tinha vontade de comer frango assado, mas só nos três primeiros meses. E, outro dia, quis um bolinho diet com geléia de amora, também diet, que tem numa casa de chocolate no bairro de Higienópolis, aqui em São Paulo. Chama-se Lab. Como fiz o ultrasom naquele dia, aproveitei para traçar um. E matei a minha vontade.

Tive algumas aversões também, por exemplo, por qualquer legume muito aguado, tipo chuchu. Não conseguia comer arroz. E café, que eu amo de paixão, não descia de jeito nenhum. Não conseguia sentir nem o cheiro. Passou, mas eu continuo maneirando. Tomo uma ou duas xícaras por dia, apenas. Antes da gravidez, passava o dia tomando café. Na minha dieta, o jantar era salada e grelhado. Tinha dias que a salada não ia. Se fosse no almoço, tudo bem. Mas à noite queria outras coisas. Também passou.

Os desejos que eu tenho são outros. São desejos que a Margarete também deve ter tido em sua gravidez: que eu consiga controlar minha glicemia direitinho até o final, que o meu filho nasça bem e não tenha nenhuma complicação por causa do meu distúrbio, que ele não venha a ter diabetes (o que vai ser difícil, já que o meu diabetes é MODY* e tem um fator hereditário enorme), nem agora, nem quando for mais velho, mas se for para ele ter, que ele viva bem de qualquer forma.

*às vezes, falo que sou tipo 2, porque é mais fácil das pessoas entenderem que não sou insulino-depentente, mas o meu diabetes provavelmente é MODY, um tipo genético que passa por gerações. A minha mãe tem, além de mim, e mais dois irmãos. Eu adquiri com 29 anos, meu irmão com 25 anos, e a minha irmã com 36. Dois ainda não tem e espero que não venham a ter. A vantagem, se é que isso existe em se tratando de doença, é que o MODY é de mais fácil controle, não é insulino-dependente, e traz menos complicações. Pelo menos é o que dizem os estudos até agora. Mas temos de ter todo o controle, claro, como qualquer diabético.