Arquivo da tag: Orientação

Ajuda aos novos insulino-dependentes

_resizeEstou sentindo na pele como é ter de tomar insulina. Tem sido uma experiência e tanto e eu aprendo a cada dia com os meus amigos de blog. Aí, lembrei-me do dia em que tive de comprar a minha primeira insulina. É, a primeira insulina a gente nunca esquece…

Como estava meio perdida, apesar de toda a dedicação da minha médica em me explicar tudo, fui comprar tudo o que eu precisava na ANAD – Associação Nacional de Assistência ao Diabético. Isso porque sabia que lá ia encontrar profissionais aptos a me explicar todos os procedimentos, e já com a caneta e a insulina em mãos.

Após comprar os produtos que precisava, fui atendida por uma enfermeira, que mostrou todos os procedimentos: como e onde aplicar a insulina, os cuidados, as precauções. Valeu a pena porque me senti mais segura.

Recentemente, a empresa Novo Nordisk lançou um programa chamado Novo Dia, em parceria com outro grande laboratório, a Bayer. Aliás, uma novidade e tanto. Dois laboratórios juntos num programa de apoio ao paciente. Pelo programa, além da pessoa poder esclarecer suas dúvidas sobre o diabetes, ela recebe explicações sobre o uso do glicosímetro para monitoração da glicemia e orientação sobre a aplicação das insulinas. O atendimento é feito por profissionais especializados (enfermeiras e nutricionistas) e a visita em domicílio dura aproximadamente uma hora, tempo mais do que suficiente para esclarecer todas as dúvidas. Ao aderir ao programa, que é gratuito e voltado para aqueles que utilizam as insulinas da Novo Nordisk, o paciente ganha o glicosímetro da Bayer, o Breeze.

Para saber mais:

www.programanovodia.com.br
0800 707 3551 e pelo e-mail atendimento@programanovodia.com.br.

Anad – www.anad.org.br

ADJ – www.adj.org.br

Mônica tem uma filha diabética e acredita que a taxa glicemia altera seu humor

Mônica deixou um comentário na página “Entre em Contato” relacionado ao post sobre o comportamento de crianças diabéticas. Ela relata, por sua experiência como mãe de uma menina diabética, que nota alterações de humor, depedendo da glicemia. Só não entendi se é quando está em hipo ou em hiperglicemia. Não há nada ainda comprovado, mas vale o registro.

A mãe também quer saber sobre as atividades da Associação de Diabetes Juvenil (ADJ). Na lateral esquerda do site da ADJ há dois links, que se clicados abrem em sublinks. Ali, eles disponibilizam as atividades educativas e as atividades físicas.

Caso ainda esteja em dúvida, há uma linha 0800:

www.adj.org.br
0800 100627

Comportamento de Crianças Diabéticas

CRIANÇA COM DIABETES

A Hérica me mandou a seguinte questão:

Estava procurando tirar uma dúvida sobre diabetes e acabei “caindo” aqui no seu blog. Eu tenho um enteado que adora falar alto ou, quando algo não sai do jeito que ele quer, simplesmente grita, então, eu conversei com ele e minutos depois ele gritou novamente, aí coloquei ele de castigo, depois, falando com a mãe dele sobre o acontecido, ela disse que é por causa do Diabetes, que poderia estar alterando o humor dele, o menino tem 10 anos, mas desde que o conheco é assim.
Agora a minha pergunta, NUNCA ouvi dizer que Diabetes altera o humor, sempre li sobre os sintomas,  mas nunca meeesmo ouvi sobre isso, isso e verdade?

####

Olha, vou te dizer, Hérica, que também nunca ouvi falar que diabetes altera o humor, a não ser quando a pessoa está em hipoglicemia, mas é um estado bem passageiro, ligeiro, até subir de volta a taxa de açúcar.

O que acontece muito é que os pais de diabéticos costumam mimar muito a criança, como uma forma de compensar a doença. Isso, sim, influencia no humor, no comportamento. Por isso, é importante o acompanhamento de um psicólogo, para os pais saberem lidar com a doença. Outro dia, entrevistei um renomado endocrinologista, e ele falava sobre isso. Os pais e a escola não sabem lidar com a criança diabética. A tendência é super proteger o filho.

Há casos em que os pais se sentem até mesmo culpados pelo filho ter diabetes, sendo que no tipo 1 não há influências externas. Trata-se de uma doença auto-imune, como lúpus, esclerose múltipla. É o organismo se protegendo contra o próprio organismo. Acontece. Ainda não há explicação de como.

Não sou psicóloga, ou psiquiatra, mas parece que a mãe é que precisa de ajuda. Se você tiver esta liberdade com ela, oriente-a a procurar um profissional.

 

Diabetes: prevenção e informação – Parte 1*

Nesta primeira reportagem sobre diabetes, a importância do acesso à informação e ao atendimento multiprofissional, a necessidade de investimento em programas de educação continuada em diabetes e o falta de um programa de atendimento integral ao paciente diabético são alguns dos temas tratados

LUCIANA ONCKEN

Cheguei ao Colégio Madre Cabrini, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, por volta das 10h da manhã. Do lado de fora, uma fila bem organizada. Voluntários preenchiam as fichas das pessoas interessadas em passar pela triagem do diabetes. Naquele dia 11 de novembro, um domingo ensolarado e quente, mais de oito mil pessoas passaram pela 10ª Campanha Nacional Gratuita de Detecção, Orientação, Educação e Prevenção das Complicações em Diabetes. Eu era uma delas. Sou diabética tipo 2 há quatro anos. Não era a minha primeira vez por ali. Em 2002, passei pela triagem, mas ainda não era diabética e voltei para casa com um resultado satisfatório: 92 mg/dl em jejum.

Após responder o questionário de uma das voluntárias, fui em direção a uma das mesas montadas no pátio interno do colégio. Simpáticas, furaram o meu dedo com a pistola do glicosímetro (todo o material havia sido doado pela Roche, fitas e agulhas). Resultado: 139 mg/dl. Foi o bastante para colarem etiquetas de todas as cores na minha roupa. As etiquetas representavam os exames pelos quais eu deveria passar: pressão, colesterol, fisioterapia, podologia, oftalmologia, odontologia, hemoglobina glicada, orientação nutricional e de atividade física.

Em primeiro lugar, passei por uma entrevista com um médico, que me orientou a dar continuidade no meu tratamento. Fui passando de área em área, sempre muito bem atendida. E conversei com algumas pessoas, em especial, com aquelas que haviam descoberto ali o diagnóstico do Diabetes. A maior parte parecia um tanto descolada. Não tinham muita noção do que é a doença, o que causa, e quais as suas conseqüências. Muitas estavam lá por acaso, porque ouviram falar da campanha nos meios de comunicação. Ou porque um amigo chamou.

O seu Afonso Pereira, de 52 anos, por exemplo, encontrou com um amigo na padaria, ali próximo. Como não tinha nada para fazer, o acompanhou até o local da Campanha, onde se descobriu diabético. O amigo foi embora. Ele ficou para os exames. Ainda um pouco perplexo com o resultado e sem saber o que fazer, ia sendo orientado pelos profissionais da saúde que dispuseram voluntariamente de seu tempo para atender, esclarecer e orientar as pessoas.

O presidente da Anad, o médico endocrinologista Fadlo Fraige Filho, destacou a importância do trabalho de cerca de 500 voluntários: médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, farmacêuticos, dentistas, fisioterapeutas, podólogos, professores de educação física, estudantes de diversas áreas. “Sem eles, não conseguiríamos, esse trabalho não seria possível.”

Para ele, campanhas como esta têm a importância de alertar as pessoas para a doença, mas também o setor público para estruturar melhor o atendimento ao diabético no Sistema Único de Saúde, já que o mesmo não prevê um atendimento multiprofissional, como o que estava sendo oferecido ali. O lema da campanha é “um dia em um ano”. Ou seja, todos os exames que levariam um ano para serem feitos no sistema público, ou até mesmo no suplementar, puderam ser realizados em um dia.

A Anad mostrou que é possível fazer uma espécie de “Poupa Tempo do Diabetes”, ou seja, oferecer uma estrutura que permita o diagnóstico de casos da doença, assim como das patologias associadas ao diabetes, em um só dia de atividades. “Isso mostra como é possível estruturar um atendimento que vai reverter em benefício, tanto para o setor público, como para o privado. Afinal, custa muito menos prevenir, do que tratar as complicações”, considerou o presidente da Anad.

Nos casos de primeiro diagnóstico, como o seu Adolfo, os profissionais orientavam a procurar as Unidades Básicas de Saúde para dar continuidade ao tratamento. Segundo o presidente da Anad, cerca de 50% das pessoas que têm diabetes, não sabe que têm. “O tempo entre o início da doença e a descoberta é de cinco a sete anos, tempo suficiente para as complicações se instalarem.”

O problema é que ali são diagnosticados diversos casos, cerca de 300 diagnósticos positivos. O que fazer com essas pessoas? Para as poucas que têm plano de saúde, solicitar que elas procurem um especialista. Para as muitas que não têm, orientá-las a procurar o posto de saúde mais próximo de sua casa. Mas será que a rede pública está preparada para esta demanda?

*Matéria originalmente publicada na Revista da APM, edição 585, de janeiro de 2008. Vou publicar uma retranca por dia.