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O que é ser saudável?

Quero muito acreditar que empresas que agem assim, como a Karin nos descreve, sejam minoria:

Com respeito às empresas que relutam em contratar pessoas diabéticas, isso acontece, sim!!! No início do ano fiz uma entrevista para trabalhar em uma multi aqui de Curitiba. Precisei ser sincera e mencionei minha doença. Bah, você tinha de ver a cara da psicóloga. Eu examinei tão atentamente aquele olhar abismado! Deu pena! Pena, porque eu me considero uma pessoa determinada e ágil no trabalho que faço. Então, ela me fez muitasssss perguntas sobre a doença, e eu respondi a todas elas, sem medo. Agora, me pergunto, será que devo ocultar esse tipo de informação? Afinal, meu sucesso está em jogo. A menina que contrataram não tinha experiência alguma como secretária executiva, agora, em contrapartida, eu trabalhei por dois anos como secretária da diretoria em uma concessionária (tenho muito conhecimento nessa área). Mas eles deram preferência a uma pessoa “saudável”. Agora, me pergunto, o que é ser saudável? É ter um rostinho bonito e um corpo esguio? Qual o parâmtero para “saudável”. Conheço lindas mulheres que carregam consigo o fardo de doenças incuráveis por terem levado uma vida promiscúa e desregrada. Qual a linha que separa o saudável do doente. O que é ser doente, afinal??? Acho que ser doente de verdade é ser doente de espírito. É ser falso de coração e arrogante. Ser doente de verdade é ter um coração cheio de raiva e de ódio. Isso, sim é ser doente. Melhor dizendo, é um pré-doente. Por que está adiantando para si, certamente, doenças cardiovasculares, úlceras estomacais, doenças de pele e assim por diante (como o Dr. Dráuzio Varela sempre comenta e com toda a razão do mundo).

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Li, hoje, na Revista da Folha (Folha de S.Paulo) uma matéria sobre rastreamento de DNA. “O Preço do Destino – Você pagaria para saber que tipo de doença pode ter no futuro?” é o título da matéria de capa da revista, realizada por Sérgio Dávila. Ele mesmo, como repórter, se submeteu ao teste por US$ 999.

Num ponto da reportagem, Dávila fala sobre a questão de discriminação genética: “Uma empresa contrataria um funcionário se soubesse que ele tem predisposição genética para desenvolver glaucoma ou câncer de pele?”. Uma questão bem complexa. Para evitar que isso ocorra, os EUA saíram na frente com a Genetic Information Nondiscrimination Act (lei contra a discriminação baseada em informação genética), que foi chamada de “a primeira grande lei dos direitos civis do século XXI”, assinada por George W. Bush em maio deste ano. Não morro de amores por ele, mas temos de reconhecer que, nisso, ele acertou em cheio. Pela lei, os empregadores estão proibidos de contratar, demitir ou deixar de promover pessoas com base em informações genéticas.

Essa história de discriminação genética me faz lembrar aquele filme Gátaca – A Experiência Genética, de 1997, de Andrew Niccol. Vocês lembram dele? O mundo onde as pessoas não geram mais seus filhos por relações sexuais, mas somente por inseminação artificial, para poderem escolher a carga genética da prole. Os que se arriscam ao método natural geram filhos sujeitos à discriminação genética, já que para serem contratados precisam passar por testes. São considerados uma segunda classe de seres humanos. Será que é este mundo que queremos?

 

 

Estudos mostram que ter uma predisposição não quer dizer que a pessoa vá desenvolver a doença, há de se levar em conta uma série de variáveis. As pessoas que já carregam uma disfunção, como o diabetes, ficam numa situação ainda mais delicada. Mais uma vez, há de se levar em conta as variáveis. Há de se levar em conta a qualidade de vida dessa pessoa, e como ela se cuida: se pratica atividade física, se faz os exames periódicos, se tem uma boa alimentação. Isso faz diferença para qualquer pessoa, que tenha ou não alguma disfunção.

Quantas pessoas “saudáveis” são surpreendidas por infartos, AVC… sem aviso prévio? Quantas pessoas ignoram que tem alguma doença, algum problema de saúde? Quantas pessoas deixam de fazer exames periódicos, não se cuidam, estão sempre com a resistência baixa, por conta do estresse, e faltam muito mais ao trabalho do que uma pessoa bem informada sobre a sua saúde e que, por isso, tomas as precauções necessárias.

As empresas têm, cada vez mais, investido em programas para manter seus funcionários saudáveis. É bom pra todo mundo. Por isso, temos, sim, de reconhecer, muitas investem em programas de qualidade de vida, incentivando hábitos saudáveis, a prática de atividade física e de lazer. Além de proporcionar o reconhecimento profissional. Estão muito certas. São empresas inteligentes, porque sabem que vão se beneficiar de programas assim.

Calcula-se que 50% das pessoas que têm diabetes, não sabem que têm. E, normalmente, uma pessoa que sabe que tem um problema de saúde passa a ser muito mais cuidadosa do que aquele que ignora o problema. No meu caso, eu me considero muito saudável. Muito mesmo. Sou apenas uma pessoa consciente do que eu devo evitar e do que eu devo fazer para continuar saudável. Ao contrário de muitos colegas que dizem: “Prefiro nem ir ao médico. Tenho medo de ter alguma coisa. Não tô procurando doença.” Quantas vezes você já ouviu isso? Como se fato de ir ao médico fosse o causador da doença.

Coluna do Portal Diabetes: Está em suas mãos

Está em Suas Mãos


Publicado em 7/4/2008 no Portal Diabetes

Postei no meu blog, Viver com Diabetes, na semana passada, um vídeo do projeto “Word in your hands” (Palavras em suas Mãos), criado pela comunidade norte-americana “Tu Diabetes”, para lembrar o Dia Mundial do Diabetes. O projeto consistia em escolher uma palavra que descrevesse como você se sente em relação ao diabetes, escrevê-la em uma das mãos e, em seguida, tirar uma foto. Entre agosto e novembro de 2007, a comunidade recebeu 120 fotos. O resultado é surpreendente.

Fear, Sad, Mad , Tired… Entre um tanto de palavras, uma chamou a minha atenção. Era a única que não estava em inglês: ESPERANZA. Um olhar mais atento e ela se repetia em inglês: HOPE. Havia também Grace, Organization, Balance, havia sorrisos posando ao lado das mãos. A partir dessas e de muitas outras palavras, foi feito um vídeo.

Ao assistir o vídeo, temos reforçada a idéia de que a nossa vida está em nossas mãos. ESPERANZA. Todas as outras palavras positivas me levavam de volta a ela. HOPE. Mas havia palavras muito tristes ao lado de rostos ainda mais tristes. SAD. E isso só me fez pensar no quanto essas mãos sofrem. ALONE. Perdidas, sem apoio, sem poder contar com a família, sem ter com quem desabafar. FEAR. Quase todos os dias, me deparo com elas em meu blog. SICK. Muitas sofrem não de uma, mas de duas doenças: diabetes e depressão. TIRED.

Ter diabetes é experimentar cada uma dessas palavra. COMPLICATED. Para só então entender e começar a experimentar algumas outras, aquelas que levam à ESPERANZA. Mudar o que está em nossas mãos, a nossa VIDA, não é tarefa das mais fáceis. ORGANIZATION. É preciso ser persistentente. GROWING. Dia após dia, semana após semana, mês após mês, às vezes, anos, digerindo as palavras até chegar a um entendimento. INCESSANT. Pode demorar um pouco para percebermos o poder que temos em nossas mãos. BATTLE. E percebermos que só cabe a nós mudarmos. SELF CONTROL. E depois de muita insistência, chegamos ao equilíbrio. BALANCE. E nos descobrimos como somos. STRONG. E podemos alcançar a felicidade. GRACE.

Não esqueça: está em nossas mãos a forma como o diabetes nos toca. Como ele tem tocado você? Que tal pensar sobre isso? LOVE.

Portal Diabetes: a primeira coluna a gente nunca esquece !


Da minha coluna semanal publicada em 31/3/2008 no Portal Diabetes

Pensei muito sobre o que escrever para inaugurar esta coluna. O convite da Miriam Kunis, editora do Portal Diabetes, foi uma agradável surpresa. Manter este espaço, semanalmente, será um delicioso desafio. E uma responsabilidade e tanto. A minha primeira participação neste site foi na seção “Depoimentos”, mas como você pode não ter lido, sinto-me na obrigação de me apresentar brevemente e explicar como vim parar aqui.

Vamos lá! Mantenho desde do final de 2006 um blog chamado “Viver com Diabetes” . Logo que o lancei, o inscrevi em um concurso da Coca-Cola, o Cokering, e fiquei entre os 10 melhores blogs na categoria “Viva o que é bom”. Foi uma injeção de ânimo, logo nos primeiros meses, ver meu blog, sobre como conviver com uma doença, figurar entre os melhores de uma categoria que fala sobre o lado bom da vida. Aquele, foi o atestado que eu precisava: meu blog falava de vida, de viver. Era exatamente esta a mensagem que eu queria passar.

O blog tem atingido o objetivo de transformar o diabetes em algo positivo na minha vida. Faço isso compartilhando a minha experiência, os meus sentimentos, as minhas dicas com outras pessoas na mesma situação, ou que tenham familiares na mesma situação. A minha intenção é adoçar um pouco a vida dessas pessoas e a minha também.
Neste espaço, que o Portal Diabetes abriu para mim, espero trazer assuntos de relevância para esta comunidade e contribuir com a minha forma de enxergar o mundo.

Viva o que é bom

Não é porque você é diabético que tem se fazer de vítima. Aliás, esta é a pior coisa que você pode fazer na vida. Eu sei, eu sei, você ama doce, adora uma massa, odeia se exercitar, ama comer porcarias. Não quer saber desse papo de levar uma vida saudável. Para de fumar? Nem pensar. E não pára por aí. Tomar remédio todos os dias, dependendo do tipo de diabetes, injeções de insulina. Quem gosta de injeção? Monitorar a glicose, furando a ponta dos dedos todos dias,quando não, várias vezes ao dia. Tudo bem, ser diabético implica em um monte de coisas chatas para fazer, e restringir um monte de coisas gostosas do cardápio.

A verdade, se é que ela existe, é que viver com diabetes exige ainda mais disciplina e muita, muita vontade de viver bem. E para viver bem, é preciso encontrar o lado bom da vida, é preciso viver o que é bom. Como quando uma pessoa que fica cega, e acaba desenvolvendo outras formas de enxergar o mundo: pelo cheiro, pelo som, pelo toque. Nós, precisamos aprender a ver o lado doce da vida em coisas que normalmente não dávamos tanto valor. Precisamos encontrar o doce da vida de situações, companhias, em um dia ensolarado. E deixar de lado a panela de brigadeiro para comer de colher, o prato cheio de macarrão, a preguiça.

Viver exige esforço. Cada um tem a sua limitação. E somos capazes, sempre, de superá-las, por mais difícil que pareça. Fazer-se de vítima é acabar com todas as possibilidades de viver o que é bom. Lembre-se, o diabetes faz parte da sua vida, mas não determina quem você é. Portanto, seja. Seja alguém, seja você, seja autêntico, e permita-se encontrar outra forma de saciar os seus desejos. Não pense nas limitações, pense no quanto você pode crescer a partir delas.

Mas se estiver difícil, não hesite em procurar ajuda profissional. Um psicólogo pode auxiliá-lo a reencontrar a sua essência, o seu eixo. Um nutricionista, pode ensiná-lo a comer bem, e de forma saudável, coisas gostosas. Um endocrinologista, além de passar o tratamento, pode acompanhá-lo e apoiá-lo. Um professor de educação física pode tornar a sua atividade física prazeirosa, direcionando e descobrindo o que você gosta de fazer. Assim, você terá a oportunidade de enxergar o mundo de uma outra forma. Afinal, não é porque você é diabético que precisa levar uma vida amarga.

Estou no Portal Diabetes

Portal Diabetes

Esta semana, foi publicado um depoimento meu no Portal Diabetes, que aliás tem um conteúdo muito interessante para portadores de diabetes tipo 1 e tipo 2. É bem completo, com informações sobre leis, direitos, alimentação saudável… Vale a pena conferir.

Clique aqui para ler o meu depoimento.