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“Qual é o melhor exercício? Aquele que você adere!”, Rosana Radominski, durante o Congresso Brasileiro de Obesidade

Pensa bem, o que adianta você insistir em fazer uma atividade que não gosta e desistir uma semana depois. Mais vale você investir em algo que dê prazer. E se for algo incômodo para você, que seja breve. A adesão ao tratamento é o mais importante. Aderindo, e começando a ver os resultados, você é capaz de seguir em frente. E até aderir a outras atividades menos prazeirosas com o tempo.

Você gosta de jogar futebol? Ok, uma partidinha com os amigos duas vezes por semana já vai fazer uma baita diferença. E, aí, quem sabe, você não emenda um treino resistido. Gosta de caminhar? Comece a fazer mais coisas a pé, deixe o carro em casa, use a bike, desça um ponto de ônibus antes, use as escadas. Com o tempo, e mais disposição, pode ser que você inclua outras atividades na rotina.

Durante o Congresso de Obesidade, que este ano foi em Recife, no mês de abril, a endocrinologista Rosana Radominski, de Curitiba, abordou o assunto. Para ela, o melhor exercício é aquele que o paciente adere. E lembrou que, para uma pessoa com obesidade grave, uma caminhada já é um exercício e tanto. Não adianta prescrever exercícios que os pacientes não vão aderir.

Eu voltei à atividade física pelo tênis. Fiquei um tempão só no tênis, duas vezes por semana. Depois, acabei emendando yoga, musculação, esteira. Hoje, substitui a musculação por um treino de alta intensidade, que dura 10 minutos, mas faz uma baita diferença. Quero fazer dança e por aí vai…

O que você gosta? Pense, sinta e comece!

Viver com diabetes e o desafio de viver com saúde

É, esse é o grande desafio do diabético, seja tipo 1, tipo 2, Mody ou Lada. Não importa. Isso que nos une. O grande desafio. Viver com diabetes e manter a saúde. Viver com saúde. Cuidar do corpo para prolongar a vida. Mas talvez tenhamos que cuidar antes da cabeça, para conseguir cuidar do corpo. E quantas desculpas temos para não cuidar de nenhum dos dois!

Por que cuidar da cabeça, da mente? Porque antes de tudo é preciso aceitar a doença. Não digo que não devamos ter esperanças de cura, mas isso não significa negar a doença a ponto de se descuidar e se prejudicar. Comportamentos de risco levam a situações de risco. Levam a complicações que tiram a nossa qualidade de vida.

Este ano, completo nove anos de diabetes. Nove anos exemplares? Não. Não mesmo. Essa doença não é fácil não. Esse negócio do mau invisível, do fogo amigo, é complicado! Contribui para que tenhamos um comportamento meio suicida. Suicida? Sim, não é exagero. Se eu sei que tenho uma doença, que se eu agir de determinada forma isso vai me prejudicar, vai me levar a enfrentar problemas, e consequentemente à morte, que comportamento é esse?

Isso é uma autocrítica. Hoje: 141 de jejum. Alguma coisa está errada. Não estou me comportando como deveria. Está na hora de rever tudo em busca do desafio de viver com diabetes com saúde!

E você, como tem se comportado? Qual é a sua maior dificuldade?

Diabetes e Gravidez: primeiras providências

Capítulo 2: Primeiras providências

Minha primeira reação, ao confirmar a gravidez, não foi contar para a minha mãe ou para o meu marido, mas, sim, contar para as minhas médicas: Dra. Fernanda, ginecologista e obstetra, e Dra. Cíntia, endocrinologista. Estava muito feliz, mas, ao mesmo tempo, apreensiva. Na desconfiança da gravidez, antes mesmo de voltar a São Paulo, havia suspendido o remédio que tomo diariamente. Minha glicemia andava bem descontrolada para os meus padrões. E isso me assustava um bocado.

Liguei para a Dra. Cíntia. Ela estava prestes a viajar de férias. A minha sorte foi que consegui pegá-la antes. E, na manhã do dia seguinte, ela me atendeu em seu apartamento. Passou as informações sobre a insulina, deixou-me um telefone para falar com uma colega dela, que estaria à disposição na sua ausência, de uma semana. Ela mesma ficou apreensiva por não poder me acompanhar justo na semana de estreia da insulina.

Não tinha como. Fiquei, sim, um pouco assustada. Tive, também, dúvidas em relação à alimentação. Coisa que eu nunca tinha sentido antes. Sempre fui bastante equilibrada e sempre soube o que comer. Mas, de repente, parecia que eu havia esquecido tudo. A Dra. Cíntia indicou-me uma nutricionista, a Alessandra. Era uma sexta-feira, marquei para segunda.

Decidi começar a insulina no domingo. No sábado, levantei cedo para ir à Anad – Associação Nacional de Assistência ao Diabético. Queria comprar todos os apetrechos necessários lá, porque sabia que eles teriam alguém que me explicasse como usar.

A Dra. Cíntia receitou-me dois tipos de insulina. Uma, de ação prolongada, chamada Humulin; e outra, de ação mais curta: Humalog. A  Humulin, eu tomaria duas vezes por dia. De manhã, ao acordar, seis unidades; à noite, antes de deitar, quatro unidades. A Humalog seria apenas para quando o exame de destro (ponta de dedo) registrasse taxa acima de 110. Conforme a glicemia, eu deveria tomar um número diferente de unidades. Ela estabeleceu minhas metas, bastante rígidas para o controle glicêmico.

Não fazia nem ideia de como aplicar, por isso comprei todo o necessário: a caneta, as agulhas e as insulinas na Anad. E pedi ajuda. Queria saber exatamente como fazer. A enfermeira da Anad levou-me a uma sala reservada, onde me explicou o passo-a-passo: poderia aplicar na barriga (na linha do umbigo, com três dedos de afastamento de cada lado), formando uma dobra com os dedos, e nas laterais externas das coxas ou dos braços.

Ela também me explicou que as insulinas só poderiam ficar 30 dias na caneta. Se até lá eu não usasse tudo, adeus insulina. No caso da Humalog, não iria usar mesmo. É necessário trocar mensalmente o refil, mesmo que esteja cheio. É o que eu tenho feito. Saí de lá até segura. Parecia simples.

Antonise tem diabetes e é mulher guerreira, preside a Associação dos Diabéticos do São Francisco, em Petrolina

Querida Luoncken [Luciana Oncken],

Recebo noticias do Portal Diabetes e vi sua foto sorridente e quis ler a matéria. Achei sensacional a sua iniciativa. Precisamos aproveitar esta ferramenta para nos conhecer mais e melhor, bem como ter a oportunidade de partilhar sentimentos, conflitos e alegrias ao conviver com a diabetes. Em dois meses estarei com 40 anos, e como mulher sertaneja, tenho aprendido muito a conviver com a minha diabetes nesses treze anos. Insulino-dependente, valorizo a participação em grupos, por isso atualmente sou presidente da ADISF – Associação dos Diabéticos do São Francisco, aqui em Petrolina. Em todos esses anos, vejo que a minha história de vida é semelhante a de outras mulheres guerreiras que lutam pela felicidade e não deixam o desânimo e a glicose atrapalharem. Tem sido assim comigo. Hoje me sinto uma mulher bastante feliz, realizada profissionalmente, sou professora universitária, gosto de compartilhar minhas experiências e acredito no amor. Às vezes, quando algo vem tentar atrapalhar, reajo e ressurjo mais forte. E a minha vida tem sido de grandes vitórias. Quando faço as minhas caminhadas ou deixo de comer algo como, por exemplo, farinha de mandioca, não fico mais triste ou culpada. Estou aprendendo a fazer escolhas, a cuidar mais de mim.
É muito bom se sentir mais confiante. Por isso, gostei demais do que você escreve e compartilha. Espero ter a sua amizade. Também participo da comunidade “Sou diabética, massou feliz”. Inclusive, vou colocar mais comentários.
Um abraço carinhoso,
Antonise ( meu nome mesmo)
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Antonise,

Que alegria receber mensagens como a sua. É esse o objetivo do meu trabalho, por meio da identificação encontrar o apoio que precisamos para continuar feliz e seguir em frente. O seu depoimento mostra como é possível levar a vida de uma forma mais leve, sem ficar pensando que o diabetes atrapalha a sua felicidade. A forma como você lida com o distúrbio é uma mostra de como você lida com a vida. Obstáculos, encontramos todos os dias. Um encontram uma pedra no meio do caminho e param, sentam, e ali ficam, pensando que não podem ir adiante, porque aquela pedra não permite. Outros, encontram a pedra e a escalam. Passam por cima, quase caem, voltam a tentar passar. Escorregam, mas continuam em frente, tentando. Até que conseguem.

A vida é assim. Podemos parar na primeira pedra que encontramos, na segunda, ou na terceira. Mas e se fizermos isso, onde chegaremos? Umas pedras são mais fácil de passar. Principalmente quando nos damos rapidamente conta da sua presença.

Fico pensando que o diabetes, para algumas pessoas, é como aquele pedregilho. Pedras pequenas, mas chatas. Pedregulhos podem entrar no sapato e ficar a nos importunar, machucando devagarinho, sem que se quer percabamos o que é. E vamos deixando pra lá. O que começou pequeno e silencioso, discreto, se não estivermos atentos, vai nos corroendo aos poucos, até que começam as complicações. E o pedregulho se transforma numa pedra quase intrasponível.

Outros já vêem o diabetes, logo de cara, como uma pedra grande. Rapidamente se dão conta do tamanho do problema. E planejam formas de escalar aquela pedra, um pouco por dia, com todos os cuidados necessários para não se machucar. Às vezes, mesmo tomando diversas precauções, se machucam um pouco. Param, analisam as dificuldades, tomam outras precauções e seguem em frente.

Mas há também os que ao se depararem com esta pedra, a consideram tão gigantescas que nem tentam ultrapassá-la. Ficam no pé, esperando por uma milagre que as levem até o outro lado para que continuem o caminho.

Têm os que vivem um pouco por dia. Essam pessoas encontram várias pedras de tamanho médio espalhadas pelo caminho. Para elas, essas pedras têm um tamanho tranqüilo, e elas conseguem ir saltando uma de cada vez, tomando cuidado para não pisar direto na próxima e cair. Às vezes, caem. Levantam, sacondem a poeira e continuam. Saltando uma pedra por vez. Os que ao se depararem com um caminho cheio de pedras e tentam pular todas de uma só vez, apressados para terminar logo com aquilo, correm o  risco de uma queda feia.

Isso nos faz pensar como temos levado a nossa vida e como temos encarado o diabetes. Como um pedregulho, ao qual não damos importância, até que ele nos machuca? Como uma grande pedra que escalamos com cuidado, sujeitos aos riscos normais na nossa vida? Ou vamos encarando como aquelas pedras perfeitamente transponíveis, que saltamos, uma por vez?

Boa semana!

Em processo de emagrecimento

Não quero cantar vitória. Tenho alguns quilos ainda para perder. Cinco já se foram. Mas cinco ainda estão sobrando. Portanto, academia, boa alimentação, controle. Peguei carona na virose que tive em outubro e segui em frente. Explico: a tal virose me deixava sem fome, meio enjoada, com náuseas. Comecei a comer pouquinho. A virose passou e eu continuei comendo pouquinho. Em conjunto com a academia, gerou resultado. Cinco quilinhos a menos em três meses. Eu achei ótimo. A minha saúde está gostando mais ainda. Mais controle da glicemia, mais disposição…

Mas continuo no processo de emagrecimento gradativo, sem pressa, sem obcessão e, o melhor, sem virose.

Dia Mundial do Diabetes: o que precisamos?

Hoje, 14 de novembro, é o Dia Mundial do Diabetes. Passei o mês preparando um matéria ampla sobre diabetes para a próxima Revista da APM. Neste feriado, vou estruturá-la. Só estou com um pouco de dificuldade de falar com as secretarias de saúde e o Ministério da Saúde sobre o programa do SUS para diabéticos. Agora, que a ONU reconheceu o dia 14 como oficial e a doença como uma pandemia a ser combatida em âmbito mundial, com programas consistentes, acredito que os governos vão dar mais atenção para a questão. Com programas que vão além da distribuição gratuita de medicamentos.

A Associação Nacional de Assistência ao Diabético (Anad), no último domingo, mostrou que é possível fazer uma espécie de “Poupa Tempo do Diabetes” (em alusão ao programa do Estado de São Paulo que estruturou um atendimento rápido para quem precisa tirar documentos e resolver problemas burocráticos). O que eu chamo de “Poupa Tempo” é a estrutura que a instituição montou, que permitiu o diagnóstico de casos da doença, assim como das patologias associadas ao diabetes, em um só dia de atividades. Num mesmo local, reuniu profissionais de diversas áreas da saúde, cerca de 500 voluntários, para dar um atendimento integral. Como o Dr. Fadlo Fraige disse: “foi possível fazer o que se faria em um ano na rede pública, em um dia”.

Na minha opinião, o poder público deveria fazer parcerias com instituições como a Anad e a Associação de Diabetes Juvenil (ADJ), reunir a Sociedade de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) para criar um programa completo, proporcionando desde educação continuada para os profissionais que trabalham no sistema, até um programa multiprofissional de atendimento ao diabético. Englobando, principalmente, o Programa de Saúde da Família.

Este tipo de ação é essencial para combater a doença a longo prazo, assim como suas complicações, que implicam em sérios riscos para a população, além de custar caro para os cofres públicos. Ao passo que prevenir, pode reduzir drasticamente, a longo prazo, o impacto da doença nos custos sociais.

O assunto é complexo e há muito o que se discutir.

Educação em diabetes

Diabetes, seus sinais e sintomas em palestra aberta ao público na APM

Evento discutirá os aspectos da doença que atinge 10% da população adulta no Brasil

A Associação Paulista de Medicina promove, em 17 de outubro de 2007, a palestra Diabetes – Causas e tratamento. O encontro faz parte do Programa de Educação para Saúde, que é destinado ao público leigo, com entrada gratuita. O objetivo é esclarecer a população sobre os sinais e sintomas da doença, permitindo, assim, controlá-la.

“À medida que divulgamos mais informações sobre o diabetes, a procura por assistência médica é mais precoce e, claro, o diagnóstico também”, afirma o dr. Bernardo Lichewitz, especialista em endocrinologia e metabologia, diretor do Serviço de Endocrinologia do Hospital do Servidor Público Estadual e palestrante do encontro.

O que contribui para o desencadeamento do diabetes tipo II, o mais freqüente na população brasileira após os 40 anos, são o sobrepeso e o acúmulo de gordura, o estresse excessivo e o sedentarismo. Portanto, alimentação saudável e prática de atividade física são essenciais para combatê-lo. De acordo com o dr. Bernardo, na grande maioria das vezes, a doença é hereditária. Porém, mesmo quem herda a propensão pode não desenvolver sintomas.

Existem ainda outros tipos de diabetes, com diversas causas. Podem ser por pancreatite crônica, resultado de alcoolismo crônico ou mesmo por desnutrição, o tipo mais comum na região nordeste do país. A doença pancreática causada por acúmulo de ferro no pâncreas também provoca a pancreatite e, por conseqüência, o diabetes. Remédios para bronquite e alergia, como o cortisona, também podem desencadear a patologia.

Por fim, há o diabetes tipo I, com menor incidência do que o tipo II, que acomete principalmente crianças. Nesse caso, o tratamento sempre é baseado nas aplicações diárias de insulina.

A palestra trará discussões sobre o que é o diabetes, as principais maneiras de evitar que se exteriorize, o tratamento e a importância da dieta correta, exercício físico e mudanças de hábito, como diminuir o estresse e o tabagismo.

“Vale ressaltar que todo o tratamento do diabético deve iniciar com uma dieta de baixas calorias. Se ele for obeso, deve ser de 1.200 a 1.500 calorias por dia, aproximadamente. No caso do diabetes tipo II, uma alimentação saudável resolve 80% dos problemas decorrentes, dispensando o uso da medicação. É importante incluir fibras nas refeições, como folhas verdes e grãos, evitar pães, doces, massas e açúcares em excesso, bem como carnes gordurosas e queijo amarelo”.

Em se tratando das medidas terapêuticas, dr. Bernardo destaca ainda que a indicação é individualizada e leva em conta fatores como o tipo físico, entre outros.

Programa de Educação para Saúde

Diabetes – Causas e tratamento

Data: 17 de outubro de 2007

Horário: 14h

Local: Associação Paulista de Medicina

Endereço: Av. Brigadeiro Luís Antonio, 278 – São Paulo/SP

Informações e Inscrições: (11) 3188-4252 – eventos@apm.org.br

Informações: Acontece Comunicação e Notícias