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Para todos que pedem informações sobre cirurgia do Diabetes

Repito mais uma vez: a cirurgia  do diabetes ainda está em fase experimental e ainda não foi aprovada para ser realizada em grande escala, só tem sido feita como parte de estudos. Ainda depende de aprovação nos Conselhos de Ética. Mais informações, sugiro:

Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) – www.diabetes.org.br
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) – www.endocrino.org.br

Diabetes: prevenção e informação – Parte 5

Preocupação mundial
A preocupação é mundial, tanto é que pela primeira vez Organização das Nações Unidas reconheceu oficialmente o dia 14 de novembro como o Dia Mundial do Diabetes. Neste dia, os principais monumentos, em todo o mundo, foram iluminados de azul, como forma de chamar atenção para a doença.

Uma resolução da Federação Internacional de Diabetes (IDF) divulgada em Nova York, nesse dia, aponta alguns resultados esperados dessa ação: o aumento da conscientização global sobre o diabetes; maior reconhecimento do fardo humano, social e econômico do diabetes; ter o diabetes como uma prioridade mundial em nações individuais; o implemento de estratégias efetivas, financeiramente, para prevenção nas complicações do diabetes; a produção de estratégias de saúde pública, para a prevenção, possíveis de serem custeadas; o reconhecimento de grupos de “necessidades especiais” (crianças com diabetes, idosos, indígenas, imigrantes, de países em desenvolvimento, e gestantes); e o aumento do número de pesquisas em busca da cura.

Dados do IDF, apontam um crescimento vertiginoso do número de pacientes diabéticos. De 2000 para cá, o número de pessoas com diabetes duplicou. Estima-se, hoje, que sejam mais de 230 milhões de pessoas no mundo convivendo com a doença. A cada cinco segundo, surge um novo portador de Diabetes.

No Brasil, não se ao certo o número de diabéticos. Estima-se que a média seja a mesma mundial, cerca de 10% da população. O último levantamento sobre o número de pessoas com Diabetes no País foi feito no final dos anos 1980. “Naquele estudo, 50% das pessoas que eram diabéticas não sabiam que eram”, destaca Tambascia. Um novo censo está sendo preparado pelo IBGE, em conjunto com a SBD, para se chegar a um levantamento atualizado sobre a doença.

O crescimento vertiginoso, na opinião de especialistas, é resultado de um conjunto de fatores. “Temos observado uma maior preocupação de pacientes e médicos na busca do devido diagnóstico. Por outro lado, o número de diabéticos cresce em todo o mundo e não poderia ser diferente no Brasil, em decorrência de maus hábitos alimentares e sedentarismo”, destaca Lyra. O presidente da SBEM salienta que o envelhecimento da população também contribui para o aumento nos casos de diabetes.

O impacto financeiro e social da doença é alto. No mundo, calcula-se que os gastos com o tratamento do diabetes e de suas complicações tenham ficado 215 e 375 bilhões de dólares, em 2007.

O professor adjunto da Santa Casa, Osmar Monte, lembra que prevenir é muito menos custoso, tanto financeiramente, quanto socialmente. “Mas, para isso, é preciso focar a médio e longo prazo, porque os resultados não serão imediatos”, ressalta.

No encontro realizado em Nova York, as discussões mostraram que não é só o Brasil que enfrenta dificuldade em sensibilizar o governo, as autoridades e até mesmo a saúde suplementar para a necessidade de promover prevenção e o tratamento adequado às pessoas com Diabetes. A conclusão da reunião foi de que “é preciso haver o comprometimento dos governos para implantação de programas nacionais de tratamento de Diabetes, independentemente de questões políticas e eleitorais.”

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Fim!

Diabetes: prevenção e informação – Parte 4

Acesso à informação
Um outro desafio das entidades é promover a educação e o acesso à informação para o público em geral. No caso do diabetes tipo 1, que normalmente se desenvolve ainda na infância ( com exceção do diabetes LADA – Latent Autoimmune Diabetes in Adults), e atinge 3% dos portadores de diabetes, Monte aponta os maiores desafios dos profissionais que atendem ao paciente: “em primeiro lugar, fazer com que os pais aceitem a doença; em segundo, convencê-los a não se sentirem culpados pela doença do filho; em terceiro, fazer com que a própria criança aceite. E há outra questão, a escola normalmente não está preparada para receber uma criança diabética, o que se torna um problema social”. O atendimento deve envolver o endocrinologista, o nutricionista, a enfermeira, o professor de educação física e um psicólogo ou psiquiatra.

No caso do diabetes tipo 2, o mais comum, que atinge mais de 90% da população diabética do mundo, o principal desafio é a mudança de hábitos. “O paciente tem de enfrentar um certo sacrifício alimentar, uma mudança, muitas vezes, drástica no estilo de vida, incluindo a atividade física no seu cotidiano. Para que ele dê continuidade à atividade, é importante que ele seja incentivado pelo médico a procurar uma atividade que considere prazeirosa”, salienta o presidente da SBEM-SP.

A Anad e a Associação de Diabetes Juvenil (ADJ) têm procurado realizar campanhas anuais, no Dia Mundial do Diabetes, 14 de novembro, para promover a educação para o público. As campanhas de detecção, como a realizada pela Anad no dia 11 de novembro, têm este papel: alertar a população sobre os riscos do diabetes. Entre os dia 7 e 9 de dezembro, a ADJ realizaou o seu congresso anual, que é voltado para todos os profissionais que atendem o paciente diabético, mas também ao próprio paciente e aos familiares. “O trabalho da ADJ é possibilitar o acesso à informação, educação e conhecimentos dos direitos das pessoas com diabetes”, declarou o então presidente Sussumu Niyama. A presidente eleita é Ione Taiar Fucs, que assume neste 2008.

“A ADJ e a Anad cumprem bem o papel da informação. Estas campanhas são importantes para lembrar da doença e de suas complicações”, destaca o presidente da SBD, Marcos Tambascia. Tanto a Anad, quanto a ADJ, além das campanhas e congressos anuais, possuem programações diárias de atendimento e orientação ao diabético. São palestras, consultas, cursos de culinárias, orientação em nutrição, serviço de podólogo, entre outras atividades.

Na SBEM, segundo Lyra, o Departamento de Diabetes têm trabalhado para “conscientizar a população quanto ao entendimento da doença e sobre os riscos que correm aqueles que não se esmeram em manter um bom controle, não só da glicemia, como também da pressão arterial, dos lipídeos, dentre outros.”

Mas o presidente da SBEM concorda que ainda há muito que melhorar e que é necessário uma ação conjunta com o governo.
“De fato, precisamos melhorar e muito a disponibilização de informações sobre o diabetes. Estamos em constante contato com o nosso Departamento de Diabetes para campanhas de esclarecimento. Já tivemos, inclusive, em reunião com o Ministério da Saúde para o desenvolvimento de projetos nesse sentido.”

Diabetes: prevenção e informação – Parte 3

Educação em Diabetes

Um outra alerta da SBEM é sobre a falta de um Programa de Educação Continuada para os médicos que atendem nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Afinal, nem sempre o médico responsável pelo primeiro atendimento está apto a identificar, diagnosticar e tratar o paciente diabético. “O serviço deveria obrigar o médico a fazer reciclagem, dar o direito à falta no serviço para a realização do curso e cobrar a presença deste profissional”, destaca Osmar Monte. Segundo o professor, já seria suficiente uma reciclagem a cada cinco anos. “A SBD e a SBEM têm se esmerado em apoiar e mesmo ajudar na capacitação de não endocrinologistas na assistência ao diabético. Com isso, certamente, teremos melhores resultados”, concorda o presidente da SBEM, Ruy Lyra.

O resultado da falta de preparo é que somente 10% da população é diagnosticada no início da doença. “Quando o diagnóstico é feito no início, é muito mais barato. A longo prazo, gera benefícios sociais e economia”, afirma Monte. Segundo o presidente da SBEM-SP, o Programa de Saúde da Família (PSF) seria um instrumento interessante no diagnóstico precoce do diabetes, já que poderia analisar os familiares e o risco hereditário de desenvolver a doença.

Tanto a SBEM quanto a SBD têm trabalhado para promover cursos de atualização para endocrinologistas e para profissionais de outras especialidades. O diabetes é um distúrbio que exige um atendimento multiprofissional e a SBD é a entidade que congrega todos os profissionais ligados ao atendimento ao diabético. Atendimento integral como o oferecido pela Anad na Campanha Anual de Detecção ainda não é realidade no sistema público e no sistema privado. Nem um dos dois inclui outros profissionais de saúde no atendimento. A Anad pretende sensibilizar as duas áreas, com base nos benefícios, para que elas passem a oferecer este tipo de atendimento.

A SBEM concorda que o atendimento integral pode trazer muito mais benefícios. “Infezlimente, são poucos os centros que apresentam uma estrutura multidisciplinar no atendimento ao diabético no Brasil. Não tenho a menor dúvida de sua importância no devido controle e conscientização do diabético”, afirma Lyra.

Dia Mundial do Diabetes: o que precisamos?

Hoje, 14 de novembro, é o Dia Mundial do Diabetes. Passei o mês preparando um matéria ampla sobre diabetes para a próxima Revista da APM. Neste feriado, vou estruturá-la. Só estou com um pouco de dificuldade de falar com as secretarias de saúde e o Ministério da Saúde sobre o programa do SUS para diabéticos. Agora, que a ONU reconheceu o dia 14 como oficial e a doença como uma pandemia a ser combatida em âmbito mundial, com programas consistentes, acredito que os governos vão dar mais atenção para a questão. Com programas que vão além da distribuição gratuita de medicamentos.

A Associação Nacional de Assistência ao Diabético (Anad), no último domingo, mostrou que é possível fazer uma espécie de “Poupa Tempo do Diabetes” (em alusão ao programa do Estado de São Paulo que estruturou um atendimento rápido para quem precisa tirar documentos e resolver problemas burocráticos). O que eu chamo de “Poupa Tempo” é a estrutura que a instituição montou, que permitiu o diagnóstico de casos da doença, assim como das patologias associadas ao diabetes, em um só dia de atividades. Num mesmo local, reuniu profissionais de diversas áreas da saúde, cerca de 500 voluntários, para dar um atendimento integral. Como o Dr. Fadlo Fraige disse: “foi possível fazer o que se faria em um ano na rede pública, em um dia”.

Na minha opinião, o poder público deveria fazer parcerias com instituições como a Anad e a Associação de Diabetes Juvenil (ADJ), reunir a Sociedade de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) para criar um programa completo, proporcionando desde educação continuada para os profissionais que trabalham no sistema, até um programa multiprofissional de atendimento ao diabético. Englobando, principalmente, o Programa de Saúde da Família.

Este tipo de ação é essencial para combater a doença a longo prazo, assim como suas complicações, que implicam em sérios riscos para a população, além de custar caro para os cofres públicos. Ao passo que prevenir, pode reduzir drasticamente, a longo prazo, o impacto da doença nos custos sociais.

O assunto é complexo e há muito o que se discutir.