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Diabetes: cuidar hoje para viver mais e melhor

A gente sempre promete as mudanças para a segunda-feira. Vou fazer uma proposta diferente. Que tal mudar hoje, neste exato momento? Você queria só mais um final de semana para aproveitar? Um só? Talvez você ganhe muito mais do que isso se começar a mudar seus hábitos já. É muito provável que você seja beneficiado com uma vida mais longa, saudável, com muitos e muitos finais de semana para aproveitar, das mais diversas formas, com aqueles que você ama. Precisamos, sim, de um pequeno esforço.

Mudar hábitos de vida nunca é fácil, mas vale a pena. Medir a glicemia em jejum, e uma o duas horas após as refeições, controlar a alimentação, dando preferência para os carboidratos compostos – pães, massas, biscoitos integrais, por exemplo -, fazer contagem de carboidrato, principalmente quem faz uso de insulina, comer em intervalos de no máximo três horas, usar menos o carro, andar mais a pé, deixar o elevador e subir ou descer pela escada, descer do ônibus um ponto antes. Quando menos esperarmos, vamos ter somado os nossos 30 minutos de atividade física, essenciais para o controle glicêmico.

Conheço muitos diabéticos tipo 2 que não têm glicosímetro e raramente medem a glicemia. Conheço quem esqueça de tomar remédio e quem nem liga para o controle. Diabetes é silencioso, mas tudo o que fazemos hoje vai refletir na nossa vida daqui há 20 anos, talvez mais, talvez menos. Adotar os melhores hábitos é escolher a vida, uma vida mais bem vivida. Ganhamos todos nós. Pense nisso. Bom final de semana!

Coluna de minha autoria publicada no blog “Educação em Diabetes” do dia 18/05/2012.

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Fazer um diário de glicemias é importante para melhor controle do diabetes

Toda mudança brusca na rotina de atividade física de uma pessoa com diabetes deve ser acompanhada por um profissional de saúde, de preferência por uma equipe multidisciplinar. Uma pessoa sedentária não pode passar a corredor profissional de um dia para o outro.

É preciso fazer toda a avaliação e os exames necessários e começar devagar. Por exemplo, começar a caminhar dez minutos por dia, de forma lenta, e ir aumentando gradualmente o tempo, depois a velocidade, é muito mais prudente. E conversar com o seu médico sobre isso é melhor ainda.

O que nos anima a incluir uma rotina de atividade física em nosso dia a a dia, em especial para o diabetes tipo 2, é a possibilidade de manter a glicemia sob controle sem a necessidade do uso de medicamentos. Aliando a uma dieta equilibrada, o jogo fica perfeito. E se esse for o caminho, o controle sobre a doença passa a ser seu. Para ajudar nossos profissionais a encontrar o melhor tratamento, precisamos monitorar sempre. Só assim poderemos conhecer o nosso organismo, saber como ele se comporta, qual o impacto da alimentação que estamos tendo e da atividade física. Precisamos monitorar também para observar se temos hipoglicemias, se são constantes, em que momentos elas acontecem.

Um diário é o que proponho. E não faltam aplicativos para computador e celulares, como o Glicemias On Line, que facilitam e muito a nossa vida. Vale a pena conhecer. Caso seja avesso à tecnologia, anote num caderno, faça uma tabela manual mesmo. O importante é anotar tudo. O monitor ou medidor de glicose é nosso aliado e é essencial na vida de um diabético. Não é item supérfluo. Tem de estar na nossa bolsa, no bolso, na nossa vida o tempo todo.

E o médico, então, esse tem de ser nosso amigão. Sim, não é exagero. Você tem de ter a liberdade de falar tudo com ele e de perguntar tudo. Tem gente que tem medo de levar bronca do médico e nem vai às consultas. Procure um profissional que esteja de acordo com a sua personalidade. Se você não gosta de levar bronca, mude de atitude, ou de médico. Se escolher mudar de médico, esteja aberto a um bate-papo franco. Por mais que ele não te dê bronca, vai ter de te convencer, de alguma forma, a mudar alguns hábitos, mesmo que de forma gradual.

Se a sua situação financeira permite agregar outros profissionais ao tratamento, excelente. Nutricionista, profissional de educação física, psicólogo… são todos muito importantes para acompanhá-lo nessa caminhada. Mas a pessoa mais importante em todo esse processo é você. Você precisa estar engajado com o diabetes para ter sucesso no tratamento. Pense nisso.

Minha coluna de 05/06/2012 para o blog Educação em Diabetes.

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Cotidiano de uma pessoa com diabetes

Minha coluna publicada originalmente no blog Educação em Diabetes no dia 08/06/2012*

Ah! Este é um dos meus textos preferidos, daqueles escritos com a alma e o coração!

Todo dia ela faz tudo sempre igual
Me sacode às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã

(Chico Buarque)

Todo dia fazemos tudo igual, mas não como na música do Chico Buarque. Todo dia fazemos tudo igual, mas diferente das pessoas comuns, que não têm diabetes.

Todo dia acordarmos e mal levantamos, às vezes ainda no tempo e no espaço entre o sono e o despertar, e já estamos com o nosso companheiro de cabeceira, que não, não é um livro, é nosso medidor de glicose, em mãos. E lá vai a primeira de muitas picadinhas do dia.

Em seguida, claro, escovar os dentes, como todo ser humano, lavar o rosto, tomar um banho. E vamos para o café da manhã. Mas não sem antes aplicar insulina, ou tomar os comprimidos. É isso, para quem tem diabetes não é uma xícara de café, ou um copo de leite, ou uma fruta, a primeira substância a entrar em nosso organismo pela manhã. Ou é a insulina, ou comprimidos.

E bolsa de mulher com diabetes é muito mais completa. Ao lado da maquiagem e de todos apetrechos que carregamos lá dentro, lá está novamente o nosso companheiro, o medidor de glicose, e quem faz uso de insulina: canetas, uma para cada tipo de insulina, agulhas, uma bala ou um docinho – melhor ainda se for um glicofast – caso venhamos a ter uma hipoglicemia. Às vezes, um lanchinho, para não sermos pegas de surpresa e ficar muito tempo sem comer. É, porque não podemos nos dar ao luxo de esquecer o lanche. Os homens também têm de se virar para carregar isso tudo. Uma mochila ou a pasta de trabalho vai muito bem.

O almoço e o jantar devem ser precedidos de mais picadas. E, nos intervalos, gotinhas de sangue para ver se está tudo sob controle. Atividade física, nem que seja uma caminhada leve, deve fazer parte da rotina. O alimento deve ser bem avaliado antes de ser levado à boca. Fazer contas a cada refeição também faz parte da rotina. E as marcações glicêmicas devem ser anotadas.

Na hora de dormir, lá estamos nós com o nosso companheiro de cabeceira de novo, nosso monitor. Ajustes feitos, podemos pegar o nosso livro e finalmente nos darmos ao luxo de dormir.

Todo dia eu só penso em poder parar
Meio dia eu só penso em dizer não
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão

(Chico Buarque)

Concordemos que há de se ter muita paciência, muita disciplina e força de vontade. Afinal, temos de conciliar tudo isso com todos os demais afazeres do dia a dia de uma pessoa comum. E não é que, com o tempo, tiramos isso de letra. Quer saber? Estamos mesmo longe de ser pessoas comuns, somos mesmo é especiais.

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Texto: Luciana Oncken, jornalista e blogueira, diabética há nove anos

Todos os direitos reservados 2012 ©

 *Eu e a nutricionista Camila Faria escrevemos diariamente sobre diabetes no blog Educação em Diabetes, da Doce Vida! Acompanhem!

Antonise tem diabetes e é mulher guerreira, preside a Associação dos Diabéticos do São Francisco, em Petrolina

Querida Luoncken [Luciana Oncken],

Recebo noticias do Portal Diabetes e vi sua foto sorridente e quis ler a matéria. Achei sensacional a sua iniciativa. Precisamos aproveitar esta ferramenta para nos conhecer mais e melhor, bem como ter a oportunidade de partilhar sentimentos, conflitos e alegrias ao conviver com a diabetes. Em dois meses estarei com 40 anos, e como mulher sertaneja, tenho aprendido muito a conviver com a minha diabetes nesses treze anos. Insulino-dependente, valorizo a participação em grupos, por isso atualmente sou presidente da ADISF – Associação dos Diabéticos do São Francisco, aqui em Petrolina. Em todos esses anos, vejo que a minha história de vida é semelhante a de outras mulheres guerreiras que lutam pela felicidade e não deixam o desânimo e a glicose atrapalharem. Tem sido assim comigo. Hoje me sinto uma mulher bastante feliz, realizada profissionalmente, sou professora universitária, gosto de compartilhar minhas experiências e acredito no amor. Às vezes, quando algo vem tentar atrapalhar, reajo e ressurjo mais forte. E a minha vida tem sido de grandes vitórias. Quando faço as minhas caminhadas ou deixo de comer algo como, por exemplo, farinha de mandioca, não fico mais triste ou culpada. Estou aprendendo a fazer escolhas, a cuidar mais de mim.
É muito bom se sentir mais confiante. Por isso, gostei demais do que você escreve e compartilha. Espero ter a sua amizade. Também participo da comunidade “Sou diabética, massou feliz”. Inclusive, vou colocar mais comentários.
Um abraço carinhoso,
Antonise ( meu nome mesmo)
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Antonise,

Que alegria receber mensagens como a sua. É esse o objetivo do meu trabalho, por meio da identificação encontrar o apoio que precisamos para continuar feliz e seguir em frente. O seu depoimento mostra como é possível levar a vida de uma forma mais leve, sem ficar pensando que o diabetes atrapalha a sua felicidade. A forma como você lida com o distúrbio é uma mostra de como você lida com a vida. Obstáculos, encontramos todos os dias. Um encontram uma pedra no meio do caminho e param, sentam, e ali ficam, pensando que não podem ir adiante, porque aquela pedra não permite. Outros, encontram a pedra e a escalam. Passam por cima, quase caem, voltam a tentar passar. Escorregam, mas continuam em frente, tentando. Até que conseguem.

A vida é assim. Podemos parar na primeira pedra que encontramos, na segunda, ou na terceira. Mas e se fizermos isso, onde chegaremos? Umas pedras são mais fácil de passar. Principalmente quando nos damos rapidamente conta da sua presença.

Fico pensando que o diabetes, para algumas pessoas, é como aquele pedregilho. Pedras pequenas, mas chatas. Pedregulhos podem entrar no sapato e ficar a nos importunar, machucando devagarinho, sem que se quer percabamos o que é. E vamos deixando pra lá. O que começou pequeno e silencioso, discreto, se não estivermos atentos, vai nos corroendo aos poucos, até que começam as complicações. E o pedregulho se transforma numa pedra quase intrasponível.

Outros já vêem o diabetes, logo de cara, como uma pedra grande. Rapidamente se dão conta do tamanho do problema. E planejam formas de escalar aquela pedra, um pouco por dia, com todos os cuidados necessários para não se machucar. Às vezes, mesmo tomando diversas precauções, se machucam um pouco. Param, analisam as dificuldades, tomam outras precauções e seguem em frente.

Mas há também os que ao se depararem com esta pedra, a consideram tão gigantescas que nem tentam ultrapassá-la. Ficam no pé, esperando por uma milagre que as levem até o outro lado para que continuem o caminho.

Têm os que vivem um pouco por dia. Essam pessoas encontram várias pedras de tamanho médio espalhadas pelo caminho. Para elas, essas pedras têm um tamanho tranqüilo, e elas conseguem ir saltando uma de cada vez, tomando cuidado para não pisar direto na próxima e cair. Às vezes, caem. Levantam, sacondem a poeira e continuam. Saltando uma pedra por vez. Os que ao se depararem com um caminho cheio de pedras e tentam pular todas de uma só vez, apressados para terminar logo com aquilo, correm o  risco de uma queda feia.

Isso nos faz pensar como temos levado a nossa vida e como temos encarado o diabetes. Como um pedregulho, ao qual não damos importância, até que ele nos machuca? Como uma grande pedra que escalamos com cuidado, sujeitos aos riscos normais na nossa vida? Ou vamos encarando como aquelas pedras perfeitamente transponíveis, que saltamos, uma por vez?

Boa semana!

Hoje, estréia a Blog Novela do “Viver com Diabetes”. Acompanhe e participe!

Clique aqui e acompanhe o capítulo de estréia da nossa Blog Novela “O Desafio de Verônica Mattos”.

Consulta ao Dr.

Hoje, fui entrevistada para um programa da RITTV – Rede Internacional de Televisão, chamado “Consulta ao Doutor”, que vai ao ar dia 16 de junho, às 16h.

Meu amigo, o jornalista e fotógrafo Leandro de Godoi, fez uma fotinhos do making off.

Making Off - RITTV

Diabetes: difícil aceitação

A maior parte das pessoas não encara muito bem o fato de ter diabetes. Revolta, desâmimo, depressão são comuns na população diabética. O maior desafio é a mudança de hábitos. Aceitar que você é portador de uma doença crônica é um passo difícil. Muitas pessoas ficam perdidas nesse processo. É mais comum do que imaginamos. Aparecida me encaminhou seu depoimento. Ela foi bastante sincera em relação a como se sente. Um desabafo que muitos gostariam de fazer. Afinal, o mundo não é cor-de-rosa. 

“Meu nome é Aparecida, tenho 45 anos, sou casa e tenho dois filhos. Sou professora de Inglês e acabo de concluir o mestrado. Sou de Vinhedo, interior de São Paulo.  

Tenho diabete tipo 2. Descobri a doença há aproximadamente 8 anos (não me lembro ao certo) quando fiz uns exames para uma cirurgia. No início, tratei com remédios e, com o tempo, evolui para a insulina. Ao descobrir a doença não me desesperei porque não tinha noção de como era. Não tenho referência de meus pais biológicos porque sou filha adotiva, mas meu pai adotivo teve diabetes e morreu em decorrência dela.  

Com o passar do tempo, fui aprendendo todos os nuances da doença e hoje digo, seguramente, que se me oferecerem para ser cobaia em um tratamento cuja chance de morrer fosse de 99% contra apenas 1% de cura, eu topo. Esta doença é muito cruel. Tenho neuropatia, que me causa dores, tenho infecções de urina recorrentes e um controle muito difícil Sou rebelde. Não me cuido como deveria me cuidar, devo confessar. Acabo por comer o que não poderia e esquecendo de fazer o controle e tomar a insulina. Tenho “hipos” horrorosas. O medo de que elas aconteçam em lugares difíceis me faz deixar de tomar a insulina com exatidão. Há algum tempo não tenho ido ao médico. Estou apenas seguindo o que me havia sido prescrito anteriormente, mas já marquei médico novamente. 

Na minha opinião, nas comunidades do Orkut para diabéticos não há espaço para pessoas que precisam de apoio de outras. Em tais comunidades todos são perfeitos, controlam com precisão e seguem a dieta adequadamente. Fiz duas amigas nessas comunidades e com elas troco idéias e sugestões, mas acabamos nos tornando amigas e não só companheiras de comunidade. Uma vez coloquei no fórum uma pergunta: se alguém sabia porque sentíamos tanta sede. Obtive respostas me mandando ao médico, dizendo que minha diabetes estava descontrolada. Apenas uma pessoa respondeu à minha pergunta. 

Tive diabetes gestacional nas duas vezes em que fiquei grávida. Meus dois filhos nasceram com peso acima dos 4 kg . Nenhum dos dois desenvolveram a doença até agora e, se Deus quiser, jamais a desenvolverão. Meu filho tem 20 anos e minha filha 16. Minha família não se preocupa muito com o meu diabetes. Meu marido me ajuda quando eu tenho hipoglicemia, mas ninguém fica controlando o que eu como ou deixo de comer. 

Compro a insulina na farmácia e não tenho nenhuma ajuda de parte alguma. Quando estive em Londres, a Universidade me concedeu uma ajuda para comprar a insulina e as tiras lá. Ganhei 100 libras das quais gastei apenas 13. A insulina lá é muito mais barata.  

Ah! Eu gostaria muito de poder participar de algum experimento, mas até hoje nunca consegui.”