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Uma semana…

Pronto! Passou a semana de adaptação ao medicamento (victoza), quando você toma apenas meia dose. Hoje, já usei a dose intermediária. Sem grandes efeitos colaterais. Já tive melhora dos enjoos. Sinto menos fome. Não houve alterações na balança e nem no controle do diabetes. É cedo ainda. Apesar do que dizem, não espero um milagre, espero resultados positivos. Em primeiro lugar, melhora no controle glicêmico. Em segundo, uma leve redução de peso, o que pode contribuir também para um controle mais adequado.

Nesta semana de adaptação, usei junto com hipoglicemiante, mas não apresentei nenhum episódio de hipo. Minha basal continua um pouco alta, mas tenho de considerar que ainda estava na fase de adaptação.

Metas: melhorar o controle, voltar para a academia e melhorar a minha alimentação.

Vamos em frente!

De volta à caneta e às agulhas! Victoza, aí vou eu!

Ontem, comecei a usar Victoza (liraglutida), o famoso da capa da Veja (risos). Para quem não sabe, ele é o tal medicamento que a revista mencionou como milagroso para quem quer perder peso. A questão é: Victoza não é um remédio para perder peso, é um medicamento para controle do diabetes tipo 2. Não sou DM2, sou MODY (um tipo genético) como já expliquei algumas vezes por aqui. E a minha médica disse é super indicado para o meu caso por preservar as células beta.

Meu controle não estava dos piores com glimepirida, mas o meu jejum estava bem ruinzinho. Vamos ver se a troca de medicamento surte algum efeito. Por enquanto, o único efeito que surtiu foi no meu bolso. Troquei R$ 12,00 por R$ 321,00 (preço bem chorado, fui em sete farmácias para conseguir esse preço, parecia que estava negociando um microondas… rs).

O Victoza foi desenvolvido pela farmacêutica Novo Nordisk, e é o primeiro medicamento injetável para diabetes tipo 2. Trata-se do primeiro análogo de GLP-1 (molécula normalmente presente no corpo humano – fabricada no tubo digestivo – que age no pâncreas estimulando a liberação de insulina na presença de glicose) de dose diária única desenvolvido para o tratamento de diabetes tipo 2. Ao mesmo tempo, promove perda de peso, já que retarda o esvaziamento gástrico e aumenta a sensação de saciedade após as refeições.

O fato é que voltei à caneta e às agulhas. Para quem não lembra, usei insulina durante a gravidez. E tenho medido a glicemia com mais frequência para ver como o meu corpo está reagindo.

Esta é uma semana de adaptação, com uma dose menor. Até agora, tenho sentido um pouquinho de enjoo e uma pequena redução no apetite. Vamos ver!

O fenômeno

Coluna originalmente publicada no blog Educação em Diabetes no dia 23/05/2012*

A liraglutida é um fenômeno, seja pela eficácia no tratamento – que alia o controle do diabetes tipo 2 e emagrecimento, seja por sua fama – o medicamento foi capa da revista semanal de maior circulação do país. Os posts mais comentados aqui do blog são os que têm como tema o Victoza.  Foram tantos os comentários que o blog Educação em Diabetes foi parar no Observatório da Imprensa, que analisou o efeito da divulgação na revista e a procura pelo medicamento.

O Victoza foi lançado em junho do ano passado pela Novo Nordisk, como o primeiro análogo de GLP-1 de dose única diária, injetável. O medicamento representa uma revolução no tratamento do diabetes tipo 2, já que os estudos clínicos apontaram resultados além do controle do açúcar no sangue, como controle da pressão arterial sistólica dos e redução de peso em diabéticos tipo 2. Redução de peso? Foi exatamente esse o motivo de tanto sucesso e polêmica, já que muitas pessoas passaram a usá-lo, única e exclusivamente, com o objetivo de perder peso. Ou seja, pessoas que não tinham indicação para o medicamento, já que não tinham diabetes tipo 2, passaram a fazer uso do medicamento.

O que provavelmente contribuiu ainda mais para uma procura exagerada pelo Victoza, que chegou a faltar nas prateleiras das farmácias, foi que, no ano passado, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (Anvisa), proibiu a comercialização dos chamados inibidores de apetite ou emagrecedores. A Agência propôs o cancelamento do registro de todos os derivados anfetamínicos, permitindo apenas a manutenção da sibutramina,com diversas restrições sanitárias. Essa foi outra polêmica no setor. A comunidade médica, em especial os endocrinologistas, representados pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), se posicionaram contra a ação da Anvisa.

Sobrou para o Victoza. E faltou Victoza, o que gerou revolta nas pessoas que procuravam o medicamento para melhorar o controle do diabetes tipo 2. O blog Educação em Diabetes se manifestou, esclarecendo as pessoas sobre o uso correto do medicamento, como você pode ler aqui. A Anvisa também soltou uma nota em que alertava que o “novo medicamento, destinado para pacientes com diabetes tipo 2, não é indicado para perda de peso”.

“O medicamento é destinado ao controle glicêmico em pacientes adultos com diabetes mellitus tipo 2, e precisa ser associado com dieta e atividade física. Ele deve ser administrado uma vez ao dia (como monoterapia) ou como tratamento combinado com um ou mais antidiabéticos orais (metformina, sulfoniluréias ou uma tiazolidinediona), quando o tratamento anterior não proporciona um controle glicêmico adequado.”

Ainda segundo a Anvisa, o uso do Victoza por pessoas não diabéticas pode oferecer riscos à saúde. Dentre os efeitos colaterais listados na bula do Victoza estão hipoglicemia, dores de cabeça, náusea e diarréia (mais frequentes) e ainda pancreatite, desidratação e alteração da função renal e da tireóide.

Passada a polêmica, queremos saber, você, que tem diabetes tipo 2, usou o Victoza? Qual tem sido o resultado? Deixe aqui o seu comentário.

*Eu e a nutricionista Camila Faria escrevemos diariamente sobre diabetes no blog Educação em Diabetes, da Doce Vida! Acompanhem!

Anvisa: victoza não serve para emagrecimento

Às vezes, me decepciono com meus colegas jornalistas que prestam um desserviço à população. Recente matéria na revista de maior circulação no país exalta o Victoza como uma alteranativa para quem precisa perder peso. Há exemplos de pessoas que o usam com essa finalidade e médicos que receitam o medicamento, mesmo não sendo apropriado para este fim. Resultado: correria nas farmácia e drograrias levou à falta do produto para quem realmente precisa, os diabéticos tipo 2.

Encontrei esta nota no site da Proteste e resolvi postar aqui:

Novo medicamento, destinado para pacientes com diabetes tipo 2, não é indicado para perda de peso.

Recentemente um novo medicamento causou grande correria às farmácias especializadas. O Victoza (liraglutida) ganhou fama na imprensa e no mercado com a promessa de auxílio na perda de peso – e sem efeitos colaterais. A procura pelo Victoza é tão grande que o medicamento literalmente sumiu das farmácias. Isso se transformou em um problema para quem realmente precisa desse produto: os diabéticos. Atualmente, o Victoza está em falta em vários estados.

O que muita gente não sabe é que o Victoza não serve para quem quer emagrecer. O medicamento é destinado ao controle glicêmico em pacientes adultos com diabetes mellitus tipo 2, e precisa ser associado com dieta e atividade física. Ele deve ser administrado uma vez ao dia (como monoterapia) ou como tratamento combinado com um ou mais antidiabéticos orais (metformina, sulfoniluréias ou uma tiazolidinediona), quando o tratamento anterior não proporciona um controle glicêmico adequado.

Diante desse quadro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou em seu site uma nota informando a real utilidade do Victoza. A entidade também alertou para a falta de estudos que comprovem a eficácia ou segurança do uso deste medicamento para a redução de peso e tratamento da obesidade. Segundo a Anvisa, o uso do Victoza por pessoas não diabéticas pode oferecer riscos à saúde.

Dentre os efeitos colaterais listados na bula do Victoza estão hipoglicemia, dores de cabeça, náusea e diarreia (mais frequentes) e ainda pancreatite, desidratação e alteração da função renal e da tireóide. Por ser um medicamento novo, ainda não houve tempo suficiente de utilização para que se possam conhecer todos os efeitos adversos que podem decorrer do uso desse produto. Nesse contexto, fica claro que só deve utilizar o Victoza quem realmente precisa dele: pacientes com diabetes tipo II, que não respondem bem às demais opções de tratamento para controle de glicemia e, ainda assim, sempre sob recomendação médica.

Novidades no tratamento do diabetes tipo 2

Novo Nordisk

Em primeiro plano, o CEO da Novo Nordisk, Lars Rebien Sørensen. Eu estou ao fundo, de camisa estampada de vermelho. A foto é de Flavita Valsani.

Fui convidada a participar de um encontro entre pacientes e o CEO da farmacêutica Novo Nordisk, Lars Rebien Sørensen, no dia 23 de fevereiro. O encontro foi parte do projeto de revisão do Novo Nordisk Way of Management, ou Modelo de Gestão da Novo Nordisk, que inclui ainda visitas a outras afiliadas pelo mundo.

Eu e outros nove portadores de diabetes engajados na luta pela melhoria da qualidade de vida do diabético falamos sobre como vivemos com o diabetes, nossos maiores desafios, e o que esperamos para ter uma vida melhor. É claro que a questão de encontrar a cura do diabetes também pautou a nossa conversa. Afinal, essa talvez seja a maior expectativa de todo diabético.

Percebi, ali, observando as colocações de cada um, que também há necessidade de se curar, antes de mais nada, a sociedade em relação ao diabetes. E essa cura passa pelo esclarecimento à população, por meio de programas de Educação, por exemplo; passa por investimento público em saúde e em programas bem estruturados de atendimento ao diabético em todo o país; passa por derrubar o preconceito em relação ao distúrbio, que aumentam o ônus do portador de diabetes, que acaba pagando mais por um plano de saúde, que tem seus prêmios de seguro de vida reduzidos em função da doença, que tem, muitas vezes, dificuldade de conseguir um emprego, que sofre nas escola por desconhecimento dos colegas. A cura passa, ainda, por nós. Quantos de nós precisamos curar o nosso olhar em relação ao diabetes para recomeçar a viver?

Durante o encontro, falou-se também da expectativa em relação ao tratamento. Uma das participantes disse que gostaria de uma insulina de ação ainda mais rápida do que a insulina de ação rápida. Pode parecer estranho, mas não é. Ela comentou que mesmo tomando a insulina de ação rápida, ela tem picos. Outros participantes concordaram. O CEO da Novo Nordisk disse que é isso que eles buscam. O que eles querem, para o futuro próximo, é “imitar”, cada vez mais, por meio de medicamentos a resposta de uma pessoa comum. Seria uma espécie de patche que faria o papel de uma bomba de insulina.

Mas a novidade mais próxima de ser lançada no mercado nacional é o Victoza®. A empresa recebeu em janeiro a autorização do FDA (autoridade sanitária dos EUA) e do Ministério da Saúde do Japão para comercializar o produto nesses países. Na Europa, o produto foi aprovado pela EMEA em julho e já é comercializado na Dinamarca, Alemanha e Reino Unida. Victoza® é o nome fantasia da liraglutida, o primeiro análogo de GLP-1 de dose diária única desenvolvido para o tratamento de diabetes tipo 2. Trata-se de uma molécula que age no pâncreas, estimulando a liberação de insulina na presença de glicose.

Os diabéticos tipo 2 presentes ao encontro ficaram esperançosos com a nova droga. Vamos esperar para ver.

O encontro foi realizado com o intuito de revisar o Novo Nordisk Way of Management, um documento que reúne a visão da Novo Nordisk, seu estatuto e suas políticas, a respeito de assuntos como bioética, ética nos negócios, comunicação, meio ambiente, finanças, saúde global, pessoas, qualidade, entre outros, criado em 2000, levando-se em conta as consultas feitas junto aos públicos de interesse da empresa: comunidade médica, funcionários e, nós, pacientes.

Considero a iniciativa bastante positiva e sou bastante simpática a atuação da empresa por desenvolver programas de apoio ao diabético, como o Programa Novo Dia (já falei sobre ele aqui no blog). Claro que toda empresa tem seus interesses comerciais, mas a a Novo Nordisk parece querer ir além, ouvindo o paciente, como nesse encontro, apoiando programas de Educação de associações de diabéticos, como a Anad e a ADJ, promovendo o Prêmio Imprensa para matérias sobre diabetes, ação que incentiva pautas sobre o assunto.